Por Elígio Junior Em Dica de Cinema Atualizada em 26 SET 2017 - 15H37

Dica de Cinema: Homem-Formiga

Existe uma máxima na Indústria do Cinema: todo diretor, em maior ou menor escala, sofrerá nas mãos dos produtores, responsáveis pelos milhões de dólares que anualmente são aplicados nesta perfeita máquina de produção da sétima arte.

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Inúmeros são os casos de diretores que abandonaram filmes pelas famosas “divergências criativas” com os estúdios, e Homem-Formiga foi mais um que engrossou a lista quando viu Edgar Wright (do espetacular Scott Pilgrim Contra o Mundo) abandonar o set e dar lugar a Peyton Reed, que até então dirigira obras de pouca expressão, como Separados pelo Casamento (2006).

E como se não bastasse essa turbulência inicial, o longa ainda passou por refilmagens a poucos meses da estréia oficial. Tudo caminhava para o primeiro fracasso do Estúdio Marvel e eis que os magos da “Casa das Ideias” encontraram um coelho dentro da cartola aos 48 minutos do segundo tempo e entregaram uma aventura divertida e competente.

Na história, acompanhamos o Dr. Hank Pym (Michael Douglas), um aposentado herói, em busca de alguém a altura para substituí-lo como o lendário Homem-Formiga. A escolha recai sob Scott Lang (Paul Rudd), um ex-criminoso cibernético em busca de redenção e condições de ser um bom pai. Aliás, o tema paternidade é a tônica do longa, trabalhada de maneira bem dosada e acertada. Como disse Pym, "Não é sobre como salvar o nosso mundo. É sobre salvar o deles (os filhos)”.

Rudd, que até então representara apenas papéis cômicos e românticos, surpreende como protagonista em um filme escrito para maximizar suas características engraçadas. Seu Scott Lang segue a linha clássica do sujeito comum, dotado de bons sentimentos, que cometeu erros na vida e que decide abraçar a segunda - talvez última - chance oferecida. Já Douglas usa de sua ampla experiência para dar vida ao cientista traumatizado e controladamente agressivo que tenta recuperar o amor de sua filha Hope, vivida pela encantadora Evangeline Lilly (Lost).

Mesmo já acostumados aos efeitos especiais cada vez mais realistas, o reino das formigas apresentado surpreende e enriquece a história com texturas e proporções vistas apenas em filmes da Pixar e Dreaworks. A computação gráfica é primorosa, mas, felizmente, a preocupação maior reside em construir um roteiro redondo, um vilão cartoonesco com propósitos claros, momentos "galhofa" bem executados por um núcleo caricato regado a uma trilha sonora disruptiva – ninguém acreditaria que Borombon, do panamenho Camilo Azuquita, funcionaria tão bem como a música de abertura de um filme de super-herói.

Homem-Formiga consegue equilibrar espetaculares cenas de ação - em miniatura - com bons alívios cômicos, seguindo a mesma fórmula de Guardiões da Galáxia, mas com uma diferença: momentos dramáticos, que apesar de breves, desenvolvem de forma bastante satisfatória as principais personagens, apresentando apenas o necessário de seus passados e motivações particulares.


Escrito por
eligio JM
Elígio Junior

Pós-graduado em gestão executiva da televisão

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