A Copa do Mundo de 2026 realizada no México, Estados Unidos e Canadá, terminou deixando diversos legados, sendo um deles o destaque para alguns países como Curaçao, que talvez muita gente nunca tivesse ouvido falar.
O pequeno país localizado no Caribe se destacou pela alegria de sua gente e pelo colorido e vibração de seus torcedores, tanto assim que muitas pessoas de outros países passaram a torcer pelo pequeno país que, pela primeira vez, participava de uma Copa do Mundo.
Curaçao é uma ilha e uma nação independente que faz parte do Reino dos Países Baixos (Holanda), localizada no sul do Mar do Caribe, bem defronte à costa da Venezuela. Com capital em Willemstad, o pequeno país possui população de aproximadamente 160 mil habitantes.
Um dado curioso é que ele também faz parte do grupo das chamadas Ilhas ABC, junto com Aruba e Bonaire.
Como nação independente dentro do Reino dos Países Baixos, a Holanda cuida da defesa e dos assuntos exteriores, enquanto a ilha é independente para tratar dos assuntos internos.
Existem aqueles que acreditam que as ilhas do Caribe tenham sido colonizadas de forma direta por uma única potência europeia e que o idioma local é apenas um dialeto derivado do espanhol ou do inglês, mas o contexto geopolítico do século XVII revela que Curaçao tenha sido um dos pontos mais disputados e modificados por invasões coloniais na América Central.
Inicialmente habitada pelos povos originários chamados de Caquetio, a ilha foi colonizada pelos espanhóis em 1499, que desconsideraram o local por não encontrarem ouro ou nada que “interessasse” naquele momento.
A história mudou a partir de 1634, quando a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais passou a controlar o território, transformando o porto de Willemstad em um centro comercial e militar estratégico para todo o norte da América do Sul.
Com o cruzamento de várias culturas, a população desenvolveu então o chamado “Papiamento”, idioma oficial, fundindo o português, o espanhol, o holandês e algumas línguas africanas, o que ajudou a dar identidade e a unificar o povo. Isso é sintetizado num slogan muito comum no país: “A nossa voz é a nossa maior fortaleza contra os impérios”.
Durante o período colonial, alguns povos foram trazidos à força para a ilha. Os mercadores judeus sefarditas que atuavam no comércio da região precisavam de uma forma de comunicação que os feitores holandeses não compreendessem. Utilizando o português que já conheciam, misturaram com outras línguas para criar um código de resistência que durou séculos até se tornar a língua oficial, ainda hoje utilizada, e orgulho nacional do país.
Outra realidade que chama atenção daqueles que visitam o país são as icônicas casinhas coloridas da capital Willemstad, que encantam os visitantes. É interessante saber que essas cores são utilizadas porque, no início do século XIX, o governador holandês Albert Kikkert sofria de fortes dores de cabeça e enxaquecas, alegando que o reflexo do sol forte nas paredes brancas tradicionais agravava seu mal-estar. Ele emitiu então um decreto proibindo fachadas brancas e exigindo que fossem utilizadas tonalidades vibrantes que são vistas hoje, caracterizando para sempre o visual único dessa joia do Caribe.
A Igreja Católica é a religião predominante em Curaçao, e cerca de 73% da população se declara católica. A ilha pertence à Diocese de Willemstad (Dioecesis Gulielmopolitana), a única da região que abrange todas as ilhas do Caribe Neerlandês, tendo alguns templos marcantes como a Catedral de Nossa Senhora do Santo Rosário (em Pietermaai) e a histórica Basílica de Santa Ana (em Otrobanda).
A diocese teve sua origem em 1752, ainda como Prefeitura Apostólica, sendo elevada a diocese pelo Papa Pio XII em 1958. Na atualidade, além da catedral diocesana e da basílica dedicada à Sant’Anna, a diocese atende o povo por meio de 22 paróquias espalhadas por toda a ilha.
A primeira participação de Curaçao em uma Copa do Mundo terminou com um único ponto conseguido, mas o técnico Dick Advocaat, que comandou o time antes e durante o torneio, deixou a Copa impressionado com o desempenho da equipe, pedindo que o país continuasse no caminho percorrido, investindo na busca por novos jogadores.
Curaçao se tornou o menor país da história a disputar uma edição de Copa do Mundo. A grande maioria de seus jogadores nasceu nos Países Baixos, tendo origem familiar ligada à ilha caribenha. Assim como a Jamaica, rival regional que buscou muitos jogadores elegíveis nascidos na Inglaterra, o treinador acredita que ainda existem atletas na Holanda e em outros lugares que podem ajudar a seleção.
No período da Copa, aconteceu um aumento expressivo de busca pela camisa de sua seleção, suas redes sociais “explodiram” em número de novas adesões e as agências de turismo registraram recordes de busca de informações por pessoas desejosas de conhecer melhor para, quem sabe, um dia visitarem o pequeno país que agora não é apenas uma ilha perdida no meio do mar azul, de águas limpidas, mas uma nação que se destaca entre as demais.
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