Estamos vivendo o Tempo da Quaresma, um período de conversão, onde somos convidados a reavaliar nossas ações, a nos aproximar de Deus e principalmente a rezar mais.
Neste segundo texto da série Mistérios da Fé, vamos refletir com a ajuda do Missionário Redentorista, Pe. Lucas Emanuel, C.Ss.R., sobre como a oração pode nos ajudar em um mundo hiperconectado.
Em um mundo moderno, hiperconectado, as pessoas estão constantemente on-line, mas estar on-line não significa estar presente na vida de alguém, ou presente naquele momento em que estamos vivendo. O excesso de conexão pode nos desconectar do mundo real.
“Quase sempre estamos on-line, mas nem sempre estamos verdadeiramente presentes. Recebemos mensagens o tempo todo, acompanhamos notícias em tempo real, podemos dizer que estamos cercados por telas e, apesar de tudo isso, muitas vezes nos sentimos sozinhos, ansiosos, dispersos, então a oração pode ser esse caminho que nos devolve ao essencial”, explicou o Padre Lucas.
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A oração nos ajuda a nos reencontrar com Deus, a aquietar o que nos incomoda, a desacelerar e ouvir o nosso coração. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “A oração é a elevação da alma para Deus [...]”. (CIC 2559)
Mas é importante termos a consciência de que a oração não deve ser feita apenas de forma a “se cumprir um dever”, mas sim, com a mente consciente daquilo que estamos fazendo.
“Ela não é apenas um dever religioso, mas um encontro. Quando rezamos, aprendemos a silenciar o barulho exterior, sobretudo aquele ruído interior. Nos ensina a parar um pouco. E parar hoje é quase um ato profético, não é? É dizer para si mesmo que nem tudo precisa ser imediato, nem tudo merece minha atenção, não preciso compartilhar tudo, enfim. Tenho que perceber, no meio de tudo isso, que Deus também merece um pouquinho do meu tempo”, afirmou o missionário redentorista.
A oração necessita entrar em nossa rotina como uma atividade diária, a conversa com Deus tem que acontecer todos os dias e não só quando estamos precisando de algo e recorremos a Ele. Se nos preocupássemos em rezar, na mesma intensidade que nos preocupamos em mexer no celular e nas redes sociais, conversaríamos com Deus o dia todo.
“Nós somos filhos e filhas de Deus, somos filhos e filhas muito amados. E a oração nos reconecta com essa identidade mais profunda do nosso ser, que é ser filho e filha de Deus. Enquanto os aparelhos nos mantêm conectados ao mundo, vamos dizer que a oração nos conecta ao céu e curiosamente nos ajuda a viver melhor na Terra. Rezar é educar a nossa vida para essa interioridade, perceber que as respostas que buscamos estão no íntimo do nosso ser”, pontuou o Padre.
Em meio à rotina corrida, à conexão excessiva, é preciso tirar um momento de pausa, silenciar os barulhos externos e os internos também, para que possamos nos conectar com Deus. Nesse sentido, o Padre Lucas refletiu:
“Quando criamos momentos de silêncio, nos desligando um pouco do celular, reservando um tempinho para Deus, nós começamos a reorganizar nossas prioridades. E aos poucos percebemos que muitas vezes, ou melhor, muitas coisas que ocupam tanto espaço na nossa vida eram apenas distrações. Então, às vezes, é preciso desconectar-se para fugir um pouco dessas distrações. Fugir um pouco da superficialidade, aprender a viver a sua liberdade como pessoa. Quem reza não vive alienado, mas vive consciente.”
Rezar nos aproxima de Deus, cura feridas, abre caminhos e acalma a alma. Por isso, no momento da oração, é preciso silenciar tudo à nossa volta, desconectarmo-nos do externo para nos conectarmos com Deus.
“Nesse mundo hiperconectado, a oração é um espaço sagrado de uma verdadeira conexão, conexão do seu coração com o coração de Deus. É ali que o coração descansa, a mente se ordena e a vida encontra sentido. Talvez o grande desafio pastoral de hoje seja um pouco isso, ensinar as pessoas não apenas a rezar, mas a silenciar mais, porque quem aprende a silenciar diante de Deus descobre que nenhuma notificação é mais urgente e mais importante do que a voz Daquele que nos ama e nos chama pelo nome, não é?”, disse o missionário redentorista.
Aproveitar o Tempo Quaresmal para inserir em nossa rotina o exercício de silenciar o externo e nos conectar verdadeiramente com Deus é uma ótima oportunidade de fazer com que essa atividade se torne hábito depois que este tempo litúrgico acabar.
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