Por João Antônio Johas Em Espiritualidade Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H36

Santos Inocentes: a morte dos inocentes me sensibiliza?

No Evangelho de Mateus encontramos uma passagem muito triste. Logo no segundo capítulo, depois de narrar a imensa alegria do nascimento de Jesus, o evangelista conta o episódio que ficou conhecido como o massacre dos inocentes. “Herodes procurará o menino para o matar”, diz o anjo a José e o orienta a fugir para o Egito. Então, Herodes, “percebendo que fora enganado, ficou enfurecido e mandou matar, em Belém e em todo o seu território, todos os meninos de dois anos para baixo...”.

Reflitamos um pouco sobre isso. Podemos pensar: Realmente me toca essa leitura?

Reprodução.
Reprodução.
Ilustração retrata o menino Alan Kurdi, de 3 anos, após morrer em naufrágio. Família fugia da guerra na Síria.


É uma passagem bem curta do Evangelho e poderíamos passar por cima sem dar muita atenção. Mas estamos falando de algo profundamente terrível aqui. Vale a pena dar o peso que a situação tem. Herodes tem medo de perder seu poder para esse menino rei que acaba de nascer (Lembremos que os reis magos, quando perguntam a Herodes, perguntam: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?) e decide acabar com sua vida. Herodes não sabia que o reino de Jesus não era desse mundo.

Quando percebe que os reis magos o enganaram (por não voltar e não avisar onde estava Jesus), ele se enfurece e não tem melhor ideia do que matar todos os meninos que se encaixam na descrição dos magos, ou seja, todos os varões com menos de dois anos de idade. As estatísticas variam muito sobre quantos morreram nesse massacre, mas o certo é que muitos inocentes já começaram a dar sua vida por Jesus a partir dali. Como uma ideia egoísta pode fazer tanto dano aos demais?

Aferrar-se ao poder, não estar disposto ao diálogo, reagir de forma precipitada, com total falta de sensibilidade com a vida alheia. Estamos falando sobre o passado ou isso se parece muito com a realidade que vivemos hoje em dia? O Evangelho realmente é Palavra Viva e penetrante como espada de dois gumes. Quanto mais egoístas e centrados em nós mesmos, mais tendemos a esquecer dos outros. Nos tornamos a medida de todas as coisas e as nossas ideias se tornam verdades a serem impostas, não importando a verdade, a caridade, a misericórdia e, sequer, a justiça.

Os Santos Inocentes têm um correlato contemporâneo muito impressionante no aborto. Quantas vidas são impedidas de se desenvolver por puro egoísmo? E o pior, mata-se em nome de uma suposta liberdade, de ser dono de si. Os valores parecem, em muitos momentos, estarem de pernas para ar. Mas não só o aborto. Quantos não são os excluídos, que não “servem” para nada na sociedade e que são deixados de lado? Os mais velhos, as pessoas especiais, os mais pobres e os que têm alguma deficiência física são, muitas vezes, colocados nesse mesmo “pacote”, de gente que "deu errado", que não têm valor.

:: Santo do Dia | Santos Inocentes Mártires 

Mas Jesus vem no Natal para mostrar o verdadeiro valor de cada homem. Ele se faz homem para lembrar-nos da nossa incrível dignidade. Somos, todos filhos de Deus. Que a vinda do Menino Jesus possa sensibilizar o nosso coração para ver no nosso próximo o mesmo Deus. Que possamos alcançar, com o nosso amor misericordioso, todos aqueles que precisam da ajuda do Senhor, do consolo que só pode vir d´Ele. E que Maria nos acompanhe nesse caminho de reconhecer nos mais pequenos a presença mesma de Deus no meio de nós.

Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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