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Santo Padre

Papa destaca leitura bíblica sem fundamentalismos

Na Audiência Geral, Leão XIV afirma que "a Igreja é chamada a reapresentar a Palavra de Deus com uma linguagem capaz de chegar aos corações."

Escrito por Redação A12

04 FEV 2026 - 08H52 (Atualizada em 04 FEV 2026 - 10H04)

Vatican Media

Durante a Audiência Geral desta quarta-feira (4), na Sala Paulo VI, o Papa Leão XIV afirmou que Deus continua a falar à humanidade por meio da Sagrada Escritura, mas ressaltou que essa Palavra deve ser interpretada sem reducionismos ou leituras fundamentalistas. A catequese deu sequência ao ciclo de reflexões sobre o Concílio Vaticano II, com foco na Constituição Dei Verbum.

No início do encontro, o Pontífice recordou que a Bíblia, lida à luz da Tradição da Igreja, é um espaço de encontro com Deus, capaz de conduzir homens e mulheres ao conhecimento e ao amor de Deus. Como afirmou:

“A Constituição Conciliar Dei Verbum, sobre a qual temos refletido nas últimas semanas, aponta para um espaço privilegiado de encontro no qual Deus continua a falar aos homens e mulheres de todos os tempos, para que, ao ouvi-Lo, possam conhecê-Lo e amá-Lo”.

Leão XIV destacou que os textos bíblicos foram escritos por línguas humanas e estão ligados à história e à cultura de seus autores. Deus, explicou, escolheu comunicar-se assumindo essa linguagem, assim como fez ao encarnar-se em Jesus Cristo.

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Deus e os autores da Escritura

O Papa também abordou a relação entre o Autor divino e os autores humanos da Bíblia. Ao longo da história, a Igreja aprofundou essa compreensão. Hoje, reconhece-se que Deus é o autor principal, mas que os hagiógrafos são verdadeiros autores dos textos sagrados.

Nesse contexto, Leão XIV sublinhou: “Deus nunca menospreza o ser humano e as suas potencialidades!”.

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O risco do fundamentalismo

Para o Pontífice, uma leitura fiel da Escritura exige atenção ao contexto histórico e aos gêneros literários. Ignorar esses elementos pode levar a interpretações distorcidas.

Abandonar o estudo das palavras humanas usadas por Deus corre o risco de resultar em leituras fundamentalistas ou espiritualistas da Escritura que traem o seu significado. Este princípio também se aplica ao anúncio da Palavra de Deus: se perde o contato com a realidade, com as esperanças e os sofrimentos da humanidade, se utiliza uma linguagem incompreensível, incomunicativa ou anacrônica, é ineficaz. Em cada época, a Igreja é chamada a reapresentar a Palavra de Deus com uma linguagem capaz de se encarnar na história e de chegar aos corações.”

Palavra viva para a vida de hoje

Ao mesmo tempo, Leão XIV alertou contra o perigo oposto: tratar a Bíblia apenas como um documento do passado ou um objeto técnico de estudo. Especialmente na liturgia, a Palavra é proclamada para iluminar a vida dos fiéis e orientar decisões do presente.

Essa leitura, afirmou, só é possível sob a ação do Espírito Santo. O Papa citou Santo Agostinho para reforçar sua explicação:

“Quem crê, compreendeu as Sagradas Escrituras [...]; se, por meio dessa compreensão, não for capaz de edificar a dupla caridade, para com Deus e para com o próximo, ainda não as compreendeu”.

Evangelho e vida plena

Ao concluir a catequese, o Papa recordou que o Evangelho não se limita a uma mensagem social ou filantrópica, trata-se do anúncio da vida eterna oferecida por Deus em Jesus Cristo. Leão XIV exortou:

“Queridos irmãos e irmãs, demos graças ao Senhor porque, em sua bondade, não permite que nossas vidas fiquem sem o alimento essencial da sua Palavra”.

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Oração pela Ucrânia

No final da Audiência Geral, o Papa voltou o olhar para a situação da Ucrânia. Ele pediu orações pelo povo que enfrenta novos bombardeios e o rigor do inverno, além de agradecer as iniciativas de solidariedade, especialmente das dioceses da Polônia e de países vizinhos.

Leão XIV recordou que a Igreja segue presente desde o início do conflito, oferecendo ajuda concreta à população civil. A menção ocorreu após mais uma noite de ataques em cidades como Kharkiv e Odessa, em meio ao início de negociações entre Kiev e Moscou, mediadas pelos Estados Unidos, em Abu Dhabi.

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Fonte: Vatican News

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