Igreja

Carlos Nobre alerta sobre riscos das mudanças climáticas globais

Cientista brasileiro nomeado por Papa Leão XIV para Dicastério é destaque global e reforça integração entre fé e ciência. Leia a matéria completa!

Escrito por Vitória Victal

01 ABR 2026 - 10H23 (Atualizada em 02 ABR 2026 - 13H48)

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Nesta última segunda-feira (30), o Papa Leão XIV nomeou três latino-americanos para compor os membros do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Entre eles está o brasileiro Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

Nobre é considerada uma das maiores regiões mundiais no estudo sobre as mudanças climáticas, especialmente no que diz respeito à Amazônia. Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sua nomeação representa “motivo de profundo orgulho para o Brasil e para toda a comunidade científica internacional” .

Em entrevista ao Portal A12, Nobre destacou que recebeu a nomeação com muita honra para o Dicastério. Em uma de suas falas, o pesquisador disse que a humanidade vive atualmente uma das maiores emergências climáticas que já foi enfrentada, marcada por aparências como o derretimento dos mantos de gelo, liberação de gases de efeito estufa, entre outros fatores. Diante deste cenário, segundo Carlos, há muitos desafios globais a serem enfrentados:

“Nós corremos o risco de se não reduzirmos rapidamente as emissões, nós podemos chegar acima de 2 graus em 2050, talvez até 2,5 graus e isso é um enorme risco.”

Além disso, Nobre ressaltou que um dos fatores que desenvolveu na escolha feita pelo Papa Leão XIV para que ele integrasse o grupo de membros do conselho foi sua participação no Sínodo da Amazônia em 2019, realizado a convite do então Papa Francisco:

“Este Sínodo foi muito positivo para trazer que nós temos que salvar a Amazônia, então, eu, julgo que sim, talvez uma das razões que o atual Papa Leão XIV foi inspirado e talvez essa seja a razão de eu ter sido convidado.”

Carlos Nobre afirmou ter a expectativa de levar ao debate do Dicastério todas as questões ambientais que envolvem todos os países do planeta, com foco na proteção da vida humana e de toda biodiversidade. O pesquisador também destacou que o mundo vive, atualmente, um período marcado por conflitos e tensões globais:

“Temos que combater totalmente as guerras, aí temos um grande desafio cultural, também no mundo, o porquê de muitos políticos negacionistas das mudanças climáticas estarem sendo eleitos. Se isso continuar acontecendo, o risco aumenta demais.” , Carlos A. Nobre

Nobre finaliza destacando que todos esses temas devem estar no centro do debate e, ao concluir, destacou a urgência de que essas questões sejam enfrentadas e solucionadas de forma conjunta.

.: Entenda por que a presidência da CNBB visita o Papa e os dicastérios

JACOB LUND/ADOBE STOCK JACOB LUND/ADOBE STOCK

Quem é Carlos Nobre

Carlos Afonso Nobre é cientista brasileiro de Sistemas Terrestres. Possui graduação em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Brasil, em 1974, e doutorado (PhD) em Meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA, em janeiro de 1983.

Iniciou sua carreira profissional no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, Brasil, como assistente de pesquisa, em 1976. Foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) por mais de 30 anos, onde ajudou a estabelecer o CPTEC-INPE, moderno centro de previsão de tempo e clima, tendo sido seu coordenador-geral de 1991 a 2003. Em 2008, criou o Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE e trabalhou até 2010. Em 2005, criou o Programa de Mudanças Climáticas da FAPESP e trabalhou até 2010.

De 2011 a 2014, foi Secretário Nacional de Políticas de P&D do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), onde criou o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) em 2011. Foi presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) de 2015 a 2016.

Também foi um dos idealizadores do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (Experimento LBA) e foi Cientista Líder do Programa, de 1996 a 2004. Criador da Rede CLIMA do MCTI em 2007 e diretor até 2010. Orientou mais de 40 estudantes de doutorado (PhD) e mestrado (MSc) e é autor ou coautor de mais de 250 publicações científicas.

Foi presidente do Comitê Científico Diretor do Programa Internacional Geosfera-Biosfera (2005-2011). Participou de muitos comitês científicos internacionais, como o Conselho Consultivo de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global do Secretário-Geral da ONU (2013-2016).

Atualmente, é membro do Comitê Diretor Conjunto (JSC) do Programa Mundial de Pesquisa Climática (WCRP) e do Conselho Econômico Global sobre Saúde Planetária da Fundação Rockefeller. Também é membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e membro estrangeiro da Academia Nacional de Ciências dos EUA e da Royal Society do Reino Unido. Participou da elaboração de muitos relatórios do IPCC. Atualmente é professor titular da Cátedra Clima e Sustentabilidade do IEA-USP, copresidente do Painel Científico para a Amazônia e o 1⁰ e único brasileiro nomeado como Guardião Planetário.

Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a preservação ambiental, a inovação científica e a busca por soluções que aliem o desenvolvimento e a sustentabilidade, consolidando seu nome como uma das vozes mais influentes no debate climático global.

Nacional

Embora a CNBB também tenha saudado outras nomeações recentes, como os representantes eclesiais latino-americanos, o destaque principal foi dado ao reconhecimento do pesquisador brasileiro, cuja atuação reforça o protagonismo do país nos debates globais sobre clima e sustentabilidade.

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou saudações aos nomeados três. 

Segundo a CNBB, a nomeação é um reconhecimento da dedicação de Carlos e de sua capacidade de contribuir para os grandes desafios relacionados ao desenvolvimento humano integral. A presidência dos Bispos do Brasil segue confiante de que sua participação neste importante órgão da Santa Sé contribuirá com valiosas ideias e ações em apoio à dignidade humana, à justiça social e ao cuidado com a criação.

.:: Leia mais: Cientista brasileiro integra Dicastério do Vaticano 

Fonte: Vatican News

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