Por Redação A12 Em Espiritualidade Atualizada em 30 AGO 2018 - 16H00

Preciso de dinheiro!


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Uma experiência comum aos cristãos é a percepção da liberdade que a vida espiritual proporciona. É algo que nos alivia do peso de um mundo competitivo e feroz. Mas não podemos escapar do cotidiano, onde temos que pagar a conta de luz, ir ao mercado ou até mesmo pagar a Netflix. Aqueles que estão pensando em ir à JMJ no Panamá também já estão se preocupando com o tema.

A crise que vive o nosso país nos leva a perceber como o dinheiro e a riqueza são um assunto que nos engloba como um todo. Muitas pessoas sofrem por falta dele. Às vezes, parece que é um assunto que podemos evitar, mas a realidade nos exige uma atitude diante deste tema. Nós, como cristãos, confiamos em Deus e, por isso mesmo, Ele nos deu toda a Criação para que produzíssemos frutos. (Gn 1,28)

Querendo convidar-nos a uma reflexão, a “Congregação para a Doutrina da Fé” falou sobre este tema num documento chamado Oeconomicae et pecuniariae quaestiones, lançado em 22 de maio de 2018. No número 15, constatamos uma afirmação que pode nos ajudar: “Também o dinheiro é, por si mesmo, um instrumento bom, como muitas coisas de que o homem dispõe: é um meio à disposição da sua liberdade e serve para alargar as suas possibilidades. Este meio pode, porém, voltar-se facilmente contra o homem.” Nesta definição percebemos uma aproximação positiva sobre o dinheiro, junto com uma advertência à consciência humana, que deve usá-lo para o bem e não para o mal (muito menos o dinheiro público, certo?).

Leia MaisTenho vontade de ir mais fundo na vidaTenho vontade de sumirMinha família é contra o meu namoroMinha família é o meu alicerce Preciso me encontrar Quero fazer um abortoEsta reflexão da Igreja está dentro do que chamamos de Doutrina Social da Igreja Católica, que foi sintetizada no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Junto com o curso sobre o Catecismo, deveria ser uma parte importante da formação do católico de hoje. #ficaadica

Na nossa vida prática, muitas vezes percebemos um estresse e uma frustração muito grandes quando nossos limites financeiros nos freiam; eles podem frustrar nossos sonhos ou, até mesmo, ser motivo de brigas e dificuldade com os demais, o que leva algumas pessoas a experimentar a tentação de fazer coisas ilícitas ou de simplesmente gastar sem nenhuma responsabilidade.

O dinheiro pode, muitas vezes, ser algo negativo para a nossa vida. Mas também pode gerar uma ocasião de viver a caridade, exercer a responsabilidade, amadurecer projetos e, portanto, afetar positivamente as pessoas. Isto é tão abrangente que poderia ter efeito até mesmo nas gerações seguintes. Por exemplo, você deve sofrer ou gozar das decisões financeiras dos seus pais, certo? Agora, cada um de nós tem a responsabilidade de amadurecer nesta dimensão social e pessoal.

E os efeitos são sentidos até mesmo nas coisas espirituais, pois administrar nossa vida espiritual tem uma dinâmica semelhante. Somos administradores da Graça divina, que nos é dada em abundância. O problema com o dinheiro é que nem sempre ele é tão abundante...

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O realismo da nossa fé deve ser uma luz que nos ilumina quando o tema é o dinheiro. Devemos buscar usar este meio para o bem de todos, em vista do fim último que é a Salvação. O valor do nosso trabalho deve ir além do dinheiro. Por isso, não devemos viver em função do dinheiro, mas usá-lo como um instrumento para alcançar o bem das pessoas.

Sendo assim, o uso dos bens é uma questão de ordem moral e Deus no-los concede segundo sua Graça, contando com o reto uso da nossa liberdade. Por isso, devemos sempre cooperar com o Senhor, aprendendo com a sua mesma oração: “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu, o pão nosso de cada dia nos dai hoje.” (Mt 6,10-11).

Fabio Santos Araujo

Sodalício de Vida Cristã

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