Assembleia Geral CNBB

Coletiva de Imprensa: Bispos falam sobre Jubileu, Sínodo, Análise eclesial e Celam

Episcopado brasileiro discute temas importantes para a Igreja no Brasil e no mundo

Escrito por Laís Silva

13 ABR 2024 - 12H37 (Atualizada em 15 ABR 2024 - 11H17)

João Pedro Oliveira - A12

Neste sábado (13), jornalistas que estão realizando a cobertura da 61ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, se reuniram para acompanhar mais uma Coletiva de Imprensa. Desta vez, estiveram presentes Dom João Justino de Medeiros, Arcebispo de Goiânia–GO, Dom Dirceu Medeiros, bispo de Camaçari–BA, Dom Joel Amado, bispo de Petrópolis–RJ e Dom Lizardo Herrera, bispo auxiliar de Cusco (Peru).

Durante as assembleias, o episcopado brasileiro tem debatido e refletido diversos temas importantes para a Igreja no Brasil e no mundo e, a cada dia, a CNBB indica representantes para participar da coletiva e apresentar alguns desses assuntos para a imprensa.

Na coletiva desta manhã, foram abordados quatro temas: o Jubileu 2025, o Sínodo dos Bispos, Análise de Conjuntura Eclesial e o atual momento do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam).

Jubileu 2025

No próximo ano, a Igreja no mundo celebra o Jubileu 2025 e, além das comemorações, atividades e eventos oficiais, as Dioceses e comunidades são convidadas e incentivadas a realizarem ações voltadas ao Jubileu.

Dom João Justino de Medeiros, Arcebispo de Goiânia–GO, contou que a Igreja no Brasil está aguardando mais detalhes que “virão certamente em uma carta apostólica pelo santo padre”.

No início de sua fala, o arcebispo refletiu brevemente sobre o tema do Jubileu.

“O tema é sempre o 'Mistério da Encarnação', e o lema é 'Peregrinos da esperança', lembrando que a esperança é Jesus Cristo morto e ressuscitado. Num mundo profundamente marcado por tantas fragmentações, pela desesperança que pode causar a guerra, que são muitas, pelas desigualdades sociais, pela pobreza, é preciso proclamar que “Cristo é esperança”, uma esperança que chega ao coração daqueles que acolhem seu Evangelho e apostam nos valores que ele nos apresenta”.

Ele ainda destacou o lema deste ano, destacando a sabedoria do Papa Francisco ao escolher o lema de esperança para este Jubileu.

“O Papa Francisco, ao escolher o tema da esperança nos dá a oportunidade de olhar para a realidade que estamos vivendo neste tempo 2024, 2025 e descobrir os campos em que nós precisamos pelo anúncio da pessoa de Jesus Cristo que é a esperança viva, celebrar a alegria do Jubileu propondo novas ações. Um agir, certamente, o fundamental neste jubileu, será reavivar a esperança neste mundo que tem traços de desesperança. Não é próprio do cristão acolher o desespero, mas ele, na sua atitude de fé, renova sua esperança na ação de Deus”.

Sínodo dos Bispos

Dom Dirceu Medeiros, bispo de Camaçari–BA, falou sobre o Sínodo dos Bispos, explicando que durante a assembleia, foram apresentadas contribuições que vieram das Dioceses de todo o Brasil que foram chamadas a participar de uma nova escuta.

“Não no sentido de algo novo, ou tão intenso, como aconteceu na primeira fase ou antes da primeira fase, mas uma nova escuta que pudesse ressoar um pouco o relatório de síntese que é o documento que norteia o trabalho do sínodo até a segunda sessão. A Secretaria Geral do Sínodo tem procurado, tem apelado para que nós animemos as comunidades, as dioceses, as igrejas particulares para que elas se apropriem do relatório de síntese, que são acessíveis a todos na internet, e ali nos encontramos indicações pastorais valiosas”.

O relatório de síntese está disponível para todos, pois o intuito é que ele realmente chegue em todos os lugares, para que a Igreja cresça em conjunto, em sinodalidade. Dom Dirceu então apresentou o que pode ser a grande questão do Sínodo:

Como ser uma igreja sinodal em missão? Aí está, eu creio, o grande apelo da igreja, porque a sinodalidade, segundo o papa Francisco, é o novo jeito de nós caminharmos então no terceiro milênio. E nós vamos aprendendo, ontem mesmo o episcopado e também os convidados à assembleia tiveram a oportunidade de se reunir para não só discutir temas nos círculos ou nas comunidades com o método do Diálogo no Espírito, mas também eu diria para se apropriar do método, é um método rico”.

Ele ainda acrescentou que esse método também nos incentiva as reflexões e nos ajuda no diálogo, algo que é muito importante nos dias atuais.

Análise de Conjuntura Eclesial

Dom Joel Amado, bispo de Petrópolis–RJ, membro do grupo de Análise de Conjuntura Eclesial, apresentou aos presentes e a quem acompanhou a coletiva pelo canal do YouTube do Portal A12 e da CNBB, um resumo do que a Análise de Conjuntura Eclesial apresentou e discutiu com o episcopado em assembleia.

É de antiga tradição que a Conferência, no início das assembleias, ela faça duas análises de conjuntura: uma análise de conjuntura social e uma eclesial. Desde a presidência passada se configurou um grupo para análise de conjuntura social, no caso da análise de conjuntura eclesial, foi entregue também desde o quadriênio passado ao chamado INAPAZ — Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi, foi uma conversa longa dialogada com bastante interação ontem com os bispos”.

Ele completou explicando que entre os temas conversados estão o Jubileu e o Sínodo, mas também o comportamento do cristão nos dias atuais.

“Na história da Igreja, não é o primeiro Jubileu e não deve ser o último, nem tão pouco o primeiro Sínodo e nem o último. O que a análise de conjuntura expressada ontem mostrou é que tudo aquilo que nós vivemos hoje, vive em uma Igreja que experimenta o mundo em profundo processo de transformação”.

Dom Joel continuou sua explicação, refletindo sobre essas transformações do mundo, que refletem também na Igreja.

A igreja está no mundo sem estar no mundo e, se o mundo passa por profunda transformação, também a Igreja e, no nosso caso, o modo de anunciar o Evangelho, de viver o Evangelho passa por grandes transformações. Duas que se destacaram, são palavras que marcaram muito a conversa e que vão continuar marcando, a primeira é individualização, e a segunda, com licença da palavra, é “pluralização”. O mundo está muito mais plural, desculpa o termo, mas “o mundo não é um samba de uma nota só”. Existem muitos modos de você se configurar, se ver, se compreender, isso afeta a Igreja e afeta a pastoral, e nesse sentido, diante de tantas possibilidades, cabe ao indivíduo fazer suas escolhas, fazer suas composições”.

Ao ser questionado a respeito do agir da Igreja diante das pessoas que não tem religião, Dom Joel explicou que “a questão dos sem religião ela se insere no conjunto de como a Igreja se posiciona numa realidade que é plural e individual, nós reconhecemos que os sem religião é a concretização atual desse fenômeno da individualização”.

CELAM

Dom Lizardo Herrera, bispo auxiliar de Cusco, no Peru, esteve presente na coletiva de imprensa e na oportunidade falou sobre o atual momento do Conselho Episcopal Italiano, Americano e Caribenho.

Ele explicou que a essência do CELAM é reafirmar a comunhão entre os bispos, reforçar a fraternidade e a cordialidade entre a América Latina e o Caribe.

Ele lembrou que, em Aparecida, Papa Francisco disse que “temos que renovar a missão, mudar as estruturas que não respondem para o hoje, renovar a conversão pastoral, ser discípulo e missionários”.

Ele também falou sobre o acompanhamento do CELAM em relação aos cristãos e às igrejas perseguidos, e explicou que conversam com os bispos por ligações, promovem orações e acompanham dentro daquilo que é possível fazer.

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