Igreja

Três sacerdotes mártires de Monte Sole são beatificados em Bolonha

Ubaldo Marchioni, Elia Comini e Martino Capelli foram reconhecidos como mártires da fé

Linkedin

Escrito por Luciana Gianesini

28 SET 2026 - 08H35 (Atualizada em 28 SET 2026 - 09H14)

IA/ A12

A Igreja Católica ganhou três novos beatos neste domingo (27). Os sacerdotes Ubaldo Marchioni, Elia Comini e Martino Capelli foram beatificados durante uma celebração realizada na Basílica de São Petrônio, em Bolonha, na Itália. Os três foram mortos em 1944, durante os massacres de Monte Sole, na região de Bolonha, e tiveram reconhecido pela Igreja o martírio em ódio à fé.

A celebração foi presidida, como delegado do Papa Leão XIV, pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. Participaram da Eucaristia o cardeal Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, além de bispos, sacerdotes e representantes das famílias religiosas dos novos beatos. Cerca de 2.500 fiéis acompanharam a celebração, que contou com mais de 150 concelebrantes.

No início do rito, o cardeal Zuppi apresentou ao representante do Papa o pedido de beatificação. Em seguida, os postuladores apresentaram a trajetória dos três sacerdotes, e o cardeal Semeraro proclamou a carta apostólica que os inscreveu no registro dos beatos. As imagens dos novos beatos foram então apresentadas aos fiéis, seguidas pela procissão com suas relíquias.

Reprodução/ Vatican Media Relíquias dos novos beatos mártires de Monte Sole

Sacerdotes junto ao povo durante a guerra

Ubaldo Marchioni era sacerdote da Arquidiocese de Bolonha e pároco de San Martino di Caprara e Santa Maria Assunta de Casaglia. Em 29 de setembro de 1944, durante o massacre de Casaglia, permaneceu junto às pessoas que haviam buscado refúgio na igreja. Foi morto pelas tropas nazistas nos degraus do altar, depois de acompanhar sua comunidade até o fim. Entre as ruínas da igreja foi encontrada posteriormente uma âmbula perfurada por balas, que se tornou um dos símbolos da memória de seu martírio.

Elia Comini nasceu em Calvenzano di Vergato, na região de Bolonha, em 1910, e era sacerdote salesiano. Durante a guerra, retornou à região de origem para colaborar no atendimento pastoral à população. Em 29 de setembro de 1944, ao saber que havia pessoas feridas em Creda, partiu com Martino Capelli para prestar assistência e levar os sacramentos. Os dois foram presos pelas tropas alemãs e permaneceram junto a outros homens até serem mortos.

Martino Capelli nasceu em Nembro, na província de Bérgamo, em 20 de setembro de 1912. Aos 12 anos, ingressou na formação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, os Dehonianos, e foi ordenado sacerdote em Bolonha, em 1938. Tinha o desejo de ser missionário, mas, durante a Segunda Guerra Mundial, dedicou seu ministério às populações atingidas pela violência na região de Monte Sole. Em Salvaro, trabalhou pastoralmente ao lado de Elia Comini e do sacerdote Fidenzio Mellini, oferecendo assistência espiritual e material à população.

Os três sacerdotes viveram seu ministério em meio à violência dos massacres de Monte Sole, perpetrados pelas forças nazistas entre 29 de setembro e 5 de outubro de 1944. Segundo a Santa Sé, cerca de 770 pessoas foram mortas nesse período. Marchioni foi assassinado em Casaglia, enquanto Comini e Capelli foram mortos em 1º de outubro, juntamente com outras vítimas, no massacre de Pioppe di Salvaro.

O reconhecimento do martírio

O reconhecimento da morte dos três como martírio em ódio à fé considera a fidelidade com que exerceram o ministério sacerdotal em meio à perseguição e à violência. Os decretos promulgados pelo Dicastério para as Causas dos Santos reconheceram que os sacerdotes foram mortos por causa de sua fé e de seu serviço à Igreja e à população.

Durante a homilia, o cardeal Marcello Semeraro apresentou os três como testemunhas do Bom Pastor, destacando sua permanência junto ao povo em meio à violência. A vida de cada um, segundo o representante do Papa, expressou a disposição de permanecer próximo daqueles que sofriam, até o dom da própria vida.

Antes mesmo de sua ordenação, Martino Capelli havia manifestado o desejo de oferecer a vida a Deus. Em um texto escrito em 1931, dirigiu-se à Virgem de Guadalupe, pedindo a graça de um dia ser mártir de Cristo. Elia Comini, por sua vez, permaneceu junto à população atingida pela guerra e acompanhou Capelli na missão de levar assistência aos feridos em Creda. Ubaldo Marchioni decidiu permanecer com os fiéis que haviam procurado abrigo na igreja de Casaglia, onde foi morto.

Ao final do rito, foram apresentadas as relíquias dos três novos beatos: uma Bíblia e uma caneta de Ubaldo Marchioni; o diário pessoal de Elia Comini; e um escrito de Martino Capelli dedicado à entrega de sua vida a Deus.

A memória litúrgica dos três novos beatos será celebrada em 13 de outubro.

LEIA TAMBÉM: Os santos e beatos estão no céu? Entenda!

Fonte: Dicastério para as Causas dos Santos, Arquidiocese de Bolonha, Vatican News e Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos)

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Luciana Gianesini, em Igreja

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail