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Dia da Consciência Negra: como abordar este assunto com as crianças

No dia 20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra celebrado no Brasil. A data recorda também o dia da morte de Zumbi dos Palmares, figura histórica, considerado um símbolo de resistência. Nesse dia de refletir sobre a igualdade a Pastoral da Criança sugere como abordar esse tema assunto com as crianças.

O material apresentado é um chamado à consciência sobre a igualdade de oportunidades, respeito e luta por garantias de desenvolvimento integral para todas as crianças negras de nosso país.Consciência Negra Crianças_Thiago Leon

Em entrevista, a doutoranda em Sociologia, com especialização em Relações Raciais na Universidade Federal do Paraná, Neli Gomes Rocha fala de como educar as crianças para que elas cresçam sem preconceito.

“No caso das relações de racismo, que a gente tem acompanhado cada vez mais forte, uma questão é vencer o silêncio. É na escola que os conflitos aparecem. E, na escola, é importante que eles sejam tratados com a importância exigida. Por exemplo, se a gente pensar quem é que tem perfil de patrão e quem é que tem perfil de empregado, quem é que exerce a função de motorista e quem é que exerce a função de patrão: essas funções, historicamente, têm cor. O motorista, normalmente, é o que tem pele escura; e o que é o patrão tem a pele clara. Então, pensar sobre isso é desconstruir uma ideia de que os lugares são definidos” , colocou.

Neli também fala como de como é fundamental conhecer toda a história da origem negra para que o respeito seja efetivo.

“Uma das coisas que é fundamental é a gente olhar para a contribuição africana dentro do nosso dia a dia... o meu papel, enquanto pai e enquanto mãe, é que eu busque saber a história do lugar de onde eu vim. E as escolas têm o papel fundamental para dar esse material que, em casa, a gente pode não ter”, destaca.

 

"A primeira coisa é não silenciar. O diálogo é o caminho. O racismo só será superado quando esse hábito de quebrar o silêncio virar uma recorrente."

Além das questões na educação das crianças e a valorização das origens, Neli apontou ainda como fundamental, na abordagem sobre raças com as crianças, o diálogo.

“A primeira coisa é não silenciar. O diálogo é o caminho. O racismo só será superado quando esse hábito de quebrar o silêncio virar uma recorrente. O hábito de falar para não acumular essa dor, historicamente, nos foi negado. Porque nós fomos educadas para o silêncio, principalmente, as mulheres. E quando uma situação machuca, como é o racismo, a gente precisa por para fora de alguma forma”, acredita.

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança. 

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