Brasil

Assistir novela é pecado?

No mês de aniversário dos 70 anos de novelas no Brasil, padre Pedro Cunha responde esta e outras perguntas.

Alessandro Cardoso - A12 (Arquivo pessoal)

Escrito por Alessandro Cardoso

09 DEZ 2021 - 14H12 (Atualizada em 09 DEZ 2021 - 15H38)

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“Não!”, Padre Pedro Cunha foi categórico ao responder à pergunta que dá título a esta matéria. Destrinchando um pouco mais sobre a questão, ele diz que “não é questão de ser ou não pecado, porque aí você coloca tudo numa mesma bolsa e pensa que tudo é pecado. Depende da novela, depende do que tem na novela (...), isso vai depender muito de quem assiste e da cabeça que tem, do senso crítico que possui. Novela não é pra engolir sem mastigar. Novela é pra gente assistir com critério. Eu mastigo aquilo. Se tá bom, eu engulo; se não tá, eu jogo fora e digo ‘isso aqui não presta, isso aqui não serve’ ou ‘isso aqui é bom, isso aqui é interessante’”.

Leia MaisSe Jesus bebia vinho, por que a bebida é associada ao pecado?O Padre cita o exemplo da TV Aparecida, que exibiu a novela A Padroeira: "Se fosse pecado assistir novela, quem assistiu A Padroeira teria cometido um pecado e isso não é verdade”, diz.

Mas, será que as novelas desvirtuam as pessoas que as assistem? Sobre isso, padre Pedro Cunha diz o seguinte: “Eu acho que as novelas criam cultura, elas criam hábitos, elas criam ideologia, elas criam maneira de pensar, maneira de agir... elas criam uma série de coisas. Então elas interferem na vida das pessoas, nos costumes, nos hábitos. Isso não há dúvida! Novela, embora esteja classificada no segmento de entretenimento, ela não é só o entretenimento (...), é um entretenimento que leva a pessoa a mudar, por exemplo, de posições, de opiniões, e isso depende se é bom ou se é ruim. Mas isso também depende das pessoas e do senso crítico que essas pessoas têm. Há muitas coisas nas novelas que influenciaram positivamente e há coisas que influenciaram negativamente. Por exemplo, a questão do preconceito, é uma coisa que as novelas ajudaram muito, na superação do preconceito”.

Ao longo desses 70 anos de novelas no Brasil, nós tivemos algumas novelas que tratavam de temas religiosos, como A Padroeira (2001), que contou a história de Nossa Senhora Aparecida, e agora na Record a gente tem esse filão de novelas bíblicas.

Como o padre vê essas produções de cunho religioso?


Gustavo Cabral/A12
Gustavo Cabral/A12
Padre Pedro Cunha é sacerdote da Diocese de Lorena (SP) e apresentador da TV Aparecida


Ele acredita que falta e deveria ter mais, poderia ser melhor, mais adequado. "Eu acho que, devagarinho, as pessoas estão percebendo que esse nicho religioso é também comercial. Veja que a maior audiência da TV Aparecida hoje, que concorre pelo terceiro ou segundo lugar em audiência, é uma missa! As pessoas precisam ficar ligadas nisso, tem público pra isso e é um público grande, não um ‘publicozinho’ qualquer. Então eu acho que esse segmento das novelas logo descobrirá isso. As pessoas não descobriram que o povo brasileiro é um povo iminentemente religioso, seja qual for o segmento da religião. Então, a televisão se eximir disto é não conseguir retratar o que, de fato, esse povo é”.

A novela preferida de um padre

Ao ser questionado qual foi a novela preferida do Padre Pedro e, buscando pela memória, ele respondeu: “Escrava Isaura (1976) foi uma novela que me marcou profundamente. Era a retratação de uma realidade tão cruel, tão horrível, e aquilo me fez nunca desejar que fosse verdade ou que aquilo viesse a se estabelecer em outro momento da vida, fosse daquele jeito, fosse de outro jeito. Isso, pra mim, foi uma coisa que realmente me marcou”.

Padre Pedro Cunha foi consultor de assuntos religiosos e assessorou a produção da Rede Globo para compor um personagem padre para o ator Humberto Magnani na novela Velho Chico, de 2016.

Escrito por
Alessandro Cardoso - A12 (Arquivo pessoal)
Alessandro Cardoso

Alessandro Cardoso é radialista formado pela Universidade Anhembi Morumbi, especialista em roteiro de ficção pelo Centro Universitário Senac de São Paulo, noveleiro e peregrino assíduo de Jornadas Mundiais da Juventude.

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