Por Elígio Junior Em Dica de Cinema Atualizada em 26 SET 2017 - 15H37

Dica de Cinema: Histórias Cruzadas

Em 2011, Tate Taylor trazia ao mundo seu terceiro e mais significativo longa metragem, Histórias Cruzadas. No estado do Mississippi (EUA.), na década de 1960, acompanhamos as sofridas e inspiradoras vidas de Aibileen (Viola Davis, Ender's Game: O Jogo do Exterminador), Minny (Octavia Spencer, A Série Divergente: Insurgente) e Skeeter (Emma Stone, Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância), três mulheres vivendo sob pesados preceitos culturais e raciais.

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Na história, as mães de classe média delegam a criação e educação de seus filhos às babás negras, que servem – e são exigidas a tal – para cuidar daquelas crianças melhor do que cuidam dos próprios filhos, mesmo quando proibidas de qualquer contato físico com suas patroas - mais para senhoras escravistas, que para empregadoras como conhecemos hoje. As pobres empregadas não podiam, sequer, usar o banheiro da casa, pois acreditava-se que a “pessoas de cor” podiam transmitir doenças.

A narrativa apresenta comportamentos ultrajantes e desumanos para com uma classe operária historicamente sofrida, dentro de um período da história norte-americana bastante conturbado e especialmente violento. Nele surgiram líderes populares que lutavam pelo direito de igualdade social – algo inconcebível pela “classe branca” – e morriam em prol dela: Martin Luther King Jr e Malcom X foram assassinados e transformados em mártires da revolução. Entretanto, a morte mais trágica e icônica foi a de John F. Kennedy, então presidente, que pôs fim na prática de discriminação racial aceita e tolerada pela maioria dos Estados.

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O texto, escrito por Tate e baseado no romance homônimo de Kathryn Stockett, aborda a delicada exploração entre brancos e negros sem apelações dramáticas e cenas clichês. E, ao mesmo tempo, apresenta outro problema crônico daquela época: jovens brancas deveriam, por comportamento padrão, casar-se antes dos trinta anos, tornar-se mães e jamais sonhar em ser financeiramente independentes dos homens. Que dirá possuir uma profissão e reconhecimento profissional, como sonha Skeeter!

Outro conceito tratado com acerto é a construção da verdadeira protagonista do longa. Apenas nos últimos minutos de filme a mesma é apresentada como tal, provando que sua jornada passou por um ciclo completo e textualmente perfeito.

Como o nome em português sugere, somos apresentados a três histórias que se cruzam para escrever uma única e simples narrativa, que convida a todos refletir: será que o mundo mudou tanto desde então? A humanidade já aprendeu a respeitar e tratar a todos de forma igual, independentemente da cor, sexo, raça, religião, crenças e sonhos?


Escrito por
eligio JM
Elígio Junior

Pós-graduado em gestão executiva da televisão

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