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Igreja

Conhecendo os Evangelhos: O dom maior é o perdão

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Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. (Arquivo Santuário Nacional)

Escrito por Padre José Luis Queimado, C.Ss.R.

22 JUL 2021 - 08H00 (Atualizada em 31 JUL 2026 - 15H58)

EVANGELHO – Lc 5,17-26

Um dia, Jesus estava ensinando. Ao seu redor, estavam sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as localidades da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-O realizar várias curas.

Apareceram algumas pessoas trazendo, em um leito, um homem paralítico. Procuravam introduzi-lo na casa e colocá-lo diante de Jesus. Mas, não encontrando por onde entrar, por causa da multidão, subiram ao telhado e, por entre as telhas, desceram o homem com o leito até o meio da assembleia, diante de Jesus.

Vendo a fé que tinham, Jesus disse: “Meu amigo, os teus pecados te são perdoados”. Então, os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer consigo mesmos: “Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão unicamente Deus?”.

Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, respondeu-lhes: “Que pensais em vossos corações? O que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou ‘Levanta-te e anda’? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem, na Terra, poder de perdoar pecados” — disse Ele ao paralítico —, “eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa”.

No mesmo instante, o homem levantou-se diante deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus. Todos ficaram admirados e glorificavam a Deus. Tomados de temor, diziam: “Hoje vimos coisas maravilhosas”.

A cura do paralítico e o poder do perdão

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Jesus cura o paralítico e perdoa seus pecados

Estamos diante de uma comovente e intrigante passagem do Evangelho de Lucas. O tema mais controverso dessa perícope, ou seja, desse trecho bíblico, não é a cura realizada por Jesus, mas a novidade de que Ele perdoa os pecados.

Para o judeu do primeiro século, se alguém afirmasse ter o poder de perdoar pecados, estaria se igualando a Deus e poderia ser condenado à morte. Essa acusação esteve entre os conflitos que levaram Jesus à cruz, somada aos seus questionamentos à estrutura social e religiosa da época.

Como o paralítico chegou até Jesus?

Quanto ao ato inusitado daqueles homens que fizeram o paralítico descer pelo telhado, há questionamentos sobre o conhecimento de Lucas a respeito da realidade palestinense do primeiro século.

Estudos arqueológicos indicam que muitas casas simples daquela época e região eram construídas com tijolos rudimentares, rebocadas com barro e possuíam chão de terra batida. O teto era formado por uma estrutura de madeira, coberta com palha, ramos e outros materiais. O uso de telhas de barro cozido, comum em construções romanas, não era frequente nas casas mais simples.

Marcos, ao narrar o mesmo acontecimento, afirma: “Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens. Como não pudessem apresentá-lo por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico” (Mc 2,3-4).

O verbo grego empregado por Marcos é apestégasan (ἀπεστέγασαν), que significa “removeram o teto”. Marcos descreve a retirada da cobertura, enquanto Lucas menciona que o paralítico foi descido por entre as telhas.

Na versão de Mateus, o detalhe do telhado é deixado de lado. O evangelista concentra a narrativa na indignação dos escribas diante da atitude de Jesus de perdoar os pecados do paralítico (cf. Mt 9,2-7).

Jesus tem autoridade para perdoar os pecados

O interesse do evangelista Lucas não se limita à fé demonstrada pelos homens que carregaram o enfermo e o fizeram chegar até Jesus. O relato evidencia a diferença entre Jesus e os outros profetas: Ele é o Filho de Deus, com poder para curar e autoridade para perdoar os pecados.

No Evangelho, Jesus realiza a cura para mostrar que o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar pecados. O milagre confirma a autoridade do Mestre para conceder o perdão.

Algo que nos impressiona é o desfecho do acontecimento. O paralítico se levanta, pega o leito e parte. Jesus não exige que ele O siga. A missão daquele que recebeu o perdão e a cura era glorificar as maravilhas de Deus em sua casa e entre os seus.

O leito segue com ele porque representa sua vitória sobre os males que o afligiam. Afinal, a primeira atitude de Jesus diante daquele paralítico não foi curá-lo, mas perdoá-lo. Assim, os pecados que a tradição e a cultura lhe atribuíam eram considerados mais pesados do que sua própria limitação física.

O perdão é o maior dom

E hoje? Seríamos capazes de atitudes audazes para fortalecer nossa fé? Os telhados que impedem as pessoas de chegar a Cristo parecem cada vez mais difíceis de remover.

Esse é o nosso trabalho: libertar aqueles que não têm voz nem vez, ajudá-los a remover as barreiras que os impedem de viver uma fé intensa em Jesus e aprender a perdoar uns aos outros.

Este é um dos dons mais divinos que Jesus nos concedeu: o perdão.

Escrito por:
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. (Arquivo Santuário Nacional)
Padre José Luis Queimado, C.Ss.R.

Missionário Redentorista com experiência nas missões populares, no atendimento pastoral no Santuário Nacional de Aparecida, passou pela direção do A12, fez missão na Filadélfia nos Estados Unidos e também foi diretor editorial adjunto na Editora Santuário.

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