Liturgia

A Liturgia das Horas: a oração da Igreja

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Escrito por Craig Kinneberg

24 SET 2016 - 06H00 (Atualizada em 21 JUL 2026 - 14H31)

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A celebração da Liturgia das Horas é uma rica tradição litúrgica da Igreja Católica, com origem nos primeiros séculos da cristandade. Ao longo do tempo, essa tradição sagrada passou por mudanças e adaptações para melhor responder às necessidades de cada época, mas, em sua essência, permaneceu a mesma.

Nesta breve reflexão, gostaria de me concentrar em um desses aspectos imutáveis, que considero belo e também urgente nos dias de hoje: sua característica de ser uma oração da Igreja universal. Trata-se de uma oração que expressa a união que vivemos como católicos e aprofunda a comunhão pela qual o Senhor rezou solenemente antes de sua morte: “Para que sejam um, como nós” [1].

A oração que santifica o dia

“A oração pública e comunitária do povo de Deus é, com razão, considerada uma das principais funções da Igreja” [2]. Desde o princípio, os cristãos têm se dedicado a esse dever, rezando em horários fixos ao longo do dia, como também era costume entre os judeus.

Esses primeiros cristãos desejavam seguir o exemplo do Senhor Jesus, que frequentemente passava longos períodos em oração. Procuravam também obedecer à palavra de São Paulo, que os encorajava a “orar sem cessar” [3]. Aos poucos, essa oração se organizou em um ciclo de horas destinado a santificar o dia inteiro e tornou-se conhecida como Liturgia das Horas.

Uma oração em comunhão com toda a Igreja

Ao rezar a Liturgia das Horas, a pessoa entra em uma união mais profunda com Jesus Cristo e, por meio dele, com todo o seu Corpo, que é a Igreja. Pois “todos os que rezam assim cumprem, por um lado, a obrigação própria da Igreja e, por outro, participam na imensa honra da Esposa de Cristo, porque estão em nome da Igreja diante do trono de Deus, a louvar o Senhor” [4].

Seja um bispo, sacerdote ou diácono, que tem a obrigação de rezar a Liturgia das Horas, seja um leigo, que não possui essa obrigação, todos os que celebram essa oração vivem e expressam a natureza comunitária da Igreja. Dessa maneira, católicos de todo o mundo se unem em oração e dirigem juntos o olhar para Cristo, celebrando sua presença verdadeira entre nós e, ao mesmo tempo, aguardando sua vinda.

Mesmo quando reza sozinho, quem celebra a Liturgia das Horas está unido a todos os que, ao redor do mundo, elevam a Deus a mesma oração. Por isso, pode abrir-se às experiências e aos sentimentos que outras pessoas estejam vivendo.

Uma das maiores expressões dessa união com todo o Corpo de Cristo acontece quando rezamos os salmos com o coração aberto às diferentes atitudes e emoções que esses poemas de louvor expressam. Pois “quem salmodia não o faz tanto em seu próprio nome como em nome de todo o Corpo Místico de Cristo, e até na pessoa do próprio Cristo. Se tivermos isto em conta, desaparecem as dificuldades que possam surgir para quem salmodia, caso os seus sentimentos íntimos se encontrem em desacordo com os afetos expressos num salmo” [5].

Como rezar os salmos que não refletem o que sentimos?

Quais são as consequências práticas disso? Suponhamos que uma pessoa esteja rezando a Liturgia das Horas sozinha e se depare com um salmo que fale sobre a perseguição e o medo sentido pelo salmista diante daqueles que o perseguem.

Se somos encorajados a nos abrir e, de alguma maneira, a nos unir às atitudes e às emoções expressas nos salmos, podemos nos perguntar: “Como entrar em sintonia interior com uma experiência que nunca vivi?”. Ou, ainda, se rezamos um salmo no qual o salmista manifesta tristeza ou dor, mas naquele momento sentimos uma imensa alegria, o que devemos fazer?

É nesses momentos que temos a oportunidade de olhar para além de nós mesmos e em direção a todo o Corpo de Cristo. Podemos entrar em uma comunhão particular de sentimentos e atitudes com nossos irmãos e irmãs que, em outros lugares, estejam vivendo aquilo que o salmo expressa.

Como é belo considerar que, ao rezarmos a Liturgia das Horas e nos depararmos com um salmo de perseguição, por exemplo, podemos nos unir espiritualmente aos cristãos perseguidos por causa da fé e rezar por eles. Deus certamente acolherá nossas orações e concederá seus frutos àqueles que mais precisam.

A importância da celebração comunitária

Por fim, gostaria de mencionar que, embora a Liturgia das Horas possa ser celebrada individualmente, essa oração manifesta de maneira mais plena sua natureza quando é rezada em comunidade.

A Igreja ensina que a “celebração comunitária manifesta mais claramente a natureza eclesial da Liturgia das Horas. Pelas aclamações, pelo diálogo, pela salmodia alternada, etc., favorece também a participação ativa de todos, segundo a condição de cada um” [6].

Quando um grupo se reúne para celebrar a Liturgia das Horas, esse encontro já é, em si mesmo, uma manifestação da comunhão da Igreja. Ao mesmo tempo, a oração compartilhada contribui para o fortalecimento dessa mesma comunhão.

O Senhor Jesus pediu ao Pai que fôssemos um e nos deu a Liturgia como o principal meio de alcançar essa comunhão. Elevemos, portanto, nossos corações e nossas mentes a Ele, que é a perfeita comunhão, e peçamos que seu plano se cumpra enquanto continuamos nossa peregrinação rumo ao lar eterno.


Notas: [1] Jo 17,11. [2] Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 1. [3] 1Ts 5,17. [4] Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 85. [5] Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 108. [6] Ibid., n. 33.

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