O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou nas últimas semanas a falar de uma possível ação em relação a Groelândia. Primeiro, ele ameaçou invadir e tomar o território autônomo que faz parte da Dinamarca, depois passou a falar de uma possível compra da ilha.
Se a ameaça de invasão se concretizar, isso poderá criar um novo conflito geopolítico, implodindo a aliança militar do Ocidente (Otan) da qual tanto os Estados Unidos como a Dinamarca fazem parte. E, como se podia esperar, as reações têm sido intensas em todo o mundo, sobretudo, na Europa.
Resgatando a memória histórica, essa pretensão americana sobre a Groenlândia não é de hoje, remontando a 1867, quando o presidente do país Andrew Johnson aventou a possibilidade, sendo retomada por Trump primeiro em 2019 e no atual momento desde que foi eleito.
A ideia de um país comprar outro é um fato extremamente raro, tanto que a última vez em que um país comprou um território de outro foi no fim do século XIX, e na ocasião, justamente os Estados Unidos adquiriram as Filipinas da Espanha. Num passado mais distante, os Estados Unidos haviam comprado parte de seu território, a Luisiana, da França e o Alasca foi também comprado da Rússia.
O que mais uma vez está sendo levantado são as razões que levariam os Estados Unidos mais uma vez a se interessar por esta que é a maior ilha do mundo fora de um continente.
Os moradores e também os dinamarqueses resistem à ideia de virar território norte-americano por prezarem a sua liberdade e também por saberem que o real interesse dos Estados Unidos está nas enormes riquezas escondidas no subsolo da ilha.
A Groenlândia, chamada de Kalaallit Nunaat no idioma local, é um território que faz parte do Reino da Dinamarca, localizado na América do Norte. O território, mesmo fazendo parte do reino dinamarquês, goza de um alto grau de autonomia, possui uma localização geograficamente privilegiada entre o Oceano Atlântico Norte, o Canada e a Islândia, ficando na rota mais curta entre a América do Norte e a Europa.
Com 2 milhões de quilômetros², mas apenas 56 mil habitantes, a população da Groenlândia é composta principalmente pelos inuítes groenlandeses (incluindo mestiços), groenlandeses de origem dinamarquesa e outros europeus e norte-americanos. Nos últimos tempos tem acontecido um aumento do número de imigrantes, especialmente asiáticos.
E nesse imenso, mas gelado território, como será que se organiza a Igreja Católica e como as pessoas vivem a sua fé?
O cristianismo chegou à ilha por volta do ano 1000, levado pelos colonos nórdicos, sendo Leif Eriksson o responsável por introduzir a fé cristã no território após sua conversão na Noruega.
Entre os convertidos estava sua mãe, que mandou construir a primeira igreja cristã da Groenlândia no assentamento de Brattahlid, por volta do ano 1000. No auge da colonização, havia cerca de 5 mil católicos em dois assentamentos, para os quais foram construídas 16 igrejas e dois mosteiros de monjas beneditinas. A Igreja foi dirigida por 23 bispos entre 1126 e 1537, quando a diocese foi suprimida. Desses, apenas os nove primeiros residiram na Ilha, sendo os demais apenas titulares, em razão do fim da colonização nórdica.
Os nórdicos restabeleceram contatos com a ilha apenas no século XVII. Mais tarde, no ano de 1721, uma expedição missionária e mercantil, liderada pelo dinamarquês-norueguês Hans Egede e seu filho Poul Egede, estabeleceu uma missão em Godthåb, atual Nuuk. Poul Egede foi ordenado bispo em 1779.
A presença católica foi suprimida após a Reforma Dinamarquesa de inspiração protestante, sendo restabelecida no século XX com a instauração da liberdade religiosa, formando a partir de então a pequena comunidade atual.
Hoje, a Igreja Católica na Groenlândia é formada por uma pequena minoria com uma única paróquia localizada na capital Nuuk, que se reúne ao redor da Igreja de Cristo Rei, que atende a cerca de 300 fiéis, grupo constituído em sua maioria de imigrantes que vivem na ilha. A paróquia pertence à Diocese de Copenhague, com padres viajando para atender remotamente.
A maior parte dos católicos está em Nuuk, mas padres viajam para aldeias remotas para celebrar missas em casas, como nas primeiras comunidades cristãs.
Até hoje não houve vocações nativas na ilha e não há sequer um sacerdote católico nascido no país desde os tempos da colonização nórdica medieval.
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