Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. Em Igreja

Conhecendo os Evangelhos: Jesus e sua família

EVANGELHO – Mt 12, 46-50 

46 Jesus ainda estava falando à multidão, quando sua mãe e seus irmãos, que ficaram de fora, procuravam falar-lhe. 47 Alguém lhe disse: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem falar contigo”. 48 Respondeu Jesus a quem lhe trouxe a notícia: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49 E, apontando para os discípulos, acrescentou: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 50 Pois todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe”. 

Família de Jesus procura por ele entre a multidão

REFLEXÃO

A humanidade como uma família só!  

É um pouco delicado tentar explanar este assunto, pois existem várias maneiras de interpretação sobre tal perícope. Jesus, em um momento de raiva e de mágoa, estaria rejeitando e humilhando a sua família? Ou estaria brigado com sua mãe e com sua parentela?

A resposta deve ser dada com muita cautela. O que sabemos, por certo, é que a família de Jesus estava muito preocupada com as suas andanças e com as ameaças de morte que Ele vinha sofrendo. Em Mc 3, 32; Lc 8, 20 e em Jo 7, 5, percebemos que havia algum tipo de discordância entre Jesus e a sua família. Isso é evidente!

 

"Mateus, em seu Evangelho, quer deixar claro que os discípulos de Jesus se tornam uma família só. Não há mais uma mãe e alguns irmãos, mas há mães e irmãos, muitíssimos".

Mas essa passagem revela alguma amargura no coração de Jesus? E, ainda mais, com relação àquela que O trouxe ao mundo, amamentou-O e educou-O? Não! A explicação é outra!

Mateus, em seu Evangelho, quer deixar claro que os discípulos de Jesus se tornam uma família só. Não há mais uma mãe e alguns irmãos, mas há mães e irmãos, muitíssimos. O discipulado também ganha um espaço muito amplo nos Evangelhos de Mateus e Lucas. Por isso, o que temos aqui, é o apelo de Jesus ao Seguimento. Aqueles que acreditam são a família humana unida.

Não se sabe se esse fato realmente aconteceu, mas podemos afirmar com certeza que Jesus não era nenhum ingrato com a sua mãe nem com seus familiares. Por isso, devemos ler essa passagem com os olhos simbólicos do evangelista!

Mas, e nós? Consideramo-nos irmãos uns dos outros? Falta muito para que cheguemos a uma família concreta de discípulos. Mas estamos a caminho, isso é o que realmente importa! Será tão lindo quando todos os cristãos pararem de se matar dentro das igrejas, templos e santuários e concentrarem toda a sua força na luta contra a morte das pessoas!

Um padre, certa vez, num encontro dos líderes de uma comunidade (que brigavam e reverberavam frases grosseiras), disse: “Pessoal! Enquanto nos matamos aqui dentro, milhares morrem abandonados lá fora!”. Essa é a dica: usemos o espaço de nossas igrejas para pensar em artifícios contra os males, não para alimentar guerras e mortes! Que Maria, a mãe que sofria no coração as dores e perseguições que faziam a seu Filho, seja o exemplo de fidelidade para as nossas comunidades!

Padre Queimado articulista colunista

8 Comentários

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Anterior
Próximo
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R., em Igreja

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.