Por Polyana Gonzaga Em Assembleia Geral CNBB Atualizada em 29 JAN 2019 - 09H08

Secretário-Geral da CNBB fala sobre a Campanha da Fraternidade 2019

O tema da Campanha da Fraternidade 2019 (CF) nos convida a refletir sobre “Fraternidade e Políticas Públicas”. De acordo com o texto-base, esta CF tem como objetivo “estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”.

Ivan Simas/A12
Ivan Simas/A12
Segundo Dom Leonardo, a CNBB quer estimular os cristãos na participação, elaboração e execução de políticas públicas.

Para trazer luz às nossas reflexões, o bispo auxiliar de Brasília (DF) e Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, OFM, conversou com o A12 sobre os principais pontos em torno do tema da campanha deste ano.

:: Dez curiosidades sobre a Campanha da Fraternidade

A12: O que a temática da CF 2019 quer despertar nas pessoas?

Dom Leonardo Steiner: A Quaresma, caminho pascal, nos convoca e provoca a viver como pessoas libertas e redimidas em Cristo. É um itinerário de conversão. Nesse tempo precioso, a Igreja no Brasil apresenta a Campanha da Fraternidade como proposta de seguimento Jesus Cristo que pede contínua mudança de vida. O cultivo do seguimento a Jesus Cristo deveria
despertar em nós a necessidade da conversão, da partilha e da fraternidade.

Neste ano, ao propor como tema “Fraternidade e Políticas Públicas”, a Igreja no Brasil quer estimular nos cristãos uma participação e uma responsabilização na discussão, elaboração e execução de políticas públicas.

Ela são ações e programas desenvolvidos pelo Estado ou pelos governos para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis. Refletir e discutir políticas públicas é falar de uma realidade que afeta a vida de milhões de brasileiros. Elas expressam o interesse pelo bem comum, pela inserção social, pela oportunidade de direitos e deveres de toda pessoa.

➕ sobre a Campanha da Fraternidade

O Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, é uma política pública de acesso gratuito à saúde, assegurado a todos os brasileiros. Saber para onde vai e fiscalizar a qualidade e como é gasto o recurso arrecadado de impostos é um caminho para fortalecer o compromisso com as reais necessidades da população.

A12
A12
Texto-base traz apontamentos e reflexões sobre a temática da CF 2019.


A12: Como a CF 2019 deve ser partilhada nas paróquias, grupos e comunidades pelo Brasil?

Dom Leonardo Steiner: A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, preparou um texto-base e uma série de subsídios para as paróquias, as comunidades, os grupos de família e as pastorais visando conhecer e aprofundar a realidade das políticas públicas. No site da Edições CNBB é possível encontrar este material. As comunidades, as famílias, os grupos e as escolas poderão, com os subsídios, realizar um bonito caminho quaresmal. O mais importante é percorrer o caminho que inspira a Igreja no Brasil: ver, julgar e agir.

:: Políticas públicas: o que significa

No ver, buscar aprofundar o tema e compreender o que são as políticas públicas nos diferentes níveis e contextos de atuação, sobretudo localmente. Entender também, localmente, quais políticas públicas funcionam ou não e que problemas da população ainda nem sequer foram contemplados nos planejamentos locais.

Ao julgar, deixar-se iluminar pelo que diz o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja; e, como decorrência de nossa fé, no agir, buscar ações concretas que apontem para mudanças de realidade: cobrar maior qualidade nos serviços e políticas públicas oferecidas localmente. Mas sempre é bom lembrar que o tempo da quaresma é tempo de oração, jejum e esmola.

A12: Quais são as ações que nós cristãos podemos fazer para colocar a CF 2019 em prática? Pode citar alguns exemplos?

Há a necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja e de nos conscientizarmos de que ela é essencial para a transformação da sociedade. Dom Leonardo Steiner: É necessário lembrar que, por políticas públicas, se entende o cuidado que o Estado e as diversas instâncias de governo devem ter em relação ao cidadão em todas as dimensões. No texto-base, há várias sugestões de pistas de ação. É importante despertar para a importância das políticas públicas, mas também perceber a nossa responsabilidade na discussão e elaboração das mesmas.

Os cristãos, individualmente e em grupos, podem estimular a participação dos membros da comunidade nas instâncias colegiadas de controle social das políticas públicas (conselhos de saúde, educação, entre outros), fiscalizar para onde vai o recurso público, acompanha de perto como as leis são elaboradas em municípios e nos estados, etc. Cobrar dos gestores públicos maior qualidade na oferta das políticas públicas.

A12: Como estimular a participação das pessoas de forma ativa nas políticas públicas em um cenário de descontentamento com a política?

Dom Leonardo Steiner: A Doutrina Social da Igreja busca estimular a participação dos cristãos, como decorrência de sua missão, na construção do bem comum, entendido como o conjunto das condições da vida de uma sociedade que favorecem o bem-estar e o desenvolvimento humano de todos. Os cristãos vivem da grandeza da Se há o desencanto, é por meio da participação e do testemunho coerente de uma atuação voltada para o cuidado de todas as pessoas, especialmente das mais necessitadas, que revitalizaremos o verdadeiro sentido da política. manifestação do Reino de Deus em sua plenitude. Toda a política é um trabalho para o bem de todos.

Há, como reafirma o texto-base desta CF 2019, a necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja e de nos conscientizarmos de que ela é essencial para a transformação da sociedade.

Como nos lembra Papa Francisco: “Envolver-se na política é uma obrigação para os cristãos. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum. (...) Trabalhar pelo bem comum é um dever cristão. (Papa Francisco, 07 de junho de 2013).

Se há o desencanto, é por meio da participação e do testemunho coerente de uma atuação voltada para o cuidado de todas as pessoas, especialmente das mais necessitadas, que revitalizaremos o verdadeiro sentido da política: servir ao bem comum, como propõe a Doutrina Social da Igreja. Visibilizarmos a vida do Reino de Deus!

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