No Céu, o tempo não passa como na terra. Mas há momentos em que os santos parecem olhar com carinho especial para a vida do povo. Junho é um desses tempos.
No Brasil, o mês chega com festa, fogueira, bandeirinhas, comida partilhada e muita devoção. É o tempo em que muita gente se lembra de Santo Antônio, de São João Batista e de São Pedro. Eles não viveram todos na mesma época, mas, na fé do povo, acabam se encontrando no mesmo mês.
São João Batista foi o primeiro a falar:
— É bonito ver o povo acender fogueiras em junho. Mas eu fico pensando: será que eles lembram que a maior luz não é a da fogueira? A luz verdadeira é Cristo. Minha missão foi preparar o caminho para Ele.
São Pedro olhou para João com amizade e respondeu:
— Você abriu caminho. Eu precisei aprender a permanecer nele. Fui chamado por Jesus, caminhei com Ele, mas também tive medo, errei e neguei o Mestre. Mesmo assim, Ele me chamou de novo e confiou a mim a missão de cuidar dos irmãos na fé.
Santo Antônio, com sua fala serena, entrou na conversa:
— E eu aprendi que esse caminho precisa chegar ao coração. A fé não pode ficar só nas palavras. Ela precisa virar amor, ajuda, perdão, escuta. Muita gente me procura para encontrar um par, mas o que mais se perde hoje é a paz por dentro.
João Batista concordou:
— Muita gente perdeu o rumo. Por isso, eu continuo dizendo: é preciso preparar o caminho do Senhor. Não adianta fazer festa por fora se o coração continua fechado por dentro.
Pedro completou:
— Mas quem percebe que se perdeu não deve desanimar. Eu também me perdi. Chorei muito depois de negar Jesus. Mas o olhar Dele me levantou. O amor de Cristo sempre pode recomeçar uma história.
Antônio sorriu:
— Talvez seja essa a mensagem que junho leva para tanta gente. João recorda a conversão. Pedro recorda a perseverança. E eu tento recordar a caridade, esse amor concreto que faz a fé sair da boca e chegar às mãos.
João olhou para os dois e disse:
— Conversão não é apenas sentir culpa. É mudar de direção. É deixar Deus arrumar o que está torto dentro de nós.
Pedro acrescentou:
— E perseverança não é fingir que está tudo bem. É continuar com Cristo mesmo quando a vida pesa, quando a fé parece fraca e quando a comunidade exige paciência.
Antônio completou:
— E caridade não é só fazer grandes coisas. Às vezes, é falar com mais calma, visitar alguém, perdoar, escutar, repartir o pouco que se tem. Deus também passa por gestos simples.
Por um instante, os três ficaram em silêncio, olhando para a terra. Lá embaixo, as festas continuavam. Havia música, risadas, orações, promessas, famílias reunidas e também muitos corações cansados.
Então Pedro disse:
— O povo gosta de junho porque junho aproxima. Aproxima vizinhos, famílias, comunidades. Mas, acima de tudo, pode aproximar as pessoas de Deus.
João Batista respondeu:
— Sim. Que cada fogueira lembre uma luz maior. Que cada festa ajude alguém a abrir espaço para Cristo.
Santo Antônio concluiu:
— E que ninguém celebre os santos sem perceber para onde eles apontam. Nós não somos o fim do caminho. Somos sinais. O centro é sempre Jesus.
Junho passa, as bandeirinhas são recolhidas e as fogueiras se apagam. Mas a fé que esses santos despertam pode continuar acesa dentro de casa, no trabalho, na comunidade e nas escolhas de cada dia. Porque a santidade não está longe da vida. Ela começa quando a pessoa deixa Deus iluminar o coração e decide dar um passo novo, com mais fé, mais amor e mais coragem. |
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