Memorial Virtual

A voz da Mãe na pandemia

Em um dos períodos mais difíceis da história recente, a emissora levou informação segura, fé, acolhimento e esperança aos ouvintes.

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Escrito por Thalita Miranda

26 MAI 2026 - 11H00 (Atualizada em 26 MAI 2026 - 11H47)

Reprodução José Eduardo

Os últimos anos da Rádio Aparecida foram marcados por um dos períodos mais desafiadores da história recente: a pandemia da Covid-19. Em meio às incertezas, ao distanciamento social e à necessidade urgente de informação confiável, a emissora fortaleceu ainda mais sua presença na vida dos ouvintes.

Desde o início da crise sanitária, o cuidado com a vida esteve no centro de todas as decisões. Nos bastidores, a rotina precisou ser reorganizada para garantir a segurança de colaboradores e, ao mesmo tempo, manter a rádio no ar. Equipes reduzidas, revezamentos e novas formas de produção passaram a fazer parte do dia a dia.

No jornalismo, o desafio era ainda maior. Diante de um cenário de dúvidas e da rápida disseminação das chamadas fake news, a Rádio intensificou seu papel como fonte segura. A programação foi adaptada, com a criação de conteúdos específicos sobre a pandemia, entrevistas com especialistas e séries de reportagens voltadas à orientação da população. Alguns programas, como o “Notícias em 30 – segunda edição”, chegaram a sair do ar para dar lugar a edições especiais inteiramente dedicadas à cobertura da Covid-19. Ao mesmo tempo, a dinâmica de trabalho também mudou: jornalistas que atuavam nas ruas passaram a não retornar à redação, como forma de preservar a equipe e garantir a continuidade das operações.

Reprodução José Eduardo Reprodução José Eduardo Jornalista José Eduardo nos estúdios da Rádio Aparecida, mantendo o compromisso com a informação

Mesmo com mudanças na grade e na rotina, a prioridade foi clara: não parar. O editor-chefe de Jornalismo, José Eduardo, reforça que o esforço da equipe esteve centrado em manter a informação no ar com responsabilidade e segurança.

“A nossa reorganização aconteceu para manter os jornais no ar, adequar os espaços informativos e garantir a segurança da equipe. Mesmo com todas as dificuldades, não deixamos de trabalhar em nenhum momento para levar informação de qualidade às pessoas. A rádio, mais uma vez, se fez companheira na vida das pessoas”.

Ao mesmo tempo, a programação religiosa ganhou ainda mais espaço e significado. Com igrejas fechadas e milhões de pessoas em isolamento, a Rádio Aparecida ampliou a transmissão de missas e conteúdos de espiritualidade, tornando-se um canal de esperança e consolo. A voz que já era conhecida por evangelizar passou a ecoar ainda mais forte como presença na vida de quem buscava conforto.

A pandemia também provocou mudanças nos hábitos de consumo. Se antes muitos sintonizavam o rádio principalmente para ouvir música, naquele momento o público passou a buscar informação e, sobretudo, companhia. Em meio ao distanciamento social, o vínculo com o público se fortaleceu.

“Quem ligava o rádio naquele momento queria mais do que ouvir música. Queria companhia, queria ser ouvido. E o rádio se mostrou esse espaço de proximidade”, destaca a diretora de programação, Paula Castro.

Essa capacidade de adaptação permitiu à emissora não apenas atravessar a crise, mas também se fortalecer. A integração com a Rede Aparecida de Comunicação, o avanço nas plataformas digitais e a ampliação do alcance consolidaram a rádio como presença constante na vida dos ouvintes.


Thiago Leon Thiago Leon Marcado pelo distanciamento entre os fiéis e pelos cuidados necessários, devotos participam da Santa Missa no Santuário Nacional.


Ao olhar para esse período, fica evidente que a
pandemia exigiu reinvenção, coragem e sensibilidade. Mais do que nunca, a Rádio Aparecida foi chamada a cumprir sua missão de informar, evangelizar e acolher, e respondeu com fidelidade.

Em seus 75 anos de história, muitos foram os desafios enfrentados. Mas, em um dos momentos mais delicados da humanidade recente, a emissora mostrou que sua essência permanece a mesma: ser companhia, ser referência e ser, para milhões de brasileiros, a voz da Mãe que nunca se cala.

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