Por Jovens de Maria Em Jovens de Maria Atualizada em 21 FEV 2020 - 12H20

Chegou o Carnaval! O que somos convidados a viver?


Shutterstock/ Vergani Fotografia
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O Carnaval é a festa popular que antecede o período da Quaresma,
e o seu sentido original é a possibilidade de se aproveitar com maior descontração, através de música, boa mesa (particularmente o consumo de carne vermelha, restrito no período quaresmal), bebida e danças, a disposição austera dos 40 dias que devem preparar as solenidades pascais.

Nada mais justo, pois a alegria é também necessária à fé e à espiritualidade, e Deus certamente não deseja Seus filhos permanentemente sisudos e introvertidos. Assim, sabiamente, a Igreja tem os seus tempos litúrgicos ao longo do ano, e não condena o Carnaval – como, também sabiamente, orienta os fiéis ao jejum e à penitência na Quaresma, pois o Sacrifício na Cruz, de Cristo, na Páscoa, necessita sim de uma introspecção e meditação adequadas para ser bem compreendido, e suas graças bem recebidas pelas almas.

Mas a vivência festiva do Carnaval não implica, de forma nenhuma, na legitimidade da “alegria mundana”. Ao se pensar em Carnaval, hoje em dia surgem na mente, e de forma automática, o abuso da bebida, a pornografia, escândalos, violência, irresponsabilidades, todo tipo de excessos, violência.

Shutterstock/ igorstevanovic
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É óbvio que a Igreja – o Espírito Santo que a rege, Deus enfim
não pode desejar devassidão e pecado para aqueles que criou à sua Imagem e semelhança, destinados à alegria perfeita e eterna – e pura – da Eternidade.

Após o Pecado Original, todas as ações humanas ficaram sujeitas às tentações do mundo, da carne e do diabo. É fato; por isso mesmo, na Páscoa, o Senhor resgata a Humanidade da sua triste condição pecadora, abrindo a possibilidade de uma renovação efetiva que conduz à paz e à alegria verdadeiras, num caminho de acesso ao Paraíso que, agora, tem as portas novamente abertas aos seres humanos. Porém não basta que o Cristo abra estas portas: é necessário que o Homem queira, livremente, entrar. E isto, por sua vez, implica em escolhas do que diariamente fazemos nas nossas vidas, também para o (necessário) lazer.

Houve tempo em que, no Brasil, o Carnaval era comemorado por famílias inteiras, nas casas, nas ruas, com desfiles de maiores ou menores proporções, mas num entendimento geral de que esta alegria manifesta não era, como aliás nunca foi ou será, um simples pretexto para pecar. Certamente, sempre houve abusos, mas a mentalidade atual parece sugerir que a regra para “diversão” é, justamente, degradar a si mesmo, desrespeitar o outro, e ofender a Deus. Um pobre entendimento de Deus, da vida, de diversão, e de si próprio... e “alegria” que traz inevitavelmente, como consequência, tristezas e tragédias, ano a ano registradas na mídia, depois da... “folia”.

Shutterstock/ Kittirat roekburi
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Nem por isso quer a Igreja que não se comemore o Carnaval,
uma festividade legítima, que pode – e deve – ser motivo de muita diversão: extraordinária revelação, existe, de fato, alegria verdadeira! Mas sim, algumas pessoas, por temperamento ou para se afastar dos lamentáveis abusos, escolhem esta ocasião para fazer retiros ou outros exercícios espirituais, ou ir para lugares mais isolados e tranquilos.

Muito bem. Porém, isso não é uma obrigação ou uma necessidade estrita.

Nd3000 / Shutterstock
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É sim possível divertir-se com boa música, dança, um bom chopp e churrasco, em companhia decente, sem ofensas ou qualquer degradação.
Somos convidados a viver a alegria legítima do Carnaval, aquela mesma que devemos experimentar em qualquer situação normal da vida: a alegria do espírito, que sabe discernir e escolher, dentre as ofertas mundanas e falsas, a animação, a exaltação, a pureza – ou seja, livramento da imundície – de atitudes em sintonia com o ritmo do enredo maior que Deus, desde o princípio, cadenciou para o desfile desta nossa passageira vida: que espetáculo estaremos oferecendo, e que nota receberemos, quando da apuração final? 

José Duarte de Barros Filho,MVC 

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