Ao observar uma partida de futebol da Copa do Mundo, é possível notar que nenhum jogador passa os 90 minutos fazendo a mesma coisa. Há momentos de ataque, defesa, organização e recuperação. Com os católicos durante a caminhada cristã acontece algo parecido.
A fé também passa por fases. Existem dias em que avançamos com confiança. Em outros, precisamos resistir, esperar ou buscar forças para continuar.
Os apóstolos de Jesus viveram essa dinâmica. Em diferentes momentos dos Evangelhos, eles ocuparam "posições" distintas no campo da fé. Houve ocasiões de coragem, dúvida, liderança e aprendizado.
A boa notícia é que Jesus permaneceu ao lado deles em todas essas etapas!
O atacante é aquele que enxerga uma oportunidade e parte para a ação. Pedro assumiu esse papel em diversos momentos. Um dos exemplos mais conhecidos aconteceu quando Jesus caminhou sobre as águas.
“Senhor, se és tu, manda que eu vá sobre as águas até junto de ti!” (Mt 14,28)
Pedro saiu do barco enquanto os demais permaneceram observando. Ele demonstrou uma fé corajosa, capaz de dar um passo que parecia impossível.
Muitos cristãos vivem fases assim. Sentem-se motivados para iniciar um ministério, retomar a vida de oração ou enfrentar um desafio importante. Nesses momentos, a fé joga no ataque.
O trabalho do zagueiro raramente recebe aplausos. Sua missão é permanecer firme. João oferece um exemplo dessa postura. Durante a Paixão, quando muitos fugiram, ele permaneceu próximo de Jesus até os pés da cruz.
"Jesus, vendo sua mãe e, perto dela o discípulo que amava, disse a sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. E, desta hora em diante, o discípulo acolheu-a em sua casa." (Jo 19,26-27)
Existem períodos em que a fé exige exatamente isso: permanecer, mesmo que sem grandes emoções ou experiências extraordinárias. A fidelidade também é uma vitória.
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O volante conecta defesa e ataque. Ele ajuda a equipe a encontrar equilíbrio. Mateus desempenha um papel semelhante na caminhada espiritual. Antes de seguir Jesus, era cobrador de impostos. Sua vida mudou após um chamado direto do Mestre.
"'Segue-me.' Ele se levantou e o seguiu." (Mt 9,9)
A conversão de Mateus mostra uma fé que reorganiza prioridades. Há momentos em que Deus nos convida a colocar ordem na vida espiritual: é preciso rever hábitos, corrigir rotas e retomar compromissos esquecidos. Sem equilíbrio, o time sofre. Sem cultivar uma vida baseada em oração, a fé perde força.
O meio-campista cria oportunidades para que a equipe avance. André tinha essa característica. Foi ele quem levou seu irmão Pedro ao encontro de Jesus.
"O primeiro a quem encontrou foi seu irmão Simão, ao qual disse: “Encontramos o Messias”. E o levou a Jesus." (Jo 1,41-42)
Seu protagonismo acontece nos bastidores. Muitas vezes, a fé nos põe a prova, pois não somos o centro das atenções em nossa comunidade ou paróquia, apenas ajudamos alguém a se aproximar de Deus. E isso é muito! Uma conversa, um convite para a missa, uma palavra de incentivo. Estes pequenos gestos podem mudar vidas!
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O goleiro enfrenta pressão constante. Precisa manter a atenção mesmo quando tudo parece tranquilo. Tomé viveu uma batalha semelhante: após a Ressurreição, teve dificuldade para acreditar no testemunho dos outros discípulos.
“Se eu não vir o sinal dos pregos em suas mãos, se não puser meu dedo na marca dos pregos e se não colocar minha mão em seu peito, não acreditarei”. (Jo 20,25)
Dias depois, Jesus apareceu e respondeu às suas inquietações. "Não sejas mais incrédulo, mas crê" (Jo 20,27)
A dúvida faz parte da experiência humana. Muitos cristãos passam por momentos de questionamento. O importante é continuar buscando respostas junto de Deus, como Tomé fez.
Todo elenco possui jogadores que aparecem menos. Entre os Doze, alguns discípulos recebem poucas citações nos Evangelhos. É o caso de Tiago Menor, Judas Tadeu e Simão, o Zelota.
Mesmo assim, Jesus os escolheu, os convocou.
"Chamou seus discípulos e dentre eles escolheu doze, aos quais chamou de apóstolos" (Lc 6,13)
No Reino de Deus, visibilidade não determina importância. Existem fases em que a pessoa serve discretamente. Ela reza, ajuda e permanece fiel sem reconhecimento. Jesus vê aquilo que muitas vezes passa despercebido aos olhos humanos.
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Em uma Copa do Mundo, até os melhores jogadores precisam se adaptar às circunstâncias da partida. Na caminhada de fé acontece o mesmo.
Em alguns momentos, somos como Pedro e avançamos com coragem. Em outros, parecemos Tomé e enfrentamos dúvidas. Há períodos em que nos identificamos com João, permanecendo firmes junto à cruz. Em outros, agimos como André, aproximando pessoas de Cristo.
A busca pela santidade não consiste em ocupar sempre a mesma posição; para Deus, o importante é permanecer no time de Jesus.
Ele conhece nossas limitações, fortalece nossa fé e nos ensina a jogar cada etapa da caminhada com confiança.
Afinal, o objetivo final é levantar uma taça, mas alcançar a vida eterna ao lado do verdadeiro Campeão.
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