Por Luciana Gianesini Em Assembleia Geral CNBB Atualizada em 26 JUL 2019 - 16H25

Bispos de Roraima e Sergipe comentam a imigração venezuelana no Brasil

Redação A12 ao Vivo especial CNBB destaca trabalho de acolhimento de imigrantes pela Cáritas Brasileira

O segundo Redação A12 ao vivo especial sobre a 57ª Assembleia Geral da CNBB trouxe os bispos Dom João José Costa, Arcebispo de Aracaju (SE) e referencial Para a Caritas no Brasil e Dom Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima, para falar sobre o importante trabalho de acolhimento realizado pela Caritas Brasileira para com os imigrantes venezuelanos, que diariamente chegam ao Brasil.

Eduardo Gois os recebeu no A12 para mostrar o panorama atual dos imigrantes que aqui chegam e também para falar sobre outras frentes de atuação da Caritas no Brasil e no mundo.  Confira!

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral
Redação A12 ao vivo recebe D. João José Costa, Arcebispo de Aracaju (SE) e referencial Para a Caritas no Brasil e D. Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima


Praticar a caridade é resgatar a dignidade

O bate-papo começou com Dom João José abordando a forma como se organiza o trabalho da Caritas. Nos seus mais de 60 anos de atuação, a Caritas Brasileira surgiu com Dom Helder Camara e Dom José Vicente Távora que, assim como Dom João, também foi bispo de Aracaju. A Caritas Brasileira tem desenvolvido inúmeros projetos para amenizar a fome, a pobreza e a miséria, atuando de forma integral no resgate da dignidade humana.

“O intuito é viabilizar programas que pretendem aliviar dores e sofrimentos de pessoas, assinalando possibilidades de integração e crescimento. A Caritas, como o próprio nome revela, é expressão da caridade da Igreja e está presente em quase todo o mundo, tendo suas dimensões internacional, latino-americana e caribenha e brasileira, entre tantas outras”, disse Dom João.

Atuando em diversas frentes, como no suporte à população do semiárido, às pessoas em situação de vulnerabilidade nas grandes periferias e, principalmente, em situações de desastres naturais, a Caritas está agora com uma grande campanha internacional, o SOS África, cujo objetivo é enviar recursos econômicos para o Malaui, Moçambique e Zimbábue, nações que têm sido castigadas por desastres sequenciais nos últimos meses.

:: Cáritas e CNBB lançam campanha 'SOS África'

Braço concreto da caridade

Em seguida, Dom Mário comentou como tem sido feito o acolhimento aos venezuelanos em Roraima, onde está desde 2016. O bispo afirmou que o estado vive como que em situação de emergência, devido à entrada de imigrantes no estado de maneira contínua, apesar da fronteira estar fechada na Venezuela há algum tempo.

Ele diz que o atendimento que é possível de ser realizado, com apoio da Caritas e CNBB, consiste no acompanhamento dessas pessoas através de projetos específicos, em parceria com outras vertentes da própria Caritas. Esses projetos formam uma rede de solidariedade. Dom Mário ressaltou a importância de se realizar um trabalho conjunto também com diversas congregações religiosas, dioceses e entidades afins. "O trabalho social desenvolvido é, como costumamos dizer, o braço concreto da própria Caridade, a Caritas".

Entretanto, com o crescente agravamento de conflitos, os números começam a preocupar ainda mais as entidades locais. Dom Mário afirma que a Diocese de Roraima já recebeu pedido de refúgio para mais de 96 mil pessoas. Por isso, o trabalho de interiorização, em parceria com outros estados e municípios, é de extrema importância - Já são cerca de 7 mil pessoas já integradas, sendo quase duas mil integrações somente em Roraima. 10% desses imigrantes (aproximadamente 50 mil pessoas) foram acolhidas na capital Boa Vista e outras 14 cidades, especialmente Pacaraima, continuam a receber os venezuelanos todos os dias.

Dom João também falou sobre o trabalho que está sendo feito em Sergipe, onde a capital Aracaju já recebeu 27 imigrantes. Outros 10 foram encaminhados para a Diocese de Propriá, no norte do estado. "Todas as famílias já estão trabalhando e isso é muito positivo, porque essas pessoas já começam a se virar, a pescar seu próprio peixe. Isso é uma nova oportunidade de ter uma vida digna e tranquila", afirmou o bispo, que ainda disse haver a previsão de receber outros 35 venezuelanos em breve. "Como nos pede o Evangelho, 'fui estrangeiro, e vocês me acolheram' (Mateus 25, 35c).

Por fim, ambos deram sugestões sobre de que forma o trabalho de interiorização poderia avançar, apontando soluções e práticas que permitam às pessoas também ajudar para que isso aconteça. 

O Governo Federal já tem o projeto, que deverá contar com a ajuda dos estados e municípios. A integração deve ser, como diz o Papa Francisco, um contínuo acolher, proteger, promover e integrar. Os próximos passos devem estar concentrados em formas de enviar esses grupos de Roraima para outras localidades. "Precisamos que as paróquias e comunidades se interessem, numa atitude de solidariedade e acolhimento. Inclusive, já existe um plano de integração chamado Caminhos de Solidariedade", indicou o bispo de Roraima (saiba mais aqui).

O arcebispo de Aracaju disse ainda que o intuito é não somente "dar casa", mas sim prover tudo o que é necessário para uma família viver com dignidade. "A Caritas se sustenta com ajudas - casas, entidades internacionais, governo... Atende principalmente crianças, jovens e famílias vulneráveis, através de iniciativas da própria Igreja, do Fundo Nacional de Solidariedade, entre outros".

Agência Brasil
Agência Brasil


É preciso estender nossa mão

Falando sobre a importância do trabalho voluntário no acolhimento, Dom Mário diz ser necessário e fundamental. "É olhar para a necessidade de quem vem, e oportunidade de exercitar nossa humanidade, tão carente no mundo de hoje. Temos recebido voluntários de varias congregações e entidades lá em Roraima. Isso nos edifica, fortalece e faz acreditar na possibilidade de ver que o sofrimento não é apenas do outro, mas que juntos se pode superar. O acolhimento é uma necessidade humana e, sobretudo, cristã".

Dom João destacou que mesmo empresas privadas, principalmente na área da Saúde, prestam serviços gratuitamente a esses irmãos, para estruturar os espaços e acolher bem. Há várias entidades viabilizando empregos e preparando o acolhimento de novas turmas.

Ele ainda lembrou que a Caritas não atua somente no Brasil, mas em várias partes do mundo, como no próprio projeto do SOS África já citado. Destacou as campanhas internacionais, como foi feito, por exemplo, no Haiti. "É um meio para que não fiquemos indiferentes e possamos manifestar nossa solidariedade. É um grande clamor que sobe aos céus. Um pouquinho de cada um se torna significativo para aqueles que estão precisando", pontuou.

O jornalista Eduardo Gois também lembrou do Programa Pana, que é uma iniciativa desenvolvida pela Caritas Brasileira e pela Caritas Suíça, com apoio do Departamento de Estado dos EUA, e visa contribuir com a assistência humanitária e a integração de imigrantes e refugiados, em especial os próprios venezuelanos, que estejam em situação de vulnerabilidade social e que buscam reconstruir a vida no Brasil.

O projeto tem como objetivo, ao longo de um ano, favorecer mais de 3.500 pessoas, a partir da integração em sete capitais do Brasil: Boa Vista, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Velho, Recife e São Paulo, e conta com parceiros locais nessas capitais.

:: Cáritas Brasileira proporciona acolhimento e integração a imigrantes

Mensagem é sensibilizar-se para bem acolher

Encerrando a participação ao vivo, Dom João expressou sua gratidão pela oportunidade de explicar um pouco do trabalho dos bispos junto aos imigrantes.

Dom Mário pediu que "sensibilizemo-nos para ser solidários através da oração, colaboração, nos organizando em família, no trabalho e nas comunidades, para que mais pessoas possam viver felizes no Brasil, assim como queremos a felicidade de todos nós, brasileiros". 

.::  Veja íntegra do Redação A12 ao vivo 



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