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A queda do regime dos Khmers Vermelhos

Veja como os regimes brutais, como o nazismo e o terror no Camboja, mostram até onde ideologias podem chegar com marcas profundas e um alerta! Leia mais!

Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

15 ABR 2026 - 13H04 (Atualizada em 15 ABR 2026 - 15H21)

Palácio Real BreizhAtao/Adobe Stock

Em 7 de janeiro de 1979, chegou ao fim no Camboja, um pequeno país do sudeste asiático, um regime que levou ao extermínio de quase 1/4 de sua população. Estima-se que cerca de 2 milhões de cambojanos tenham sido assassinados durante o regime imposto pelo grupo dos Khmers Vermelhos.

A expressão "Khmer Vermelho" (em khmer: Khmer Krahom, que significa literalmente "Khmers vermelhos" ou "Cambojanos vermelhos") foi um termo cunhado pelo então príncipe Norodom Sihanouk para se referir aos membros comunistas do partido que eram seguidores da ideologia socialista e comunista. Esse grupo representava a ala armada e política que desejava tomar o poder e transformar o Camboja numa sociedade agrária comunista, abolindo a moeda, a propriedade privada e a vida urbana.

O triste período da história teve início em 17 de abril de 1975, há mais de 50 anos, quando as tropas dos Khmers Vermelhos entraram em Phnom Penh, a capital do país. O objetivo do regime que seguia a ideologia marxista era o de criar uma sociedade agrária através do chamado processo de “purificação do Camboja”.

Na entrada, as tropas de Pol Pot, o seu líder, chegaram a ser aclamadas pela população. Porém, foi apenas o início de uma grande tragédia. Algumas horas mais tarde, da noite para o dia, muitos habitantes de Phnom Penh foram obrigados a deixar a cidade, iniciando uma das maiores migrações forçadas da história recente.

A capital cambojana tornou-se uma “cidade fantasma” e, ao mesmo tempo, abria-se para a população um trágico capítulo de massacres e trabalhos forçados. Entre as vítimas do regime estavam as minorias étnicas e religiosas e as pessoas das classes sociais mais elevadas. Os sobreviventes ainda hoje recordam, por exemplo, que os que usavam óculos eram presos porque os óculos eram associados a um alto grau de instrução e precisavam ser isolados em nome do regime para não “contaminar” os demais.

Durante o regime comunista, milhares de pessoas foram obrigadas a trabalhar nos campos. Muitos jovens e adolescentes foram obrigados a se alistar no exército. Escolas, bancos e hospitais foram abolidos e os anos do regime ficaram marcados por uma sequência ininterrupta de crimes. O emblema deste período de massacres e de torturas é um colégio de Phnom Penh, transformado em prisão e que hoje se tornou um memorial para recordar o horror daqueles anos.

Peruphotoart/Adobe Stock Peruphotoart/Adobe Stock Templo Banteay Srei arquitetura hindu antiga no Camboja

A queda do regime

A Guerra do Vietnã, que vinha acontecendo desde a década de 1950, também se estendeu ao Camboja, determinando o fim do regime comandado por Pol Pot. Em 1979, os soldados vietnamitas, com melhores equipamentos, invadiram o Camboja, depondo o sanguinário governo, com as tropas dos Khmers Vermelhos sendo obrigadas a se refugiar nas florestas e montanhas.

A situação, porém, não estava resolvida, pois, na década de 1980, os membros dos Khmers Vermelhos que estavam escondidos nas florestas ou espalhados pela vizinha Tailândia continuavam a controlar grande parte do país, atacando os territórios que não dominavam.

Os ataques e as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados fizeram a reconstrução do país praticamente impossível, deixando uma grande parcela da população na miséria. Os esforços de paz começaram em Paris em 1989, resultando, em outubro de 1991, em um acordo de paz abrangente. A ONU impôs um cessar-fogo, passando a lidar com os refugiados e com o desarmamento.

Depois disso, a monarquia foi restaurada, atuando de forma constitucional. Hoje o país conta com uma população de quase 19 milhões de habitantes, distribuídos numa área de 181 mil km², menor que a área do estado de São Paulo, por exemplo.

Em julho de 2010, Kang Kek Iew foi o primeiro membro dos Khmers Vermelhos considerado culpado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade em seu papel como o ex-comandante do campo de extermínio S21, sendo condenado à prisão perpétua. Pol Pot, líder do grupo, morreu de causas naturais em 1998 e não pode ser julgado.

Em 2018, o tribunal especial para o governo comunista de Pol Pot emitiu mais 02 sentenças de condenação por genocídio contra dois antigos líderes dos Khmers Vermelhos: Nuon Chea, braço direito de Pol Pot, e Khieu Samphan, na época Chefe de Estado cambojano. O tribunal especial para os crimes do regime da época havia sido instituído em 2006, com um acordo entre o Camboja e as Nações Unidas.

Mártires dos Khmers Vermelhos

A Igreja cambojana também foi vítima da fúria devastadora dos Khmers Vermelhos. Em 2015, abriu-se a fase diocesana do processo de beatificação de 35 mártires cambojanos, mortos durante as perseguições do regime de Pol Pot. Entre eles há bispos, padres, leigos, mulheres e catequistas mortos de fome e inanição.

Durante o regime de extermínio, a Igreja no Camboja quase desapareceu, mas hoje a situação já é diferente. O número de cristãos é pequeno, mas a Igreja renasceu e continua crescendo, empenhada em atividades educacionais e de solidariedade com os mais pobres. Dos cristãos, quase 80% estão abaixo da linha de pobreza, mas a frequência aos sacramentos, especialmente aos domingos, chega a quase 60%. As comunidades são jovens, em um país com idade média relativamente baixa, formadas principalmente por pessoas que abraçaram o cristianismo mais recentemente.

As igrejas de Laos e Camboja formam uma única conferência episcopal. No Laos existe a presença redentorista com missionários oriundos do Vietnã e algumas vocações nativas

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