Igreja

Conhecendo os Evangelhos: O Bom Samaritano

Conhecendo os Evangelhos compreende uma série de artigos interpretativos. Em cada artigo será apresentada uma passagem bíblica e uma reflexão.

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Escrito por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R.

17 MAR 2015 - 08H17 (Atualizada em 31 JUL 2026 - 15H53)

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Evangelho do Bom Samaritano (Lc 10,25-37)

25 Levantou-se um doutor da Lei e, para pôr Jesus à prova, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?” 26 Disse-lhe Jesus: “Que está escrito na Lei? Como é que lês?” 27 Respondeu ele: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo”.

28 Falou-lhe Jesus: “Respondeste bem; faze isto e viverás”. 29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus então contou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram. Depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto.

31 Por acaso, desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. 32 Igualmente, um levita, chegando àquele lugar, viu-o e também passou adiante. 33 Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão.

34 Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho. Colocou-o sobre a sua própria montaria, levou-o a uma hospedaria e tratou dele. 35 No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: ‘Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta te pagarei’.

36 Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” 37 Respondeu o doutor: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze tu o mesmo”.

Reflexão sobre a parábola do Bom Samaritano

Esta é uma das parábolas mais belas contadas por Jesus, pois a força de seu significado consegue abalar tudo o que se compreendia, naquela época, sobre amar o próximo.

O sacerdote e o levita representavam pessoas que possuíam prestígio entre a população: pessoas de boa índole que viviam para servir. O samaritano era uma figura rejeitada na Galileia e na Judeia, ainda que também fosse judeu, de uma forma ou de outra. E é exatamente o samaritano que se torna o próximo, o irmão daquela vítima da maldade humana. Imaginem o quanto isso assustou a multidão que ouvia Jesus!

 O nosso próximo é quem está ao nosso redor: são as pessoas que participam de nossa vida.

Quem é o nosso próximo?

O doutor da Lei compreendia bem a necessidade de amar a Deus, mas ainda não tinha clareza sobre quem era o seu próximo. Seriam somente aqueles que participavam do povo judeu? Seriam somente os que compreendiam as Escrituras? Eram essas as dúvidas que Jesus queria sanar.

Mesmo assim, uma das frases mais intrigantes deste trecho do Evangelho é a resposta daquele doutor quando Jesus pergunta: “Qual dos três parece ter sido o próximo daquele que estava caído?” Ele não responde que foi o samaritano, mas diz: “Aquele que usou de misericórdia”.

Na realidade, é difícil para o doutor da Lei aceitar como próximo alguém que era considerado inimigo. Jesus aponta para a importância de amarmos os nossos inimigos, pois podem ser eles os únicos a nos estender as mãos quando estivermos necessitados.

O nosso próximo é quem está ao nosso redor: são as pessoas que participam de nossa vida. O samaritano da parábola sabia bem disso, pois não olhou para a religião, o sexo, a condição social ou a cor daquela pessoa ferida em seu caminho. Ele simplesmente a ajudou e se doou por aquele abandonado, que era o seu próximo.

O chamado a ser uma Igreja samaritana

Ainda hoje, não somos suficientemente bons samaritanos, pois é muito mais fácil assumirmos o papel dos sacerdotes e levitas, que pregam muitas coisas bonitas, mas não são capazes de estender a mão àqueles que apanham da vida.

A Igreja tem de ser samaritana. Ela deve buscar os sofredores, os indigentes, os abandonados e os desprezados pelo sistema selvagem em que vivemos. Basta sermos uma Igreja espectadora! Já é hora de nos tornarmos uma Igreja ativa, que trabalha e põe a mão na massa para mudar a realidade.

Se apenas falarmos e olharmos de longe, seremos vistos pela sociedade como um museu que marcha contra a realidade. Por isso, queremos resgatar os feridos e os caídos, os pobres e os escravizados, para que sejamos vistos como sinal da salvação de Jesus para a humanidade e como fermento que faz a massa crescer.

O Papa Francisco tem se esforçado muito para que a Igreja exerça o seu papel de samaritana: aquela que resgata os feridos e os abandonados, curando-lhes as chagas que a sociedade lhes inflige. Com sua maneira simples de ser, o Papa convida todos nós a uma reavaliação de nosso seguimento a Cristo.

Queremos ajudar os crucificados a descer da cruz ou queremos pregar ainda mais pessoas no madeiro?

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