Brasil

Tradição: passar adiante a Boa Notícia, combatendo as fake news

Joana Darc Venancio (Redação A12)

Escrito por Joana Darc Venancio

19 MAI 2022 - 10H23 (Atualizada em 19 MAI 2022 - 10H53)

Anneka/ Shutterstock

"É preciso reinventar a roda!" Essa expressão popular externa um ensinamento que é possivelmente aplicável à formação humana. Por mais que tecnologias tragam novas ferramentas e inovações, esta continuará sendo simples roda e sua função continuará sendo a mesma.

Assim é na formação humana. Precisamos "reinventar a roda", ou seja, voltar às origens, revisitar os ensinamentos que estão na raiz de nossa existência. Reaver o que já existe. Não significa negar a contextualização, tampouco os avanços necessários, mas urge retomar a tradição como base sólida da formação humana. 

O Papa Francisco, na Audiência Geral de 13 de outubro de 2021, refletiu que:

"A liberdade da fé cristã – a liberdade cristã – não indica uma visão estática da vida e da cultura, mas uma visão dinâmica, uma visão dinâmica inclusive da tradição. A tradição cresce, mas sempre com a mesma natureza. Por conseguinte, não pretendamos ter a posse da liberdade. Recebemos um dom que deve ser preservado. E é a liberdade que pede a cada um de nós para permanecer em um caminho constante, orientados para a sua plenitude."

Tradição vem do latim traditio, que significa "entregar" ou "passar adiante". O que estamos entregando e passando adiante? O que as novas gerações entregarão e passarão adiante? A Tradição, como nossa fé ensina, sustenta-se nos valores absolutos e perenes, aqueles que jamais podem ser maculados, destruídos e relativizados.

Leia MaisNo Dia do Combate à Homofobia, veja o que o Papa pensa sobre o assuntoO conflito entre o chamado à evangelização e a liberdade religiosaA Fé Cristã tem na Tradição seu principal fundamento. O Papa Bento XVI, na Audiência Geral de 03 de maio de 2006, esclarece:

“A Tradição é, portanto, o Evangelho vivo, anunciado pelos Apóstolos na sua integridade, com base na plenitude da sua experiência única e irrepetível: pela sua ação a fé é comunicada aos outros, até nós, até ao fim do mundo”.

Pela Tradição, formamos para as virtudes. O Catecismo da Igreja Católica é claro ao ensinar que:

"As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem. As virtudes morais são adquiridas humanamente. São os frutos e os germes de atos moralmente bons; dispõem todas as forças do ser humano para entrar em comunhão com o amor divino". (§1804)

Para os cristãos, comportamentos, atitudes, costumes e escolhas, quando permeados na ausência da Tradição, se tornam frívolos. Todos os dias somos estimulados a aderir ao relativismo que implanta a condição da instabilidade, da efemeridade e da transitoriedade. São muitas e bem articuladas as tentativas de banalização e de superficialização dos valores. Elas se manifestam no cotidiano: na música, nas danças, nos vídeos, na TV e em tantos outros lugares e espaços presenciais ou virtuais. Há um enorme cardápio disponível, e muitos de acesso livre.

Leia MaisPor que temos que pedir bênção para nossa família?Tudo parece ser em nome da liberdade das liberdades. Vulgaridades, imoralidades, apelações, erotização, duplos sentidos, deboches, defesa e incentivo de comportamentos que agridem à fé e a família, glamorização da bebida alcoólica, entre tantas outras glamourizações do mal. E, infelizmente, muitas vezes disfarçado de mensagem caridosa, inclusiva e até religiosa.

Todos esses aparatos são, para os cristãos, “notícia falsa” (fake news). Não podemos acreditar, incentivar, promover ou divulgar, pois são todas destruidoras da “Boa Notícia” (good news).

Estaríamos nós, cristãos, deixando espaços abertos para a instalação desse estado de anomia dos valores da Tradição?

Não podemos deixar brechas para que o mal prevaleça. É preciso formar comportamentos ligados à Tradição nascida das Sagradas Escrituras, transmitida pelo Magistério da Igreja, sustentáculo da Família Cristã. Vamos reinventar a roda?

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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