A Igreja iniciou o tempo da Quaresma convidando cada um de nós a um caminho de conversão. Desse modo, neste primeiro texto da série Mistérios da Fé, vamos aprofundar os sinais, ensinamentos e riquezas deste tempo litúrgico.
Ao contemplar os símbolos da Quaresma, somos conduzidos a compreender, de maneira mais profunda, aquilo que Deus deseja realizar em nosso coração.
Como ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC):
“A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: «Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos» (Lm 5, 21). Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo [...] O coração humano converte-se, ao olhar para Aquele a quem os nossos pecados trespassaram” (CIC 1432).
Por isso, os símbolos quaresmais não são meros elementos externos; eles nos ajudam a entrar no mistério da salvação.
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O primeiro sinal que vemos são as cinzas. Como explicou o Pe. Lucas Emanuel, C.Ss.R., ao A12:
“Na Quarta-feira de Cinzas, recebemos as cinzas do sacerdote, do diácono ou do ministro da Eucaristia e nós escutamos essas palavras: ‘Convertei-vos e crede no Evangelho’. Então as cinzas recordam a nossa fragilidade, porque nós somos pó, e nos convidam à humildade, converter-se é um ato de humildade.”
Receber as cinzas é reconhecer nossa condição de criaturas e confiar mais plenamente em Deus. Não se trata de tristeza, mas de verdade e humildade.
A cor roxa, presente nas vestes litúrgicas durante todo o tempo quaresmal, também nos fala ao coração. Conforme explicou o Padre Lucas:
“O roxo que estará presente nas vestes litúrgicas é sinal de penitência e recolhimento. Cria aquele clima de sobriedade que nos ajuda, vamos dizer assim, a sair um pouco do barulho exterior para escutar a voz de Deus no silêncio do coração.”
A sobriedade da liturgia favorece o recolhimento e prepara o coração para ouvir o Senhor.
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Outro símbolo é o deserto, inspirado nos 40 dias que Jesus passou no deserto, conforme narra o Evangelho de Mateus (Mt 4,1-11). Sobre isso, o missionário redentorista afirmou:
“Esse deserto simboliza a Quaresma como um tempo de provação e também de intimidade com Deus. É o momento em que a gente pode ter aquele combate espiritual, mas também um encontro muito bonito de amadurecimento da fé.”
O deserto é lugar de combate, mas também de encontro e crescimento espiritual.
A cruz, que sempre ocupa lugar central na vida cristã, ganha destaque especial na Quaresma. Nesse sentido, o Padre Lucas explicou que:
“Ela nos lembra que a conversão passa pelo amor concreto, é Deus se doando por nós. Esse sacrifício, entrega, prova do amor de Deus por nós.”
O Catecismo da Igreja Católica ensina que o sacrifício de Cristo é único e definitivo (cf. CIC 614-618).
Diante da cruz, aprendemos que a verdadeira liberdade nasce da entrega e do amor que se doa.
Também fazem parte desse caminho o jejum, a esmola e a oração, ensinados por Jesus no capítulo 6 do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-18). Como resumiu o Padre:
“O jejum educa os nossos desejos, a esmola abre o nosso coração aos irmãos e a oração fortalece a nossa intimidade com Deus.”
Esses três pilares sustentam a vivência quaresmal. Ou seja, conhecer e compreender os símbolos da Quaresma é permitir que cada gesto litúrgico tenha sentido em nossa vida.
Trata-se de reconhecer que são sinais que nos conduzem ao mistério pascal, onde a última palavra não é a morte, mas a vida.
Não deixe de acompanhar semanalmente a série Mistérios da Fé para aprofundar cada vez mais o significado deste tempo de graça.
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