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A marca do jornalismo católico: informação a serviço da fé

Entre fé e compromisso com a verdade, o jornalismo transformou a informação em instrumento de evangelização, cidadania e proximidade com o povo.

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Escrito por Thalita Miranda

26 MAI 2026 - 11H00 (Atualizada em 26 MAI 2026 - 16H37)

Rádio Aparecida

Uma emissora da Igreja Católica evangeliza também quando informa. Ao formar o senso crítico e provocar os ouvintes a tomarem posição diante dos fatos, o jornalismo torna-se instrumento de fé, cidadania e compromisso com a verdade. Essa sempre foi a marca da Rádio Aparecida ao longo de sua história.

Fundada em 1951, a emissora surgiu em um período em que o radiojornalismo brasileiro já estava em processo de estruturação por meio dos jornais falados. Ainda assim, na Rádio Aparecida, o jornalismo nasceu de forma simples e quase intuitiva, movido mais pela necessidade de comunicar do que por técnicas consolidadas. Nesse contexto, não havia uma orientação formal da emissora quanto aos critérios de seleção das notícias. O conteúdo era definido por quem redigia, guiado por um senso próprio de responsabilidade, cautela e até autocensura, evitando divulgar informações que pudessem causar impacto ou preocupação na população. Dessa forma, o critério adotado era essencialmente pessoal, baseado na consciência e na formação dos profissionais envolvidos na produção e apresentação do "Jornal Falado", como cita Padre César Moreira, então presidente da UNDA-Brasil, no “A notícia do jornalismo”.

“O jornalismo da Rádio Aparecida começou de maneira muito espontânea. Acredito que não houve nenhuma preparação para este início, tanto que se partiu apenas de ideia e da necessidade de se criar um informativo da emissora. Era importante que existisse." (Moreira, 1995, p. 40)

Arquivo Rádio Aparecida Arquivo Rádio Aparecida Pe. Antônio César Moreira em um registro de sua dedicação e liderança na missão da comunicação evangelizadora.

O primeiro passo concreto aconteceu em julho de 1958, com a estreia do Jornal Falado da Rádio Aparecida, apresentado de segunda a sábado, das 11h30 ao meio-dia. Jobair do Amaral foi o primeiro redator e locutor do programa, ao lado de profissionais que ajudaram a consolidar o jornalismo da emissora, como Rogério Braga, jornalista da primeira hora e figura importante na formação do setor.

Um aspecto singular da Rádio Aparecida foi o fato de o Departamento Esportivo ter surgido antes mesmo do Setor de Radiojornalismo, realidade incomum entre as emissoras brasileiras da época. Ainda assim, o jornalismo encontrou solo fértil para crescer, impulsionado pelo ideal missionário de seus fundadores.

A mola idealizadora do jornalismo na Emissora de Nossa Senhora foi o saudoso Padre Maurílio C. de Faria. Inconformado com o fato de a Rádio Aparecida possuir uma audiência inigualável e uma enorme penetração junto às massas, mas não contar com um setor de jornalismo estruturado, como seria o ideal.

“Do idealismo do Padre Faria e do devotamento de Geraldo Dimas Carvalho Rosas e Jobair do Amaral, seus primeiros profissionais, nasceu o Departamento de Jornalismo da Rádio de Nossa Senhora Aparecida", como relatou o jornalista Rogério Braga.  

Ao longo dos anos, o jornalismo da Rádio Aparecida cresceu de forma contínua, ampliando o tempo dedicado à informação, investindo em qualidade, linguagem acessível e compromisso ético. Sem jamais descuidar da programação religiosa, a emissora soube integrar fé e notícia, mostrando que informar também é evangelizar.


Comissão para o Patrimônio Histórico - CSSR Comissão para o Patrimônio Histórico - CSSR Comissão para o Patrimônio Histórico - CSSR Comissão para o Patrimônio Histórico - CSSR No dia 12 de outubro de 1990, durante a Festa de Nossa Senhora Aparecida, foi inaugurado o Estúdio Móvel da Rádio Aparecida, instalado em um trailer e preparado para transmissões externas.

Essa experiência foi fundamental quando a Rádio Aparecida participou da formação da Rede Católica de Rádio (RCR), a partir da UNDA-Brasil, contribuindo decisivamente para consolidar um jornalismo católico forte, articulado e presente em todo o país. Já nos anos 1990, a informação tornou-se um dos pilares da potente rede de rádio construída pela emissora.

Até hoje, uma das marcas mais importantes do jornalismo da Rádio Aparecida é a participação dos ouvintes, que encontram espaço para comentar, opinar, sugerir e até criticar. Assim, a emissora reafirma seu compromisso com uma comunicação que escuta, acolhe e caminha junto com o povo, mantendo viva a missão de ser voz da Igreja no Brasil.  

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