Por Joana Darc Venancio Em Igreja Atualizada em 25 SET 2017 - 11H18

Métodos e meios pedagógicos a serviço da plena realização humana

Anísio Teixeira eternizou uma “Nova Filosofia de Educação”. Buscou inspiração na Filosofia e no Projeto de educação de John Dewey, do qual foi aluno. Não concebia a ideia de que a escola perpassasse um ensino desligado da vida. Em sua visão, a escola deve sustentar, em suas relações, um projeto de conquista dos ideais e valores indispensáveis à vivência em sociedade. À escola é conferido o legado da promoção dos “homens novos” para a nova sociedade. Afirma Anísio Teixeira: 

"Que enormes, pois, são as novas responsabilidades da escola: educar em vez de instruir; formar homens livres em vez de homens dóceis; preparar para o futuro incerto e desconhecido em vez de transmitir um passado fixo e claro, ensinar a viver com mais inteligência, com mais tolerância, mais finamente, mais nobremente e com maior felicidade em vez de simplesmente ensinar dois ou três instrumentos de cultura e alguns manualzinhos escolares(...) Urge reformar a escola para que ela possa acompanhar o avanço 'material' de nossa civilização e preparar uma mentalidade que moral e espiritualmente se ajuste com a presente ordem das coisas" (cf. Pequena Introdução à Filosofia da Educação, p. 42-43).

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No anseio de ver inaugurado o novo modelo de escola, não somente se empenhou em buscar propostas para o novo projeto, como fez críticas severas ao modelo tradicional que não tinha conexão com a vida e com a formação humana. A nova Pedagogia inaugura a ideia de participação, de descobertas e de experimentação. À escola e aos Professores foram entregues à condição de "motivadores" da aprendizagem. Ao Professor coube o papel de despertar o aluno para o gosto da construção do conhecimento. Para tanto o aluno não poderia mais ser visto como um ser vazio ou um simples aprendiz.

Papa João Paulo II, hoje Santo, na Carta Encíclica Evangelium Vitae, orienta sobre o sentido da educação que vai muito além das formalidades pedagógicas:                                                                                                                                     

"À formação da consciência está estritamente ligada a obra educativa, que ajuda o homem a ser cada vez mais homem, que o introduz sempre mais profundamente na verdade, que o orienta para um crescente respeito da vida, que o forma nas justas relações entre as pessoas" (cf. 97). 

 

A falta de significação dos conteúdos faz a escola fracassar em sua missão. 

A condição de aprendiz, criticada pela Escola Nova, torna o aluno um simples imitador. O aluno deve ser protagonista do processo. Ele traz consigo, vivências, talentos, desejos, ansiedades e deve tornar-se o objeto motivador da aprendizagem e assim, cada vez mais, compreender os sentidos da vida e a importância convivência fraterna.

A falta de significação dos conteúdos faz a escola fracassar em sua missão. Nessa perspectiva, Anísio Teixeira introduziu o pensamento educacional coletivo. A Escola deve estar imbuída da intenção pedagógica voltada para a experimentação e ensaios para a vida em sociedade. Por isso ele afirma:

"Hoje, sem nenhum exagero, se quisermos que a nova ordem de coisas funcione com harmonia e integração, precisamos que cada homem tenha as qualidades de um líder. Pelo menos a si ele tem que guiar, e o tem que fazer com mais inteligência, mais agilidade, mais hospitalidade para o novo e imprevisto, do que os velhos líderes autoritários de outros tempos" (cf. Pequena Introdução à Filosofia da Educação, 1930, p. 61).                                  

Anísio Teixeira pensou na instrumentalização e no treinamento dos Professores para que instruídos 'reaprendam o seu lugar' na sala de aula. Os Professores devem conduzir a prática pedagógica para a participação, renegando a passividade e a formalização. A escola foi convidada a se adequar à realidade do aluno e não o aluno à sua. A metodologia do ensino deve valorizar o interesse, a experiência, a pesquisa, a descoberta, o método de soluções de problemas.

O aprendizado está condicionado à situação real que possibilita a prática, a experimentação, assim como deve acontecer na vida. Papa Bento XVI na Carta Encíclica 'Caritas In Veritate' elucida: 

 

A Escola deve ter métodos e meios pedagógicos

que ajudem chegar à plena realização humana.

"Com o termo 'educação', não se pretende referir apenas à instrução escolar ou à formação para o trabalho – ambas, causas importantes de desenvolvimento - mas à formação completa da pessoa. A este propósito, deve-se sublinhar um aspecto do problema: para educar, é preciso saber quem é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. A progressiva difusão de uma visão relativista desta coloca sérios problemas à educação, sobretudo à educação moral, prejudicando a sua extensão a nível universal. Cedendo a tal relativismo, ficam todos mais pobres, com consequências negativas também sobre a eficácia da ajuda às populações mais carecidas, que não têm necessidade apenas de meios econômicos ou técnicos, mas também de métodos e meios pedagógicos que ajudem as pessoas a chegar à sua plena realização humana" (cf. 61). 

Neste sentido, a escola não deve somente promover aprendizagem de conceitos, de lei social ou da física, mas uma aprendizagem de assimilação e adesão aos hábitos e atitudes que irão delinear a vivência humana em sociedade. Não basta o aluno aprender as fórmulas da água, por exemplo, mas ter atitudes de preservação e respeito para com o meio ambiente. O efeito se traduz pelo prazer de aprender as fórmulas da água, por ser esse um elemento que satisfaz as necessidades da vida. Se causar o efeito de prazer, a prática está garantida.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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