Espiritualidade

Depressão e vida religiosa: entre o preconceito e a fé

José Augusto Rento Cardoso (Arquivo Pessoal)

Escrito por José Augusto Rento Cardoso

13 SET 2021 - 09H27 (Atualizada em 13 SET 2021 - 09H45)

Stephm2506/ Shutterstock padre triste, padre rezando, padre concentrado (Stephm2506/ Shutterstock)

A depressão é um transtorno que atinge milhões de pessoas no mundo todo. Segundo a OMS, o Brasil é o segundo país das Américas no índice de pessoas depressivas (5.8%). A depressão deve ser considerada um quadro complexo, que envolve múltiplas variáveis (genéticas, psicológicas e ambientais), necessitando de acompanhamento especializado.

Leia MaisEstou com depressão. O que fazer?Se, para a sociedade em geral, lidar com o adoecimento mental é um desafio, para aqueles que seguem um estado de vida religioso, aceitar o adoecimento mental pode ser um problema, sendo que diversos preconceitos, geram resistências. Talvez o primeiro desses preconceitos seja de que a pessoa que é acometida por depressão (ou um dos tipos de transtorno depressivo) tem uma "fé fraca".

Esse preconceito, muitas vezes, pode contribuir para que a pessoa fique cada vez mais atolada no lamaçal de autocríticas, piorando seu estado de humor.

SeventyFour/ Shutterstock
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Como dito anteriormente, a depressão é um quadro complexo, onde múltiplas variáveis se relacionam, gerando um estado caracterizado por um conjunto de sintomas como tristeza, raiva, falta ou aumento de apetite, bem como perda significativa ou aumento do peso, perda de interesse e/ou prazer por atividades na maior parte do dia, necessitando de avaliação médica ou psicológica para se chegar a conclusão de que esse é um quadro depressivo.

Junta-se ao acima dito à realidade de muitos daqueles que seguem na vida religiosa, que encontram uma grande quantidade de fatores estressores como: grande expectativa daqueles que lhes procuram, falta de suporte e apoio, favorecendo a experiência de solidão, uma sociedade permeada por valores e pressões que atrapalham uma melhor vivência desse estado de vida, bem como medo de pedir ajuda em uma situação como o adoecimento mental.

Krakenimages.com/ Shutterstock
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Diante dessa realidade, se faz necessário cada vez mais um conjunto de intervenções, que se iniciam já no caminho de formação daqueles que seguem a vida religiosa, aportando uma visão mais integral da fé, que leve em consideração a fé na mente (conhecimento), fé no coração (sentimentos) e fé na ação (atitudes coerentes), ajudando a compreender a realidade da pessoa e seu funcionamento mental, diminuindo preconceitos como “ter depressão é falta de fé”.

Compreender sem preconceitos o adoecimento mental é um passo importante para uma busca de ajuda precoce, diminuindo a possibilidade de agravamento do quadro.

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José Augusto Rento Cardoso (Arquivo Pessoal)
José Augusto Rento Cardoso

José Augusto Rento Cardoso é natural de Petrópolis (RJ). Casado, pai de três filhos, membro do Movimento de Vida Cristã e coordenador do Projeto Reconciliatio Psicologia Integral. É graduado em Psicologia, mestre em História e Filosofia da Psicologia e Pós-graduado em Psicologia Positiva e em Logoterapia e Análise Existencial. Atua nas áreas da Psicologia Clínica e Psicologia Jurídica.

CRP 05/42118

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