A Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua 62ª edição, foi oficialmente aberta em Aparecida (SP). O encontro reúne todos os bispos do país em um tempo definido como privilegiado para escuta, silêncio, discernimento e responsabilidade pastoral.
Sob o olhar de Nossa Senhora Aparecida, os trabalhos seguem à luz do Evangelho e das discussões das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. Reunidos no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida de 15 a 24 de abril, a Igreja no Brasil reafirma sua missão profética, samaritana e sinodal, a serviço da esperança.
Participaram da sessão de abertura Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB; Dom João Justino, arcebispo de Goiânia e 1º vice-presidente; Dom Paulo Jackson, Arcebispo de Olinda e Recife e 2º vice-presidente; Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da entidade; Dom Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico no Brasil; Dom Orlando Brandes, Administrador Apostólico de Aparecida; Dom Mário Antonio da Silva, Arcebispo nomeado da Arquidiocese de Aparecida; o Pe. Eduardo Catalfo, C.Ss.R., reitor do Santuário Nacional; e o prefeito de Aparecida (SP), José Luiz Rodrigues.
Em sua fala inicial, Dom Jaime Spengler agradeceu a acolhida da Arquidiocese de Aparecida e do Santuário Nacional. Pediu também um minuto de silêncio em memória do Papa Francisco, falecido em 2025, fato que levou ao cancelamento da assembleia no ano anterior.
O presidente da CNBB recordou documentos do pontificado, como Evangelii Gaudium, Laudato Si’, Fratelli Tutti e Querida Amazônia, destacando que o último texto publicado por ele, Dilexit nos, sintetiza o caminho trilhado.
Dom Jaime manifestou comunhão com o atual Sucessor de Pedro, o Papa Leão XIV, em meio ao contexto geopolítico internacional. Citou palavras recentes do Pontífice: “a Igreja não faz politica, ela anuncia o Evangelho".
O Arcebispo de Porto Alegre ainda mencionou uma pesquisa recente que aponta a Igreja Católica como a instituição mais confiável do país. Segundo ele, o dado amplia a responsabilidade pastoral, sobretudo em ano eleitoral. “Precisamos promover o testemunho, ou melhor, testemunhar a verdade, a transparência e a coragem profética”, declarou.
Sobre a Assembleia, destacou seu significado eclesial: “A Assembleia Geral, órgão supremo da conferência, é a expressão e a realização maior do afeto colegial da comunhão e corresponsabilidade nossa para com a Igreja no Brasil”. E completou: “Desejo a todos uma assembleia rica e frutuosa”.
Em mensagem enviada aos bispos, o Papa Leão XIV manifestou o desejo de que os trabalhos ocorram em clima de unidade:
“É meu desejo que o trabalho intenso que realizareis nos dias da Assembleia Geral, dedicando-vos com empenho a formular e aprovar as diretrizes para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos anos, seja realizado em um ambiente de paz e de harmonia, onde se preserva a unidade da fé no Cristo Ressuscitado e a plena comunhão eclesial.”
add_box Papa Leão XIV escreve à Igreja no Brasil. Veja a mensagem na íntegra
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também enviou uma mensagem. Ele prestou solidariedade ao Papa Leão XIV e afirmou que “mais vale um coração repleto de amor ao próximo do que o poder das armas e do dinheiro”.
Na saudação à CNBB, ressaltou o respeito pela instituição e recordou sua atuação em momentos decisivos da história recente do país. Homenageou Dom Luciano Mendes, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Mauro Morelli, Dom Claudio Hummes, Dom Angélico Sândalo, Dom Pedro Casaldáliga e Dom Tomás Balduino, destacando a defesa dos excluídos.
O presidente ainda mencionou o Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, sublinhando a contribuição histórica da Igreja na assistência aos mais necessitados e na construção de políticas públicas de inclusão social.
O Núncio Apostólico, Dom Giambattista Diquattro, levou aos bispos a proximidade do Papa. “Com alegria fraterna me dirijo a essa assembleia trazendo a proximidade do Santo Padre, o Papa Leão XIV, que acompanha com paternal afeto o caminho da Igreja no Brasil”, afirmou.
Inspirando-se nos Atos dos Apóstolos, encorajou os pastores a superarem barreiras. “Ide falar ao povo, eis o mandato que o Anjo do Senhor manda a cada um de nós”, disse. E desejou que o encontro seja “uma aurora de comunhão e de coragem missionária”.
Dom Orlando Brandes deu as boas-vindas aos participantes: “Todos somos peregrinos aqui, sob a intercessão e a proteção da Mãe Aparecida, este Centro de Eventos é um cenáculo e essa Assembleia verdadeiramente é um Pentecostes”.
Dom Mário Antonio da Silva expressou alegria pela acolhida em sua nova Arquidiocese. Ao recordar "João, Capítulo 20", afirmou: “Como um discípulo amado e acolhido, eu vejo e acredito”. E convidou: “Caminhemos juntos e todos façam uma experiência pascal nessa 62ª Assembleia dos Bispos do Brasil”.
O reitor do Santuário Nacional, Pe. Eduardo Catalfo, C.Ss.R. reforçou o espírito de hospitalidade: “Sintam-se na Casa da Mãe, sintam-se romeiros e peregrinos de Nossa Senhora”.
A 62ª Assembleia segue ao longo da semana, com debates e votações das diretrizes que orientarão a ação evangelizadora da Igreja no Brasil nos próximos anos.
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