A princípio, nem toda música religiosa pode ser utilizada na Santa Missa. A música possui uma função própria dentro da celebração: estar em sintonia com o Evangelho do dia e respeitar as orientações presentes no Missal Romano.
Por isso, ao escolher os cantos para as celebrações, é importante priorizar músicas católicas que estejam em harmonia com o Evangelho, as leituras do dia e o tempo litúrgico celebrado. Mesmo que a melodia seja “cristã” ou “bonita”, elas precisam fazer com que a assembleia compreenda ainda mais o Evangelho do dia.
É necessário ter também o discernimento quanto ao uso de músicas de origem protestante. Embora algumas possuam mensagens positivas e trechos bíblicos, muitas vezes não refletem plenamente a teologia e o sentido litúrgico da Igreja Católica, podendo não ser adequadas para determinados momentos da celebração eucarística.
Músico tocando órgão
O que a Igreja diz?
Segundo a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, os compositores e cantores devem receber uma verdadeira educação litúrgica. Isso porque as escolhas das músicas para a Missa devem ser baseadas no evangelho e na liturgia.
“A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à ação litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas. A Igreja aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas.” (Sacrosanctum Concilium, capítulo VI, p. 112).
Missal Romano Católico
A constituição também cita as normas para os compositores, em que os textos destinados ao canto sacro devem estar de acordo com a doutrina católica e inspirar-se, sobretudo, na Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas.
Já um apontamento na Instrução Musicam Sacram, afirma que os músicos que participam das Missas são chamados a servir a uma tradição muito rica da Igreja, valorizando aquilo que já foi construído, e não apenas criar algo baseado em gosto pessoal ou modismos.
“Que examinem as obras do passado, seus tipos e características, mas também prestem atenção cuidadosa às novas leis e exigências da liturgia, para que 'novas formas possam de alguma forma crescer organicamente a partir de formas que já existem'[41] e a nova obra formará uma nova parte do patrimônio musical da Igreja, não é desajeitado do passado." (Musicam Sacram, capítulo V, p.59).
Entre as melodias a serem compostas, a Musicam Sacram alerta para as novas músicas litúrgicas para que não fiquem desconectadas da tradição da Igreja. Mesmo em língua moderna, elas devem conservar o espírito da liturgia antiga.
A intenção é que, ao compor essas melodias, os músicos considerem utilizar as melodias tradicionais da liturgia latina, usadas para esse fim, que podem inspirar a melodia a ser usada para os mesmos textos no vernáculo. Isso significa evitar transformar a Missa em show, em estilos que não se aprofundem na liturgia ou canções que não combinam com o rito.
Dessa maneira, a música litúrgica deve conduzir os fiéis ao mistério celebrado, ajudando a comunidade a rezar unida e a viver com profundidade cada momento da Santa Missa.
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Fonte: Instrução Musicam Sacram, Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium
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