Igreja

Como a convivência entre gerações fortalece a Igreja?

A sabedoria dos mais velhos e a criatividade dos jovens ajudam a transmitir a fé, fortalecer os vínculos comunitários e anunciar o Evangelho

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Escrito por Gustavo Santos

28 OUT 2026 - 13H52 (Atualizada em 28 OUT 2026 - 16H40)

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A fé que atravessa gerações é construída em gestos simples. Está na oração ensinada pelos avós, nas histórias de quem encontrou força em Deus nos momentos difíceis e nas novas formas de compartilhar a mensagem de Jesus Cristo. Quando pessoas de diferentes idades convivem, a comunidade cristã encontra oportunidades para aprender, renovar a esperança e fortalecer sua missão.

Essa troca vai além da relação entre avós e netos. Também acontece nas paróquias, nos grupos de oração, nas pastorais e nos movimentos da Igreja, em que pessoas com experiências e conhecimentos diferentes são chamadas a caminhar juntas.

Na exortação apostólica Christus vivit, dirigida aos jovens e a todo o povo de Deus, o saudoso Papa Francisco alerta para os prejuízos da separação entre gerações. “Ao mundo, nunca foi nem será de proveito a rutura entre gerações”, afirma no número 191 do documento.

O Pontífice explica que cada geração recebe os ensinamentos de quem veio antes e deixa uma herança para aqueles que virão depois. Essa memória ajuda a construir uma sociedade com raízes e referências, sem impedir que novas ideias encontrem espaço.

A sabedoria dos mais velhos e o aprendizado dos jovens

Alessandro Biascioli/Adobe Stock Alessandro Biascioli/Adobe Stock


A experiência de vida dos idosos pode ajudar os mais novos a compreender que a caminhada cristã também é feita de desafios, recomeços e perseverança. Ao compartilhar suas histórias, eles mostram como a oração, a participação na comunidade e a confiança em Deus podem sustentar uma pessoa em diferentes momentos da vida.

Muitas vezes, essa transmissão acontece sem grandes discursos. Uma avó que ensina uma oração, um avô que conta como a fé o ajudou a enfrentar uma dificuldade ou, simplesmente, a presença de uma pessoa idosa na comunidade são exemplos de como o testemunho pode marcar a vida de outras pessoas.

Numa catequese, em 23 de fevereiro de 2022, dedicada ao sentido e ao valor da velhice, o Papa Francisco recorreu à imagem de uma árvore para explicar a importância dessa relação: “os idosos são as raízes da árvore: têm toda a história ali, e os jovens são como as flores e os frutos”.

A imagem ajuda a compreender que a experiência dos mais velhos não deve ser descartada. Ao mesmo tempo, as raízes não existem para impedir o crescimento dos ramos, mas para sustentá-los. A convivência entre gerações, portanto, não significa repetir tudo como foi feito no passado, mas reconhecer o valor da história e encontrar caminhos para continuar a missão.

A participação essencial dos jovens

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Os jovens também têm muito a oferecer à comunidade cristã. Sua criatividade, seus conhecimentos sobre os meios de comunicação e sua capacidade de dialogar com diferentes realidades podem contribuir para que a mensagem do Evangelho alcance mais pessoas.

As redes sociais, por exemplo, permitem compartilhar conteúdos de fé, divulgar iniciativas solidárias e aproximar pessoas que estão distantes da vida comunitária. Esses recursos, porém, ganham sentido evangelizador quando estão a serviço do encontro, do testemunho cristão e do anúncio de Jesus, sem substituir a convivência e a participação na comunidade.

Essa troca exige disposição para ouvir. Os mais velhos precisam encontrar espaço para compartilhar suas experiências, enquanto os jovens devem ser acolhidos em suas perguntas, iniciativas e formas de se comunicar. Não se trata de ignorar as diferenças, mas de fazer delas uma oportunidade de aprendizado.

Leia também: A importância dos avós na transmissão da fé 

Fonte: Santa Sé, Vatican News, Revista de Aparecida

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