O Papa Leão XIV nomeou nesta terça-feira (30) o pesquisador brasileiro Carlos Nobre como membro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Reconhecido internacionalmente, Nobre é referência em mudanças climáticas, aquecimento global e estudos sobre a Amazônia.
Em entrevista ao G1, o cientista destacou o alcance da missão da Igreja diante da crise ambiental. “A Igreja tem uma grande importância para a humanidade e, quando ela escolhe olhar para o meio ambiente, ela está olhando para as pessoas”, afirmou.
Ele também alertou para a gravidade do cenário atual: “Muitas vidas estão em risco. Estou honrado de ser parte desse grupo e poder ajudar”. Para Nobre, “estamos vivendo uma emergência climática que coloca todos nós em risco. O que está em jogo é o futuro da humanidade”.
Carlos Nobre é graduado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Atua como pesquisador sênior no Instituto de Estudos Avançados da USP e dirige o Instituto de Estudos Climáticos da Universidade Federal do Espírito Santo, além de coordenar o Projeto Amazônia 4.0.
Desde 1983, quando iniciou sua carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), lidera pesquisas voltadas à preservação da Amazônia e aos impactos das mudanças climáticas.
Em 2019, durante o Sínodo da Amazônia, Nobre conversou com o Papa Francisco sobre a necessidade de inserir a pauta ambiental nas reflexões da Igreja. Agora, torna-se o único brasileiro entre os novos membros do dicastério.
Também foram nomeados: arcebispo de Monterrey, México, Rogelio Cabrera López; o arcebispo de Lubumbashi, República Democrática do Congo, Fulgence Muteba Mugalu; o bispo-auxiliar de Cuzco, Peru, Lizardo Estrada Herrera; Daniel Gerard Groody, vice-reitor e decano associado para Educação de Pós-Graduação da Universidade de Notre Dame, EUA; Rampeoane Hlobo, diretor da Rede Jesuíta de Justiça e Ecologia, em Nairobi, Quênia; Linah Siabana, psicóloga; Meghan J. Clark, vice-reitora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos da Universidade de St. John's, Nova York, EUA; Dylan Mason Corbett, diretor executivo do Hope Border Institute, em El Paso, EUA; Léocadie Wabo Lushombo, I.T, professora de Ética Teológica na Escola Jesuíta de Teologia da Universidade de Santa Clara, Berkeley, EUA; e Christine Nathan, Presidente da Comissão Católica Internacional de Migração, em Genebra, Suíça.
Criado em 2016 pelo Papa Francisco por meio do motu próprio Humanam progressionem, o dicastério reúne áreas que antes estavam distribuídas em diferentes conselhos pontifícios. Sua missão envolve temas ligados à economia, trabalho, cuidado da criação, migração e emergências humanitárias.
Segundo o site oficial, o organismo “é chamado a expressar a solicitude da Igreja nas áreas da justiça, da paz e da proteção da criação, bem como naquelas relativas à saúde e às obras de caridade”.
A presença de especialistas que não pertencem ao clero reflete a natureza técnica e interdisciplinar das pautas acompanhadas pelo Dicastério. Questões ambientais, políticas migratórias, saúde pública e desenvolvimento sustentável exigem conhecimento científico e experiência prática.
A Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, que reorganizou a Cúria Romana, reforça que leigos podem exercer funções de governo e colaboração nos organismos vaticanos, conforme sua competência profissional. Assim, a Igreja integra saber acadêmico e missão pastoral.
No caso de Carlos Nobre, a nomeação sinaliza a prioridade dada ao cuidado da “casa comum” e ao diálogo entre fé e ciência. A pauta ambiental, hoje central no cenário global, passa a contar com a contribuição de um dos principais especialistas brasileiros no tema.
add_box Cuidar da Casa Comum é um ato de amor
Fonte: ACI Digital
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