Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. Em Igreja

Conhecendo os Evangelhos: O Bom Samaritano

Conhecendo os Evangelhos compreende uma série de artigos interpretativos.
Em cada artigo será apresentada uma passagem bíblica e uma reflexão.

EVANGELHO – Lc 10, 25-37

25 Levantou-se um doutor da lei e, para por Jesus à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna? 26 Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês? 27 Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo. 28 Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás. 29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? 30 Jesus então contou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto. 31 Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. 32 Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. 33 Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão. 34 Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele. 35 No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta te pagarei. 36 Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? 37 Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo. 

O bom samaritano

REFLEXÃO

Esta é uma das parábolas mais belas contadas por Jesus, pois a força de seu significado consegue abalar tudo o que se compreendia sobre amar o próximo na época.

O sacerdote e o levita faziam o papel das pessoas que possuíam crédito entre a população – pessoas de boa índole que viviam para servir. O samaritano era a imagem mais odiada na Galileia e na Judeia, ainda que também fosse judeu, de uma forma ou de outra. E é exatamente o samaritano que se tornará o próximo, o irmão daquela vítima da maldade humana. Imaginem o quanto isso assustou a multidão que ouvia Jesus!

 

"O nosso próximo é aquele que está ao nosso redor, são as pessoas que participam de nossas vidas". 

O doutor da lei compreendia bem a necessidade de se amar a Deus, mas ainda não tinha claro na mente quem era o seu próximo! Seria somente aqueles que participavam do povo judeu? Seriam somente os que compreendiam as Escrituras? São essas dúvidas que Jesus queria sanar! Mas, mesmo assim, uma das frases mais intrigantes deste trecho do Evangelho é a resposta daquele doutor, quando Jesus pergunta: qual dos três parecia ser o próximo daquele que estava caído! Ele não diz que foi o samaritano, mas diz: aquele que usou de misericórdia! Na realidade, é duro para o doutor da lei aceitar uma pessoa que era considerada inimiga como seu próximo. Jesus acena para a importância de amarmos os nossos inimigos, pois podem ser eles os únicos que nos estenderão as mãos quando estivermos necessitados!

O nosso próximo é aquele que está ao nosso redor, são as pessoas que participam de nossas vidas. O samaritano da parábola sabia bem disso, pois ele não olhou para a religião, para o sexo, para a condição social ou para a cor daquela pessoa ferida em seu caminho, ele apenas a ajudou; doou-se a um abandonado, que era o seu próximo.

Nós, ainda hoje, não somos suficientemente bons samaritanos, pois é muito mais fácil fazermos o papel de sacerdotes e levitas, que pregam muitas coisas bonitas, mas não são capazes de estender a mão àqueles que apanham da vida! A Igreja tem de ser Samaritana. Ela tem de buscar os sofredores, os indigentes, os abandonados e os desprezados pelo sistema selvagem em que vivemos! Basta de sermos Igreja espectadora! Já é hora de nos tornarmos Igreja ativa, que trabalha, põe a mão na massa para mudar a realidade. Se somente falarmos e olharmos de longe, seremos vistos pela sociedade como um museu que marcha contra a realidade, por isso, queremos resgatar os feridos e os caídos, os pobres e os escravizados, para que assim sejamos vistos como sinal da salvação de Jesus à humanidade; como fermento que faz a massa crescer!

O Papa Francisco tem se esforçado muito para que a Igreja exerça o seu papel de samaritana; aquela que resgata os feridos e os abandonados, curando-lhes as chagas que a sociedade lhes inflige. Com a sua maneira simples de ser, o Papa convida a todos nós para uma reavaliação de nosso seguimento a Cristo. Queremos ajudar os crucificados a saírem da Cruz ou queremos pregar ainda mais pessoas no madeiro?

Padre Queimado articulista colunista

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