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Espiritualidade

Para o verdadeiro cristão, a esperança nunca se encerra

Maurício Ribeiro, coordenador dos coroinhas e acólitos do Santuário Nacional (Arquivo pessoal)

Escrito por Maurício Ribeiro

06 JAN 2026 - 07H00 (Atualizada em 06 JAN 2026 - 08H48)

Giotto/ Reprodução Wikipedia

O encontro com o Senhor nos faz mudar de caminho

O encontro com Jesus deve-nos levar a uma mudança de vida, uma mudança de atitude. Caso contrário, de que adianta encontrar e adorar Jesus? São somente gestos externos e de tradição cristã? A situação na qual os Magos viveram é para nós um grande exemplo. No Evangelho de Mateus, nos é relatado que, depois que os Magos encontraram Jesus, foram avisados para não voltarem a Herodes; “retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.”

Leia MaisCom o seu nascimento, Cristo nos faz participantes da natureza divina O nosso encontro com Deus em cada Missa, na Eucaristia, deve-nos levar para outro caminho. E como é triste ver católicos que comungam há anos e anos e ainda permanecem no caminho da raiva, do julgamento e da falta de perdão. Essas pessoas ainda não encontraram o Senhor; a estrela do Senhor brilha para elas, mas elas estão a contemplar o próprio umbigo.

Que o mesmo Deus que orientou os Magos a voltarem por outro caminho nos conceda também a graça de caminharmos por novos caminhos, pelos caminhos da benevolência, da coerência e da misericórdia. E que, a cada Eucaristia recebida, possamos dizer: Senhor, ajude-me a seguir o teu caminho!

É Cristo que deve brilhar

O profeta Isaías afirma: “levanta os olhos ao redor e vê” (Is 60,4). Para identificar os sinais de Deus, é fundamental manter uma postura atenta, pois somente ao elevar o olhar, como fizeram os Magos ao avistarem a estrela, é possível reconhecer esses sinais e seguir adiante. Porém, caros irmãos e irmãs, muitas vezes caminhamos olhando para baixo, para nós mesmos, para nossos pensamentos moralistas, esquecendo-nos de que, para caminhar nos caminhos de Deus, é necessário olhar para o alto, pois é do alto que Ele nos aponta o seu caminho.

E quando olhamos para nós mesmos, somos levados à tentação de nos acharmos estrelas, exibindo o brilho da autorreferência, de nos acharmos melhores que os outros, nos colocando sempre no alto. Devemos tomar muito cuidado com essa tentação: de nos sentirmos cristãos-estrelas. É necessário olharmos para o alto para contemplarmos a estrela de Deus, pois, se olhamos somente para baixo, corremos o grande risco de contemplarmos a nós mesmos.

O verdadeiro cristão não exibe o seu brilho, mas reflete o brilho de Deus, porque não somos nós que devemos brilhar, é Cristo que deve brilhar. Ele é a estrela resplandecente da manhã, Ele é o novo sol que brilha para nós, Ele é a verdadeira luz que nos guia.

Existem estrelas que hoje brilham e amanhã desaparecem

Muitas vezes, depositamos a nossa esperança em coisas que são como estrelas cadentes: brilham um pouco e somem. A fama, o sucesso, o amor interesseiro, o poder. Essas estrelas nos apresentam um rastro luminoso momentâneo de esperança, que nos hipnotiza e parece levar ao Sol da expectativa, mas, na realidade, está nos levando para o buraco negro da solidão. É, queridos irmãos e irmãs. Existem estrelas que hoje brilham e amanhã desaparecem.

A estrela de Deus é a única que nos ilumina nas nossas noites. Ela é mansa, sua luz não nos cega os olhos, mas nos faz enxergar o caminho; não nos promete recompensa material, mas nos conduz a contemplar a face de Deus no céu. É permanecendo firmes na fé e na esperança que descobriremos a existência duma luz que ilumina mesmo as noites mais escuras: Jesus!

Querido irmão, querida irmã, se você ainda caminha na noite, voltado com os olhos para baixo, hoje é para mim, para você, para nós, que Deus faz brilhar a estrela da esperança. “Levanta os olhos ao redor e vê”, pois a glória do Senhor já se manifestou sobre ti.

O cristão é chamado a ser ‘porta aberta’ de esperança

“A esperança não está morta, a esperança está viva e envolve a nossa vida para sempre!” Foram estas as palavras do memorável Papa Francisco na abertura do Jubileu da Esperança.

E hoje, caro irmão, cara irmã, não pense que o encerramento deste Jubileu encerra também o tempo de esperança. Não. Para um verdadeiro cristão, a esperança nunca se encerra. E hoje, com o fechamento da Porta Santa, cada cristão é chamado a ser ‘porta aberta’ de esperança para aqueles que ainda caminham na desilusão.

Ao encerrar o Jubileu da Esperança, cabe a cada um de nós a seguinte mensagem: não fechar a porta do coração para a esperança! E a nossa esperança chama-se Jesus:

“Com Ele, a alegria floresce. Com Ele, a vida muda. Com Ele, a esperança não desilude”. (Papa Francisco, na Noite de Natal de 2024)

Ao celebrar a manifestação do Senhor ao mundo, peçamos a Ele esta graça:

“O Cristo Senhor, que hoje se manifestou ao mundo como luz que ilumina, com o esplendor de sua majestade, ilumine os nossos corações e nos torne luz de esperança na vida de nossos irmãos e irmãs. Que a Estrela da Esperança sempre brilhe para cada um de nós, iluminando o nosso caminho para a Jerusalém celeste. E que assim, ó, Deus, sendo Peregrinos de Esperança, sejamos conduzidos à contemplação da Vossa Santa Face no céu”.

Escrito por:
Maurício Ribeiro, coordenador dos coroinhas e acólitos do Santuário Nacional (Arquivo pessoal)
Maurício Ribeiro

Maurício José Ribeiro Campos Felizardo é Professor de Matemática licenciado pela UNESP e é atualmente o coordenador dos Cerimoniários e Coroinhas do Santuário Nacional.

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