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O brutal regime imposto por Idi Amin na Uganda

Durante toda a história do continente africano, o local sofreu 207 golpes de Estado, um deles, dado por Idi Amin, criando o terror em Uganda. Confira!

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Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

24 JUN 2026 - 09H15 (Atualizada em 24 JUN 2026 - 14H59)

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A cena tem sido recorrente na história do continente africano: soldados bem armados desfilando pela cidade, após derrubarem os governantes e instalarem um novo regime.

Desde 1952, o continente sofreu 207 golpes de Estado em 68 anos (1952 - 2020), com o continente enfrentando uma série de obstáculos para alcançar a normalidade institucional.

Especialistas apontam a corrupção desenfreada, a pobreza, a imposição de fronteiras artificiais, a ineficiência do sistema de freios e contrapesos jurídicos como ameaças aos governos eleitos. Um dos golpes de estado foi dado por Idi Amin Dada, que criaria o terror em Uganda, com a imposição de um brutal regime de força.

Golpe de Estado e regime de força

Depois de se libertar do domínio britânico que acontecia sobre o país e sobre a região central do continente africano em 1962, Uganda se tornou um país independente. Quatro anos depois, Idi Amin foi nomeado líder do Exército e da Marinha pelo presidente Milton Obote. Em 1971, ele deu um golpe de Estado, aproveitando que o presidente se encontrava no exterior, se declarando presidente vitalício.

Georgios Kollidas/Adobe Stock Georgios Kollidas/Adobe Stock Fotografia de Milton Obote

Apoiado por um grupo de conselheiros que agia como uma milícia, eliminando oponentes reais e imaginários do ditador, o país viveu constantemente num clima de terror por 08 anos até que, no dia 11 de abril de 1979, aconteceria a sua queda.

Inicialmente, o golpe teve certo apoio popular, mas rapidamente se tornou uma ditadura arbitrária.

Marcada pela violência extrema, repressão política e colapso econômico, seu tempo de governo é considerado um dos períodos mais brutais da história africana.

Estima-se que cerca de 300 mil pessoas tenham sido mortas durante os anos de sua ditadura porque o regime perseguiu sistematicamente opositores políticos, intelectuais, jornalistas, funcionários públicos e grupos étnicos específicos como os Acholi e Lango, que apoiavam Obote.

Em 1972, Idi Amin ordenou a expulsão de 60 a 80 mil asiáticos que possuíam cidadania britânica, sobretudo, paquistaneses e indianos, alegando que eles exploravam a economia de Uganda. Isso causou um colapso imediato na economia, resultando em escassez de produtos e fuga de cérebros.

A gestão econômica de Idi Amin baseou-se no confisco e expropriação de bens, na má administração, o que acabou levando Uganda à falência. Os níveis de pobreza, analfabetismo, fome e doenças se tornaram altíssimos no país e, até hoje, quase 60 anos depois, o país não conseguiu se restabelecer plenamente.

A queda do regime e o julgamento da história

Após tentar invadir a Tanzânia e ser repelido, seu regime enfraqueceu. Idi Amin acabou sendo deposto em 1979 por forças tanzanianas e exilados ugandenses. Ele fugiu para o exílio, indo primeiro para a Líbia e depois para a Arábia Saudita onde morreu em 2003, sem nunca ter sido julgado por seus crimes. 

alberto/Adobe Stock  alberto/Adobe Stock Retrato de Idi Amin

Idi Amin foi descrito por muitos como um déspota e um ditador "insano" devido às suas políticas imprevisíveis e ao terror constante imposto à população ugandense.

Aos poucos organismos como a Anistia Internacional, órgãos das Nações Unidas, pesquisadores e historiadores foram descobrindo situações dolorosas sobre a ditadura imposta sobre a Uganda.

O regime utilizava prisões secretas e centros de detenção onde aconteciam execuções sem julgamento e os condenados não direito à defesa.

Uganda hoje

Depois da fuga de Idi Amin, aconteceram eleições em 1980, que determinaram a volta do deposto Milton Obote, o líder deposto em 1971. O regime que ele implantou no país levou, porém, a uma nova fase de violência e instabilidade.

Sua vitória na eleição foi contestada, desencadeando então a chamada "guerra do mato". O líder Yoweri Museveni, com seu Exército de Resistência Nacional (NRA), travou uma guerra de guerrilha contra o governo Obote, derrubando-o em 1985, tomando o poder em 29 de janeiro de 1986.

Desde então, há quase 30 anos, Museveni atua como Presidente de Uganda.

Sob sua liderança, o país experimentou relativa estabilidade política e crescimento econômico, com uma política aberta ao investimento estrangeiro, embora com um sistema político frequentemente descrito como não partidário ou dominante por partidos.

A Igreja em Uganda

Uganda tem uma área geográfica de 236 mil km², onde vive uma população de 44,5 milhões de pessoas, das quais 45% se declaram católicos. A maior cidade do país é a capital Kampala, com quase 02 milhões de habitantes.

PinkyEn/Adobe Stock PinkyEn/Adobe Stock Vista de Kampala, capital e maior cidade de Uganda

Os missionários desembarcaram no país em 1879 e a história de sua Igreja é fortemente marcada pela história dos mártires de Uganda. A fé de seu povo é vibrante, mas enfrenta diversos desafios, como a perseguição em áreas de maioria muçulmana que formam 20% da população, atuando, sobretudo, no Leste do país.

Por outro lado, existe a necessidade de uma maior ação social, com muitas igrejas atuando no apoio a refugiados e comunidades carentes, mas as igrejas sofrem com a precariedade da infraestrutura, e ainda assim lideram ações missionárias e humanitárias, incluindo assistência a refugiados.

A Igreja Católica no país é organizada em diversas 04 arquidioceses, 15 dioceses e um Ordinariado militar. Distribuídas pelo país, existem 508 paróquias e mais de 07 mil centros de atendimento. O primeiro bispo de Uganda foi nomeado em 1939, mas a hierarquia de Uganda foi oficialmente estabelecida em 1953, pelo Papa Pio XII.

Uma Igreja de mártires

A evangelização da região teve início com a ação missionária dos Missionários da África, conhecidos como Padres Brancos, em 1879. Entre 1885 e 1887, ocorreu uma grande perseguição que levou ao martírio de católicos e anglicanos.

free2trip/Adobe Stock  free2trip/Adobe Stock Igreja Católica em Uganda

Durante o regime de Idi Amin também aconteceu uma forte perseguição com a morte de um incontável número de cristãos.

Em 1964 ocorreu o martírio de São Carlos Lwanga e de seus 21 companheiros, beatificados em 1920 e canonizados pelo Papa Paulo VI em 1969.

Visitas dos papas

O país teve a felicidade de ser visitado por 03 papas que ali estiveram para fortalecer a fé do povo. O Papa Paulo VI foi o primeiro a visitar Uganda em 1969. João Paulo II ali esteve em fevereiro de 1993 e, por fim, o Papa Francisco visitou o país entre 27 e 29 de novembro de 2015

.:: CONFIRA: Relatório descobre que 1 em cada 3 cristãos é gravemente perseguido







Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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