Santa Helena de Constantinopla, cuja memória a Igreja recorda em 18 de agosto, ficou conhecida na tradição cristã por sua peregrinação à Terra Santa e pela descoberta da verdadeira Cruz de Cristo. Sua história também está ligada à preservação de lugares relacionados à vida de Jesus e aos primeiros cristãos.
Segundo a tradição da Igreja, ela promoveu escavações em Jerusalém que levaram à descoberta da verdadeira Cruz de Cristo, tornando-se uma referência quando se fala na preservação dos lugares santos do cristianismo.
O episódio tornou-se um marco para a devoção cristã e para a conservação dos locais ligados à vida, morte e ressurreição de Jesus.
A história da descoberta da verdadeira Cruz na Terra Santa começou no ano de 326, após um período de grande sofrimento vivido pela família Imperial. Helena decidiu empreender uma peregrinação penitencial à Terra Santa.
Mesmo aos 78 anos, manteve-se firme na fé e partiu para Jerusalém, movida pelo desejo de visitar os lugares ligados à vida de Jesus e preservar a memória dos primeiros cristãos.
A partir disso, mandou construir duas basílicas: a da Natividade, em Belém, e a da Ascensão, no Monte das Oliveiras.
No Gólgota, quando Helena ordenou a destruição dos edifícios pagãos, aconteceu algo extraordinário na descoberta da verdadeira Cruz: entre três pedaços de madeira que Helena encontrou, o terceiro, tocado no cadáver de um homem deitado sobre o madeiro, fez com que ele voltasse à vida.
Assim, os três cravos que perfuraram o Corpo de Jesus foram doados por Helena a Constantino, e as preciosas relíquias estão guardadas, atualmente, na Basílica romana de Santa Cruz de Jerusalém.
Mistervlad/ Adobe Stock

Basílica Romana de Santa Cruz de Jerusalém
Arqueologia a serviço da história da fé
O Dia Nacional do Arqueólogo, celebrado no dia 26 de julho, foi estabelecido pela Lei Federal nº 3.924 para a proteção dos monumentos arqueológicos e pré-históricos em todo o território nacional. O arqueólogo é o profissional que atua nesse campo por meio de pesquisas e análises.
Nesse contexto, a arqueologia também dialoga com a fé. Ao longo dos séculos, escavações e estudos contribuíram para identificar e preservar locais mencionados na Bíblia, aproximando os fiéis do contexto histórico em que viveram Jesus e os primeiros cristãos.
Embora a fé cristã não dependa de descobertas arqueológicas, o trabalho dos arqueólogos desempenha um papel importante na preservação da memória histórica da Igreja. Por meio de escavações, estudos e análises, esses profissionais ajudam a identificar, conservar e compreender locais, objetos e vestígios relacionados aos acontecimentos narrados nas Sagradas Escrituras e à história do cristianismo.
A própria Igreja reconhece a contribuição das pesquisas científicas para o estudo das Sagradas Escrituras. No documento “A Interpretação da Bíblia na Igreja”, de 1993, a Pontifícia Comissão Bíblica afirma que a interpretação católica faz uso dos métodos científicos que ajudam a compreender os textos bíblicos em seus contextos histórico, cultural e religioso.
“As publicações de alto nível científico são o instrumento principal de diálogo, de discussão e de cooperação entre os pesquisadores. Graças a elas, a exegese católica pode se manter em relação recíproca com outros ambientes da pesquisa exegética e também com o mundo dos estudiosos em geral.” (cap. C, III. Dimensões características da interpretação católica).
Nesse cenário, a arqueologia desempenha um papel importante ao preservar lugares, objetos e vestígios relacionados à história do cristianismo. O trabalho desses profissionais ajuda a manter viva a memória de diferentes períodos e lugares que fazem parte da história da Igreja.
A história de Santa Helena permanece, assim, ligada à memória dos lugares santos e à tradição cristã sobre a Cruz de Cristo. Séculos depois, a arqueologia continua contribuindo para conhecer, preservar e compreender os vestígios que ajudam a contar essa história.
add_circleO encontro da Cruz de Cristo por Santa Helena
Fonte: Sociedade de Arqueologia Brasileira, Vatican News, Pontifícia Comissão Bíblica
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