São Jerônimo, doutor da Igreja e tradutor da Bíblia para o latim (a Vulgata), dedicou boa parte de sua vida espiritual e intelectual às mulheres.
Entre as 123 cartas que se sabe até hoje sobre o santo, cerca de 36% foram dirigidas a elas. Em Roma e depois na Terra Santa, Jerônimo foi acompanhado e apoiado por figuras como Santa Paula e Santa Eustóquia, que se tornaram suas colaboradoras e discípulas.
Em suas cartas, Jerônimo reconhecia a proximidade espiritual que mantinha com as mulheres. Essa relação mostrava que o santo enxergava nas mulheres não apenas ouvintes, mas protagonistas no caminho da fé.
Em uma carta à nobre Principia, Jerônimo admitiu que muitos o criticavam por se dirigir às mulheres e dar a elas preferência: “Fui censurado por escrever a mulheres e preferi-las aos homens.” Essa postura, incomum em seu tempo, revela sua coragem em abrir espaço para o protagonismo feminino no estudo das Escrituras.
São João Paulo II, na carta apostólica Mulieris Dignitatem (1988), lembra que “a Igreja dá graças por todas as mulheres e por cada uma delas” e que reconhecer sua dignidade é parte essencial da vida cristã. Jerônimo, com séculos de antecedência, já colocava esse princípio em prática ao se dedicar ao estudo cristão de suas discípulas.
:: São Jerônimo e a importância da tradução da Bíblia
Enquanto muitos homens discutiam apenas entre si sobre o matrimônio, Jerônimo incentivava as mulheres a discernirem livremente, defendendo com firmeza a virgindade consagrada.
Ele dizia não o que era socialmente esperado, mas o que considerava verdade diante do Evangelho, porque Jerônimo considerava muitíssimo as mulheres, ele lhes dizia o que precisavam saber, não o que os homens pensavam que as mulheres queriam ouvir.
O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium (n. 32), reforça essa visão ao ensinar que todos os fiéis, homens e mulheres, têm igual dignidade no Corpo de Cristo, ainda que exerçam diferentes vocações.
As mulheres próximas a Jerônimo foram muito além de suas interlocutoras, mas verdadeiras parceiras de missão. Santa Paula e Santa Eustóquia o acompanharam até Belém, sustentaram financeiramente sua obra e partilharam de sua vida de oração. Ele mesmo fez elogios fúnebres a várias delas, como Lea, Blesila, Fabiola, Paula e Marcela.
A Igreja recorda essas amizades como testemunho de que a santidade floresce na comunhão. O Papa Francisco, na Christus Vivit (n. 245), escreve que “a amizade é um dom de Deus” e que a vida cristã se fortalece quando caminhamos juntos.
A dedicação de São Jerônimo às mulheres serve de inspiração a todos na Igreja. Em tempos em que muitas ainda lutam por reconhecimento, suas cartas recordam que o espaço feminino na Igreja é antigo e fecundo.
A sua vida mostra que a Palavra de Deus precisa ser partilhada sem distinções, pois, como recorda a Evangelii Gaudium (n. 103), “a Igreja reconhece a indispensável contribuição das mulheres na sociedade e na evangelização.”
:: Lições de São Jerônimo para aplicar no seu dia a dia!
Fonte: Aleteia/purplemotes.net
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