Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R Em Histórias de Vida

A estrada para lugar nenhum

Escondida entre as montanhas, existia uma aldeia. A dois km dela havia um entroncamento de três estradas. Na primeira, estava uma placa com a palavra: “Vila” e uma flecha. Na segunda também havia uma placa com a flecha e a palavra: “Mar”. Na terceira estrada, a placa trazia apenas as palavras: “Para lugar nenhum”. 

As pessoas só viajavam pelas duas primeiras estradas. Ninguém ousava seguir aquela que levava a “lugar nenhum”.

Jane, uma menina da aldeia, não se cansava de perguntar para onde ia aquela estrada, mas recebia sempre a mesma resposta: “A lugar nenhum”. Jane pensava com seus botões: Se há uma estrada, ela deve levar a um lugar onde moram pessoas.

Um dia, a menina fugiu da aldeia e pegou aquela estrava. Andou várias horas. Atravessou colinas, vales, riachos e belas cachoeiras. E continuava em frente.

Até que avistou um cão e disse a si mesma: Se há um cachorro, deve haver uma casa ou pelo menos alguém por perto. Com um misto de medo e curiosidade, pôs-se a seguir o cachorro. Ele a conduziu por um caminho que dava numa casa escondida no meio de um bosque frondoso. Uma senhora idosa morava na casa. Ela disse a Jane:

“Entre na minha casa. Ela é bonita e cheia de tesouros. Esperei durante muitos anos para que alguém viesse visitar-me.” Mostrou a Jane a sua casa repleta de tesouros e disse:

- Você pode levar o que quiser. É o agradecimento por ter me visitado.

Carregada de ouro e joias, Jane se despediu da boa senhora. O cachorro a conduziu de volta à estrada e ela voltou à aldeia.

Nesse meio tempo, os aldeões ficaram preocupados com Jane, convencidos de que algo terrível lhe teria acontecido. Por isso ficaram surpresos ao vê-la carregando aqueles tesouros. A menina contou-lhes o que acontecera.

Ávidos de ganhar algum tesouro, os aldeões viajaram pela estrada “que não leva a lugar nenhum”. Caminharam durante dias e noites, mas não chegaram a lugar nenhum. Não encontraram o cachorro, nem a casa, nem a velhinha. E voltaram desapontados.

Acusaram Jane de tê-los enganado. Ela balançou a cabeça e disse calmamente:

- Eu não fui em busca de tesouros mas de pessoas. Por isso que ganhei este tesouro.

Quem vai ao encontro do próximo, sempre encontra um tesouro, pois o ser humano trás uma riqueza quase infinita. “Que coisa é o homem, para dele te lembrares, que é o ser humano, para o visitares? Tu o fizeste só um pouco menor que um deus, de glória e honra o coroaste” (Sm 8,5-6).

(Fonte: Peter Ribes, sj)

Escrito por
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R

Mais conhecido como Padre Queiróz (in memoriam) recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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