A catequese tem um papel fundamental na formação dos cristãos, é um trabalho que fortalece as comunidades. Essa atividade é também um convite à participação não só das crianças e jovens, mas também das famílias, para que possam participar desse momento de formação cristã.
No caminho sinodal, a catequese pode ser uma aliada para fortalecer as ações sinodais, contribuindo com um espaço de diálogo, escuta, partilha, comunhão, participação e missão. Mas, para isso, em muitos locais, ela precisa passar por uma revisão na forma como as atividades são aplicadas.
O Padre Thiago Faccini, mestre em teologia, assessor do Setor de Espaço Litúrgico da Comissão Episcopal Pastoral para Liturgia da CNBB, e que assessora cursos de formação litúrgica e de iniciação cristã em diversas comunidades no Brasil, conversou com o A12 e explicou como podemos viver na prática uma catequese verdadeiramente sinodal.
“A sinodalidade significa pensar a Igreja em conjunto, ou seja, pensar a catequese numa ótica mais ampla, além dos encontros de catequese, envolvendo toda a comunidade, transformando verdadeiramente a Igreja como 'Casa da Iniciação à Vida Cristã' [...] O sínodo convida a repensar a catequese e a transformar sua dinâmica, em um processo de caminhar juntos, envolvendo toda a comunidade, corresponsabilizando a todos na transmissão da fé”.
Ao falar sobre como as metodologias ativas dentro da catequese, o padre explicou como esse tipo de atividade é realizada na prática.
“As metodologias ativas são formas de ensino que colocam o catequizando no centro do aprendizado. Existem várias abordagens dentro das metodologias ativas, onde em vez de apenas ouvir o catequista, a pessoa participa, reflete e constrói o conhecimento. Na catequese, isso transforma encontros teóricos em experiências vivas de fé, partindo, na maioria das vezes, da realidade concreta de cada catequizando”.
Dentro desse modelo de aprendizado, a escuta ativa contribui para a partilha e a vivência de fé, fortalecendo a confiança do catequizando, incentivando a participação e o diálogo. Outra ação importante, e que o Sínodo da Sinodalidade tem nos incentivado a praticar em diversas áreas, é a “conversa no Espírito”.
“A conversa no Espírito é um método de discernimento comunitário focado na escuta atenta da Palavra e do outro. Ela expande a escuta ativa e as metodologias ativas na catequese ao colocar o Espírito Santo como o condutor do encontro”.
Em sintonia com a sinodalidade, as metodologias ativas ajudam a fazer da catequese um espaço de comunhão, em que famílias, catequizandos e catequistas compartilham responsabilidades e aprendizados.
Pe. Faccini destaca como esse processo contribui para passarmos de um modelo de “consumo religioso” para o modelo de “comunhão missionária”.
“Passar do 'consumo religioso' para a 'comunhão missionária' significa mudar o foco da catequese de um serviço que as pessoas apenas recebem para uma comunidade onde todos participam ativamente. É a transição de uma fé individualista e passiva para uma fé comunitária e voltada para o serviço ao próximo”.
Ao contrário do que muitos pais pensam, a catequese não é somente algo para as crianças e jovens participarem, é importante o envolvimento de todos nesse processo de formação cristã.
“Como primeiros catequistas a família tem o papel de iniciar os filhos na vida de oração e de incentivar a participação na comunidade”.
O encontro de catequese acontece uma vez por semana, mas a vivência da fé continua dentro de casa. Por isso, o testemunho dos pais tem um peso que nenhuma atividade consegue substituir.
A participação das famílias permite que todos contribuam com seus dons e experiências para o crescimento da comunidade. Assim, a catequese deixa de ser apenas um espaço de formação religiosa para tornar-se também uma experiência concreta de comunhão, participação e missão, pilares fundamentais da Igreja sinodal.
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