Espiritualidade

O que diz Jesus no evangelho sobre justiça e misericórdia?

Na liturgia desta terça-feira, Jesus denuncia a hipocrisia dos mestres da lei e ensina o caminho da justiça e da misericórdia.

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Escrito por Giovana Marques

25 AGO 2026 - 13H48 (Atualizada em 25 AGO 2026 - 15H37)

Sergio Yoneda/Adobe Stock

O evangelho desta terça-feira chama a nossa atenção para a virtude da justiça. Jesus rejeita a postura dos fariseus, que eram solidários com o dízimo, mas não viviam práticas da lei mais importantes, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade.

"Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade.” (Mt 23,23)

Esse é um alerta importante para o fiel católico: a fé se vive na caridade e, na falta dela, não se pode justificar pelo cumprimento de outras ações, como o dízimo. 

No livro “Falar com Deus”, escrito pelo padre Francisco Fernández Carvajal, obra composta por reflexões espirituais para cada dia do ano, o autor, ao citar este evangelho, ressalta que o dízimo dos fariseus poderia ter sido “uma verdadeira expressão de amor”, mas revelou hipocrisia.

Jesus, após dirigir-lhes a repreensão, disse: “Vós deveríeis praticar isto, sem deixar aquilo”. E nós, será que temos comportamentos semelhantes aos destes homens? Talvez, mesmo cumprindo obrigações da fé, possamos não estar agradando o coração de Deus se nos falta caridade em outros momentos.

A virtude da justiça

A virtude da justiça é aquela em que damos a cada um o que lhe é devido. Segundo a reflexão do padre Francisco, “a virtude da justiça fundamenta-se na intocável dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus e destinada a uma felicidade eterna”.

O padre ainda sugere formas de viver a virtude no cotidiano da vida, ressaltando que praticá-la não é apenas lamentar-se do que é injusto, mas agir com oração e obras para remediar essas situações. Segundo ele, ser justo significa, dentre outras coisas:

Respeitar o direito à fama e à intimidade daqueles com quem nos relacionamos habitualmente, como também a verdade, a vida, a responsabilidade e a honestidade.

Expressões de injustiça acontecem em situações sutis no dia a dia, como, por exemplo, a calúnia, a maledicência e a murmuração.

“Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo." (Mt 23, 25-26)

Para livrar-nos da cegueira, peçamos a graça de termos "corações limpos" do mal da injustiça e falta de misericórdia, para que nossas ações estejam coerentes com as ensinadas por Jesus, prezando sempre pela dignidade humana.

"O homem justo é reto, simples e direto, não usa máscaras, apresenta-se como é, diz a verdade. A palavra “obrigado” está frequentemente nos seus lábios: sabe que, por mais que nos esforcemos por ser generosos, somos sempre devedores para com o próximo. Se amamos, é também porque primeiro fomos amados." - Papa Francisco 

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