Por Irmão Diego Joaquim, C.Ss.R Em Igreja

‘Nunca se roubou tanto!’. Será?

Para o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, nunca se roubou tanto neste país. Com esta afirmação, podemos concluir que ele admite que houve roubos em outros momentos da nossa história (inclui seus oito anos de mandato?). A afirmação reflete a perplexidade de qualquer cidadão ao constatar a quantidade de casos de corrupção descobertos diariamente no Brasil.

corrupção

Mas isso não é de agora. Em uma obra do Marquês de Sade de 1783, ele construiu o seguinte diálogo: “E as leis, meu amigo, as leis?”. E o interlocutor responde: “Eu jamais as vi resistirem ao peso do dinheiro”. E em nossa sociedade brasileira, a maior parte das pessoas não considera estranho o favorecimento de alguém prejudicando outros; “pagar um café” para conseguir um determinado serviço público ou conseguir “quebrar” uma multa de trânsito.

É o mesmo que faz um político, ou um servidor público, ao favorecer uma determinada empresa numa licitação, em troca de um “cafezinho” milionário. Assim como conseguir o favor de um amigo no serviço público, para que a máquina da prefeitura venha limpar o terreno particular. Enfim, exemplos não faltam de como a corrupção é um comportamento que faz parte do nosso cotidiano, e que muitas vezes, fazemos sem perceber, sem acreditar que é incorreto.

Para a jurista Jânia Lopes Saldanha, a corrupção promove a morte simbólica das funções e dos papéis dos agentes públicos e do próprio Estado. Isto porque aqueles que elaboram a leis deviam cumpri-las de forma exemplar, e ainda fiscalizar o cumprimento por todos. Mas estes são os primeiros a desrespeitá-las.

Saldanha também analisa que a corrupção transforma a democracia numa tirania. Isso porque ela camufla o bom funcionamento das instituições, para delas se beneficiar na aparente legalidade. É tudo falso! É o modelo “moderno” de gestão pública que temos hoje em nosso país, e que muitas vezes é uma forma apenas de camuflar práticas ilegais: o Estado começa a abrir mão da execução dos serviços públicos, realizando privatizações e terceirizações. Em muitos casos, é apenas corrupção oficial e profissional.

O fim da corrupção em nosso país passa pelo fortalecimento das instituições de fiscalização, mas antes disso, por uma mudança de princípio. Isso vale não somente para quem é eleito para o serviço público, mas para todos os cidadãos: pensar primeiro no bem comum.

Assinatura Ir. Diego Joaquim

Escrito por
Irmão Diego Joaquim, C.Ss.R.
Irmão Diego Joaquim, C.Ss.R

Missionário Redentorista da Província de Goiás

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