Por Luciana Gianesini Em Notícias Atualizada em 05 JUN 2019 - 11H49

Angelica: jovem testemunho de aliança entre fé e razão

Conheça o que pensa a jovem que atua na evangelização através do desenvolvimento científico

O mês de junho é um tempo muito rico em temas e reflexões que permeiam o nosso caminho de cristãos. Um desses temas está relacionado à data que celebramos em 05 de junho, que é o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Quando falamos nesse assunto, não há como não pensar em tudo o que a Igreja nos ensina, principalmente através do nosso Papa Francisco, em seu documento Laudato Sì, que enriquece muito nossa reflexão a respeito do cuidado com a Criação. Entretanto, também não há como pensar em preservação ambiental sem que, para isso, contemos com algo essencial que a humanidade, inspirada por Deus, produz ao longo de sua história: a ciência

Recentemente, você acompanhou aqui no A12 a fundação da Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC), ocorrida do início de maio. Por isso, o Jovens de Maria foi atrás de uma jovem cientista e integrante da SBCC, Angelica da Silva Reis, que é engenheira química formada pela Universidade Federal de Uberlândia e muito atuante no Ministério Universidades Renovadas da RCC. 

A entrevista com essa jovem inspiradora você confere abaixo. Chega mais!

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal
A engenheira química Angelica (segunda, da esquerda pra direita) atua no MUR e é membro da SBCC

JM - Qual a importância e o desafio do diálogo entre a Fé e a Razão?

Angelica - São João Paulo II diz que: "a fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade" e esse é o grande anseio do coração humano: a busca e conhecimento da verdade. Portanto acredito que compreender como se dá o diálogo entre a Fé e a Razão e, mais do que isto, perceber que não são coisas contrárias, mas que se completam, é de fundamental importância para permitir ao homem um crescimento e um amadurecimento, tanto na sua caminhada de fé, quanto na sua caminhada da razão, quer seja no meio acadêmico ou profissional.

Alcançamos horizontes muito mais distantes quando esse diálogo é tratado de forma autêntica. Assim, percebo que o grande desafio é a visão parcial que se tem da fé e da razão, onde um extremismo de ambos os lados leva a crer que o diálogo entre os mesmos proporcionará o enfraquecimento de um ou de outro. Então nos encontramos, muitas das vezes, diante de realidades que se fecham pelo receio de perderem a certeza e a 'sua razão' em prol de uma verdade maior.

Portanto, enquanto se achar que a razão enfraquece a fé, afasta a pessoa de Deus e, por outro lado, achar que levar a fé para iluminar a ciência tirará dela a sua força, tem-se o grande desafio de fazer com que as pessoas cheguem mais longe e voem mais alto.

JM - Você acredita na necessidade de evangelização nas Universidades, nos departamentos de pesquisas e no meio científico? Por que e como isso pode ser feito?

Angelica - Com certeza, a evangelização no âmbito acadêmico é essencial! O motivo é o fato de que é nas universidades que novos conceitos são formados, ideologias são repensadas, e as pessoas que irão governar, construir, liderar a sociedade são frutos deste ambiente. E sabemos que a experiência religiosa está diretamente relacionada com a moral com a qual a pessoa irá conduzir sua vida. Diante do sonho que todos trazem de construir uma civilização mais justa, mais humana, mais solidária, onde haja maior respeito, é necessário que o local onde quem estará à frente dessa sociedade está sendo formado receba também essa formação humana e espiritual.

Sabemos que Jesus foi o nosso maior modelo de humanidade, que viveu do amor e para o amor. Portanto, acredito que a evangelização precisa ser efetiva nas universidades e em todo o meio acadêmico. Ela pode se dar de várias formas, como exemplo, aquilo que tem feito o Ministério Universidades Renovadas (MUR) que atua através de Grupos de Oração Universitária (GOU), realizando momentos de oração, pregação, oração do terço e também de mesas temáticas e encontros que envolvam a temática fé e razão, junto com um trabalho de acolhida e pastoreio dos professores e missões dentro das universidades, indo ao encontro de alunos, professores e pesquisadores, para ouvi-los e falar do amor de Deus.

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JM - Como a Igreja pode ajudar e acrescentar no processo de pesquisa e na carreira de um cientista?

Angelica - Na história da humanidade, vemos que a Igreja foi protagonista na criação das universidades. Acredito que, na nossa realidade, além de promover a ciência, dando um suporte pastoral para o cientista, no sentido de ampará-lo nos diversos desafios e momentos de desânimo que surgem durante a pesquisa, a Igreja vem sendo um oásis no qual os cientistas podem renovar suas forças. Acredito também que a Igreja promove a ciência quando apresenta diversificadas áreas nas quais o cientista pode atuar e se desenvolver.

O surgimento da Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC) mostra isso de forma evidente, na qual igreja e cientistas se unem com um mesmo objetivo - produzir ciência à luz da fé e guiado pelo humanismo solidário - percebendo-se, assim, nas diversas áreas de pesquisa, que é possível o desenvolvimento de projetos que promovam o cientista e o seu grupo de pesquisa, bem como toda uma comunidade que será beneficiada pelo desenvolvimento de tal projeto. Isso dá a oportunidade até mesmo de um protagonismo ao cientista nessa área de pesquisa, pela qual infelizmente muitos acabam não se interessando muito.

Laura Galvão
Laura Galvão
Angelica também participou da fundação da SBCC, em maio

JM - Mesmo sendo uma pessoa da área de Exatas, é possível produzir Ciência que gere evangelização ou responda a um chamado de Deus para a sociedade?

Angelica - Este foi um questionamento que me fiz ao longo de toda a minha graduação. Como eu, engenheira química, poderia produzir algo que contribuísse para a dignidade do ser humano, e mostrasse o Cristo ao mesmo? Fui descobrindo que, primeiramente, independente do que eu faça, o fazer com amor é uma forma de evangelizar através da minha pesquisa. Mas depois de participar do I Congresso Brasileiro de Humanismo Solidário na Ciência, no qual foi criada a Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC), a partir do que lá foi apresentado, pude observar que há diversas formas de desenvolver pesquisa que, de forma concreta, também seja instrumento de evangelização.

Um exemplo acontece quando ocorre a adaptação de tecnologias, com o intuito de promover uma maior aceitação dentro de uma comunidade carente. Como exemplo, a aplicação, em comunidades próximas ao litoral, de sistemas de produção de água potável através de água do mar. A partir desta minha experiência, vejo a importância da SBCC,pois, ao reunir os cientistas católicos do Brasil, um maior diálogo é promovido, além da troca de experiências que permite o aprendizado, desenvolvimento e produção de novas pesquisas que gerem a evangelização e o chamado de Deus para sermos o amor na sociedade.

JM - Fale um pouquinho da sua experiência e devoção a Nossa Senhora.

Angelica - Falar de Maria é sempre muito caro a mim e motivo de muita gratidão e alegria. Eu nasci numa família católica e muito devota da Virgem Maria, de forma muito especial sob o título de Nossa Senhora Aparecida. Aprendi a amar Nossa Senhora desde nova, experimentei muitas vezes a proteção de Maria, me livrando de perigos e de acidentes graves. Hoje, sou consagrada a Virgem Maria e busco viver uma experiência real de mãe e filho e, para ela peço não só a intercessão mas também conselhos, instrução e tem sido um tempo maravilhoso sentir todo o seu cuidado e zelo para comigo.

Amo muito Nossa Senhora! Minha caminhada acadêmica passa pelas mãos de Maria pois, na época em que passei no vestibular, recebemos a visita da imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós e me lembro bem que, naquela oportunidade, pedi muito à Virgem Maria que me ajudasse a passar na prova. E, pelas mãos de Maria, alcancei a graça da aprovação no vestibular e é por meio dela que tenho alcançado a minhas conquistas na academia. Pelas suas mãos, recebi o melhor presente deste tempo de graduação, que foi conhecer o Ministério Universidades Renovadas (MUR) e crescer dentro deste ministério.

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