Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. Em Igreja

Conhecendo os Evangelhos: Converter o coração aos poucos

(Mt 13, 31-35)

Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; O qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos. Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado. Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a minha boca; Publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo.

Converter o coração, aos poucos

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Quem já viu uma semente de mostarda? Exatamente! Ela não é a menor das sementes! E, quando cresce, também não se torna a maior das hortaliças. Mas, então, Jesus deu informações erradas nas parábolas que contou? É isso que queremos meditar juntos, hoje.

Algo que todos os cristãos ou estudiosos dos Evangelhos deveriam ter em mente é que eles não foram escritos no Brasil, em Português, alguns anos atrás, por vários sacerdotes nacionais. Os Evangelhos foram escritos há mais de 1900 anos, por judeus ou gentios influenciados pela cultura judaica, numa língua Grega influenciada pelo Latim e pelo Aramaico. Portanto, estamos falando de uma cultura muitíssimo diferente da nossa.

Jesus Cristo, mesmo sendo Filho de Deus, respeitou a linguagem e o conhecimento popular da época. Ele não quis revelar que, no século XXI, o ser humano iria se comunicar por aplicativos de mensagens instantâneas (WhatsApp) em vez de conversar presencialmente, e que a humanidade toda estaria interligada por meio de redes (Internet), e que haveria vários websites que falariam de sua pessoa. Esses exemplos servem para que nós nos conscientizemos que as parábolas respeitam a sua época e a sua cultura, e que elas não são verdades científicas, mas são ferramentas linguísticas poderosíssimas que permitem a clara compreensão aos ouvintes daquela e de todas as épocas.

O Reino dos Céus é revelado, aos poucos, por Jesus aos seus discípulos e à multidão. Jesus não define o que seja o Reino dos Céus (Reino de Deus, nos demais evangelistas), mas introduz os seus ouvintes na vivência desse mistério. O Reino dos Céus é como a sementinha, um grãozinho pequeníssimo, que, com o passar do tempo e com as devidas condições, torna-se uma grande e frondosa árvore. Em outras palavras, a nossa pregação e o nosso esforço por fazer a mensagem de Jesus conhecida parecem ser pequenos e não produzirem frutos, mas, aos poucos, os resultados da missão e da pregação da Palavra de Deus vão se revelando como uma sequoia gigantesca; um carvalho inabalável; um cedro exuberante.

Assim acontece com as donas de casa que preparam um pão caseiro. Fazem a massa e põem a quantidade certa de fermento. E acontece o magnífico: a massa vai crescendo, aos poucos. Nossa vida de comunidade, nosso ser cristão também sente isto: celebramos, festejamos, sofremos juntos, e vemos nossa união sempre maior e mais robusta. O amor é o fermento que faz crescer a massa da vida comunitária. Às vezes, encontramos pessoas prontas a fazer o mal, a estragar as nossas vidas, a disseminar a fofoca e as intrigas, e nós tentamos nos aproximar e amá-las sempre mais, não percebemos, mas, aos poucos, assim como o fermento, o amor vai fazendo o seu trabalho de crescimento e superação.

Que as parábolas sejam sinais de um Deus que quer ser claro e direto com os seus amados, para que, compreendendo o amor imensurável que Ele tem por nós, possamos nos aproximar sempre mais dele. Deus não é alguém para se temer, mas alguém para se amar muito. Nosso Deus é o Deus da vida plena, do amor; não o Deus da vingança e do castigo. Por isso mesmo, vem a nós com palavras simples e reveladoras! E nós somos convidados a nos livrar de tudo aquilo que nos torna indesejáveis e insuportáveis para os irmãos. Como faremos isso? Pela quinta vez neste texto, coloco a expressão que tornará possível essa nossa mudança: AOS POUCOS!


Escrito por
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. (Arquivo Santuário Nacional)
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R.

Redentorista, formado em Filosofia e Teologia. Pesquisador das Sagradas Escrituras e História. Acumulou experiência nas Missões Populares e no Santuário Nacional de Aparecida.

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