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O que a Igreja celebra na terça-feira do Carnaval?

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Escrito por Laís Silva - Editado por Giovana Marques

07 FEV 2024 - 11H33 (Atualizada em 13 FEV 2026 - 12H27)

Zvonimir Atletic / Shutterstock

A Igreja Católica tem festas um calendário litúrgico que marca determinados tempos, como a Quaresma, a Páscoa, o Natal, além de diversas de santos e tradições de devoções. 

O Carnaval, não é uma festa litúrgica, mas sabia que existe uma tradição para esta data na Igreja? A Igreja é convidada, na terça-feira de Carnaval, a celebrar a devoção à Sagrada Face de Jesus.

Essa devoção tem início na história de que o rosto de Cristo teria ficado impresso no lenço que Verônica usou para enxugá-lo do suor e do sangue no caminho até o Calvário. 

Um fato interessante é que uma moça que estendeu o lenço para abraçar o rosto de Cristo não se chamava Verônica.  Esse nome foi atribuído a ela formado por palavras latinas e gregas que significam “Verdadeiro Ícone”, “Verdadeira Imagem”. Aliás, não se conhece o seu nome.

Existem pessoas que acreditam que “Verônica” seja uma variante de “Berenice”. O nome “Verônica” apareceu pela primeira vez no documento apócrifo “As Atas de Pilatos”, justamente pelo fato da impressão do rosto de Jesus naquele lenço, isto é, da “Verdadeira Imagem de Cristo”, o “Vero Ícone”. Por extensão, o nome “Verônica” passou a ser usado para indicar aquela mulher que o ajudou, e não apenas o pano que coletou o “Verdadeiro Ícone” de Jesus.

Esse gesto parece simples, mas ensina a consideração, o esforço, o sofrimento e a Paixão de Cristo por todos nós.

Reprodução/ Wikipédia
Reprodução/ Wikipédia

Santa Verônica

Conta a tradição que Verônica morava em Jerusalém e, após a Paixão do Senhor, se passou por Roma levando aquele véu tão especial.

Conte-se também que, quando chegou à Itália, esteve diante do imperador romano Tibério e o curou após fazê-lo tocar aquela imagem sagrada.

Acredita-se que ela tenha vivido na capital do império na mesma época em que lá ficaram os apóstolos São Pedro e São Paulo.  E que, ao morrer, teria deixado a relíquia do “Vero Ícone” para o Papa Clemente I.

No primeiro Ano Santo da história, celebrado em 1300, o Véu da Verônica foi uma das Mirabilia Urbis, ou seja, maravilhas da cidade de Roma, expostas aos peregrinos em visita à Basílica de São Pedro no Vaticano.

Os rastros do Véu da Verônica foram perdidos nos anos sucessivos ao Ano Santo, até que uma relíquia foi reencontrada e preservada na Igreja da Santa Face de Manopello.

O Papa Bento XVI foi o primeiro pontífice a visitá-lo, em setembro de 2016.

Origens Antigas/Reprodução
Origens Antigas/Reprodução


Outra tradição ligada à Devoção da Sagrada Face de Jesus

Em janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma, com a aprovação do Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na terça-feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa.

Essa tradição começou quando a Beata Irmã Maria Pierina de Micheli teve revelações em que Jesus pedia que fosse feita uma substituição pelas ofensas cometidas contra Ele, a revelação aconteceu em uma Sexta-feira Santa, durante o tradicional beijo ao Cristo. Nesta foi revelada a ela: “Todos Me beijam as chagas, mas ninguém beija o rosto Meu para reparar o beijo de Judas”.

Thiago Leon
Thiago Leon

Esse pedido de peças é, na verdade, um pedido para cada cristão sério o amor de Deus por nós. Quando alguém ofende e não repara tal ofensa, fica satisfeito com ingratidão.

No Brasil, a data para a celebração da Festa da Sagrada Face de Jesus foi colocada na Terça-feira de Carnaval, para reparar todos os pecados cometidos durante as festividades carnavalescas.

Quem também teve uma revelação para a carmelita Maria de São Pedro, que recebeu revelações, como o venerável Leigo Léon Papin Dupont, teve acesso e passou a divulgar. Após muita perseguição, ele conseguiu, em 1876, a aprovação eclesiástica da devoção à Sagrada Face de Jesus, e criou as confrarias para divulgá-la, até que em 1885 recebeu o reconhecimento pontifício.

Foi em uma dessas confrarias que os membros da família de Santa Teresa do Menino Jesus participaram, e graças a ela essa tradição também ganhou um grande impulso, além dos estudos sobre o Santo Sudário de Turim.

Entre as histórias que deram início a esta tradição, a lição deixada para todos é a de que é necessário considerar a Paixão de Cristo por cada um de nós.

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Fonte: Aleteia

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