Espiritualidade

As árvores fazem parte do projeto de paz, beleza e plenitude

Joana Darc Venancio (Redação A12)

Escrito por Joana Darc Venancio

21 SET 2022 - 14H05 (Atualizada em 21 SET 2022 - 14H29)

Setembro é um mês de muitas datas comemorativas e entre elas, o dia da Árvore. As datas comemorativas nos ajudam a intensificar a esperança em nosso cotidiano. No entanto, elas não têm sentido se, ao longo da vida, nosso comportamento é contraditório ao que se pretende comemorar.

Quase todos nós temos uma árvore, ou algumas árvores, em nossa memória de infância, não é mesmo? E quem já não presenciou a cena, nos dias de intenso calor, quando as pessoas, ao verem uma sombra, param para “pegar uma fresca” debaixo de uma árvore, assim como o velho Abraão acolheu o Senhor:

"Descansai um pouco sob esta árvore. Eu vos trarei um pouco de pão, e assim restaurareis as vossas forças para prosseguirdes o vosso caminho; porque é para isso que passastes perto de vosso servo. Eles responderam: 'Faze como disseste'”. (Gênesis 18, 5)

Vale lembrar, que para as gerações mais maduras, subir nas árvores era uma das brincadeiras preferidas, e como recompensa, comer seus frutos colhidos na hora. Podemos trazer esta memória na bela música Canção da Árvore, de Marcus Viana, na Trilha sonora da Série de TV “Meu pé de Laranja Lima”:


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Canção da Árvore

Ouço de longe uma linda canção
A voz da árvore falando ao coração
Contando histórias de um mundo de paz
Onde crianças brincam a sorrir
Subo em teus galhos escuto você
E o mundo das fadas então posso ver
Vem, me abraça, cura minha dor
Inunda minh'alma com a luz do teu amor
Árvore linda rainha do meu quintal
Você é o meu ninho, minha amiga mais legal
Anos felizes como uma canção
Viverão para sempre iluminando o coração
Olha eu te quero bem junto à mim
Abraço teu tronco e sinto um amor sem fim
Subo em teus galhos escuto você
E o mundo das fadas, então, posso ver
Subo em teus galhos e escuto você
E o reino das fadas então, posso ver
Ouço de longe...

Peço licença para contar uma experiência:

Certa vez presenciei uma cena muito triste, que até hoje me enche de angústia ao relembrar. Eu vi enormes e barulhentas escavadeiras, que mais pareciam monstros ferozes, partindo para cima de árvores indefesas, que faziam parte da história de um povo. Árvores que bisavós, avós e moradores plantaram; árvores que testemunharam, embelezaram e protegeram tantas gerações. Por mais que eu quisesse, nada pude fazer contra aqueles monstros que avançavam assassinando todas elas, arrancando todas pelas raízes e destruindo suas raízes, troncos e copas. Ninguém imaginava que essa barbárie pudesse acontecer. Todos fomos pegos de surpresa. Por acaso, neste dia, eu passava por aquele lugar. Até tentamos pedir socorro, mas já era tarde, pois tudo já estava planejado. Nunca apagarei essa cena de terror de minha memória. Eu ouvi os gemidos de dor das árvores e tive a sensação de que os últimos balanços dos galhos eram pedidos de socorro. Dessa tragédia, consegui recolher sementes de duas árvores, plantei, cuidei e elas cresceram e hoje florescem e embelezam a entrada de minha casa e me relembram, todos os dias, a promessa que fiz de nunca deixar de protegê-las.

Leia MaisCrianças plantam árvore em homenagem ao Dia da Árvore na Casa do PequenoProjeto Arvorecer: uma lembrança viva da Casa da MãePapa Francisco, na Encíclica Laudato Si, reflete sobre a necessidade de protegermos e cuidarmos de nossa Casa Comum:

"Nunca maltratamos e ferimos a nossa casa comum como nos últimos dois séculos. Mas somos chamados a tornar-nos os instrumentos de Deus Pai para que o nosso planeta seja o que Ele sonhou ao criá-lo e corresponda ao seu projeto de paz, beleza e plenitude." (53)

As árvores são parte essencial da Casa Comum. Em qualquer situação, elas devem ser protegidas. Evidente que as defesas ecológicas mais amplas pela proteção das florestas e bosques devem fazer parte de nossas escolhas, mas junto delas não podemos abrir mão de proteger as árvores nos cotidianos da nossa vida: nos nossos quintais, nas nossas ruas, nas escolas, nas praças, nos ambientes públicos, nos nossos bairros, nos nossos municípios e em todos os lugares. São inúmeras destruídas por justificativas pífias ou até mesmo sem nenhuma justificativa.

A Palavra de Deus é clara:

"Quando sitiares uma cidade durante longo tempo e tiveres de lutar para apoderar-te dela, não cortarás as árvores a golpe de machado; comerás os seus frutos, mas não derrubarás as árvores. A árvore do campo seria porventura um homem para que a ataques?" (Dt 20, 19)

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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