O Mês Vocacional, celebrado no país por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, é uma oportunidade para todos abrirem-se ao projeto único de Deus para suas vidas, seja quem busca o discernimento ou quem já vive sua vocação.
No primeiro domingo de agosto, as comunidades rezaram pelos ministros ordenados: padres, diáconos e bispos. Na segunda semana, voltam-se os pensamentos e orações para a vocação do matrimônio, que é a aliança de amor indissolúvel entre um homem e uma mulher, que juntos formam uma família, um dos bens mais preciosos da humanidade.
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O Papa João Paulo II, em sua Exortação Apostólica Familiaris Consortio, que completará 45 anos em novembro, ressaltou que a família, na realidade atual, apresenta aspectos positivos e negativos. Por um lado, tem-se a consciência mais viva da liberdade pessoal, atenção à qualidade das relações e à promoção da dignidade da mulher, por exemplo; por outro, vemos sinais como a degradação de valores fundamentais, o número crescente de divórcios e o aborto.
A partir disso, o papa enfatizou uma grande necessidade para nossa época: a sabedoria. Segundo ele, a aliança com a sabedoria divina precisa ser profundamente reconstituída na cultura moderna, e acrescentou:
“É só na fidelidade a esta aliança que as famílias de hoje estarão em grau de influenciar positivamente na construção de um mundo mais justo e fraterno.”
Para ajudar a refletir nessa importante missão do matrimônio no mundo, especialmente a partir das necessidades do nosso tempo, recordamos a seguir figuras que buscaram essa sabedoria, mantendo a fidelidade a Deus, gerando frutos de santidade.
O primeiro casal a ser beatificado pelo papa João Paulo II em 2001 viveu a vida ordinária de modo extraordinário. Sustentados pela oração e íntima relação com Jesus na Eucaristia, Luís Beltrame Quattrocchi e Maria Corsini tiveram quatro filhos. Ele, natural da Sicília, e ela, de Florença. Conheceram-se e casaram-se em Roma.
Duas realidades marcaram suas vidas: o compromisso social como voluntários da Unitalsi, União Nacional Italiana para o Transporte de enfermos aos santuários nacionais e internacionais, e a decisão de não realizar um aborto, quando indicado por médicos em uma gravidez de risco de Maria.
O casal preferiu confiar na proteção divina a realizar o aborto e, embora a gravidez tenha sido difícil, a vida de Maria e de seu filho foram preservadas.
Os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus se tornaram santos. O casal se conheceu em 1858, em Alençon, na França. Namoraram por um período curto, assumindo diante de Deus o compromisso do matrimônio.
Eles se santificaram também no cotidiano, por meio de uma vida piedosa, missas diárias e vida ativa na paróquia. Tiveram nove filhos, sendo que quatro deles vieram a falecer. A caçula, como bem conhecemos, tornou-se santa e Doutora da Igreja.
Um doutor em Ciência Química e uma professora casaram-se em Saragoça, Espanha, em 1939. Fruto deste matrimônio nasceram nove filhos, dos quais um veio a falecer com apenas 5 anos. Tomás Alvira e Paquita Dominguez foram íntimos de Deus no cotidiano, fazendo de seu lar um “lar luminoso e alegre”, como afirmou São Josemaria Escrivá, fundador da espiritualidade à qual eles pertenceram.
Recentemente, em julho deste ano, foi entregue ao Dicastério da Causa dos Santos a documentação sobre suas vidas e virtudes para análise, concretizando mais um passo no processo de beatificação do casal.
Estes são alguns exemplos de casais que não desistiram da proposta do matrimônio: viver uma conversão pessoal constante na luta contra o egoísmo e na vivência do amor. Que eles e tantos outros que são fiéis a este compromisso possam iluminar a caminhada daqueles que são chamados à vocação.
Ao contrário do que podemos pensar, eles não foram perfeitos, mas sim contaram com a graça divina. Que esta semana ajude toda a comunidade a refletir também nas palavras do papa João Paulo II:
“A vós, esposos, a vós, pais e mães de família; a vós, jovens e donzelas, que sois o futuro e a esperança da Igreja e do mundo e construireis o núcleo que garantirá e dinamizará a família no terceiro milênio que se aproxima;
A vós, veneráveis e caros Irmãos no episcopado e no sacerdócio, queridos filhos religiosos e religiosas, almas consagradas ao Senhor, que testemunhais aos esposos a realidade última do amor de Deus;
A vós, homens todos de coração reto, que por razões diversas vos preocupais da situação da família, dirige-se com trepidante solicitude a minha atenção ao final desta Exortação Apostólica.
O futuro da humanidade passa pela família!”
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