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Crise na Venezuela: Igreja pede oração após ataque dos EUA

Escrito por Rafael Gurgel

05 JAN 2026 - 13H35 (Atualizada em 06 JAN 2026 - 11H21)

Reprodução/Adobe Stock: Amilciar

Os Bispos da Venezuela pediram orações a todos os fiéis do mundo, devido ao momento delicado em que o país se encontra, logo após a captura e prisão do seu presidente, Nicolás Maduro, feita pelos Estados Unidos, em um ataque à cidade de Caracas, no dia 3 de janeiro.

Os ataques teriam atingido instalações militares, deixando cerca de 80 mortos e levou o líder do país e sua esposa, Cilia Flores, presos.

O episcopado dirigiu uma mensagem à população, invocando a Deus para que conceda "a todos os venezuelanos serenidade, sabedoria e força" e expressando solidariedade aos "feridos" e às "famílias dos falecidos.

Contexto político e escalada do conflito

A prisão de Nicolás Maduro ocorreu após uma longa trajetória de embates entre os países, em agosto de 2025, a administração do governo dos Estados Unidos de Donald Trump chegou a oferecer 50 milhões de dólares de recompensa por informações que levassem à prisão do presidente da Venezuela, que foi considerado pelo governo de Trump como um colaborador dos principais cartéis de tráfico de drogas do país para os Estados Unidos.

O governo dos Estados Unidos não reconhece a eleição de Nicolás Maduro como legítima e, por isso, desde agosto, as desavenças foram tomando maiores proporções, até culminar na captura do líder da Venezuela e de sua esposa, em um ataque das forças militares americanas à cidade de Caracas na noite do dia 3 de janeiro, às 2h da manhã.

Em declarações à imprensa, o presidente dos EUA afirmou que o país assumirá o governo da Venezuela até a transição para outro governo e terão controle do setor petrolífero do país. "Como todos sabem, o setor petrolífero da Venezuela está em crise há muito tempo", disse Donald Trump.

"Envolveremos nossas principais companhias petrolíferas americanas, que investirão bilhões de dólares, repararão a infraestrutura gravemente danificada e começarão a gerar lucro para o país", afirmou o presidente dos Estados Unidos.

Trump ameaçou também tomar medidas contra a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que atualmente é responsável por governar o país. Segundo Trump, "Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro", disse ele à revista americana The Atlantic, no dia 4 de janeiro.

O Padre Georges Engel, que foi missionário na Venezuela durante cerca de vinte anos, não esconde a sua preocupação. "Até recentemente, muitas das pessoas que conheço na Venezuela, com quem tenho contato diário, pressentiam que algo ia acontecer."

O Padre disse que a maioria dos seus conhecidos no país estavam mal-informados devido à censura das principais redes sociais na Venezuela. “Aqueles que, por outros meios, tinham acesso à informação estavam, diga-se de passagem, aguardando ansiosamente por este momento", relatou.

Posicionamento da Comunidade Internacional

A operação americana acabou atraindo críticas da comunidade internacionalO secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar preocupado com a ação dos Estados Unidos e "com o desrespeito ao direito internacional". Os governos da França e Itália esclareceram que regimes não podem ser mudados de fora. A Espanha, por sua vez, ofereceu mediação.

No dia 4 de janeiro, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai afirmaram, em nota conjunta, estarem profundamente preocupados com os ataques dos Estados Unidos e que as ações americanas vão contra os princípios do direito internacional.

O presidente do Brasil afirmou que “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. E que os atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela.”

O Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) comunicou no dia 4 de janeiro, que reconhece a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, como presidente da Venezuela.

O papel da Igreja em meio à incerteza

Com o futuro da Venezuela incerto, o Padre Georges Engel teme que, em um país empobrecido e altamente polarizado, uma nova onda de violência possa eclodir. Porém, refletiu sobre a contribuição que a Igreja pode oferecer nesta fase.

"A Igreja Católica na Venezuela sempre esteve ao lado das crianças e dos pobres do país e seu papel permanece insubstituível em um país marcado há tantos anos pelo narcotráfico e pela corrupção", disse o padre.

Para ele, a Igreja venezuelana é chamada "a proclamar o perdão e a misericórdia com ainda mais vigor e força nesta situação, que será muito difícil economicamente para o povo venezuelano.”

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Fonte: Vatican News, New York Times

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