A cena tem sido recorrente na história do continente africano: soldados bem armados desfilando pela cidade, após derrubarem os governantes e instalarem um novo regime. Desde 1952, o continente sofreu 207 golpes de Estado em 68 anos (1952 - 2020), com o continente enfrentando uma série de obstáculos para alcançar a normalidade institucional.
Especialistas apontam a corrupção desenfreada, a pobreza, a imposição de fronteiras artificiais, a ineficiência do sistema de freios e contrapesos jurídicos como ameaças aos governos eleitos. Um dos golpes de estado foi dado por Idi Amin Dada que criaria o terror em Uganda, com a imposição de um brutal regime de força.
Casa com roupas penduradas em Uganda
Golpe de Estado e regime de força
Depois de se libertar do domínio britânico que acontecia sobre o país e sobre a região central do continente africano em 1962, Uganda se tornou um país independente. Quatro anos depois, Idi Amin foi nomeado líder do Exército e da Marinha pelo presidente Milton Obote. Em 1971, ele deu um golpe de Estado, aproveitando que o presidente se encontrava no exterior, se declarando presidente vitalício.
Fotografia de Milton Obote
Apoiado por um grupo de conselheiros que agia como uma milícia, eliminando oponentes reais e imaginários do ditador, o país viveu constantemente num clima de terror por 08 anos até que no dia 11 de abril de 1979, aconteceria a sua queda.
Inicialmente, o golpe teve certo apoio popular, mas rapidamente se tornou uma ditadura arbitrária.
Marcada pela violência extrema, repressão política e colapso econômico, seu tempo de governo é considerado um dos períodos mais brutais da história africana. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas tenham sido mortas durante os anos de sua ditadura porque o regime perseguiu sistematicamente opositores políticos, intelectuais, jornalistas, funcionários públicos e grupos étnicos específicos como os Acholi e Lango, que apoiavam Obote.
Em 1972, Idi Amin ordenou a expulsão de 60 a 80 mil asiáticos que possuíam cidadania britânica, sobretudo, paquistaneses e indianos, alegando que eles exploravam a economia de Uganda. Isso causou um colapso imediato na economia, resultando em escassez de produtos e fuga de cérebros.
A gestão econômica de Idi Amin baseou-se no confisco e expropriação de bens, na má administração, o que acabou levando Uganda à falência. Os níveis de pobreza, analfabetismo, fome e doenças se tornaram altíssimos no país e até hoje, quase 60 anos depois, o país não conseguiu se restabelecer plenamente.
A queda do regime e o julgamento da história
Após tentar invadir a Tanzânia e ser repelido, seu regime enfraqueceu. Idi Amin acabou sendo deposto em 1979 por forças tanzanianas e exilados ugandenses. Ele fugiu para o exílio, indo primeiro para a Líbia e depois para a Arábia Saudita onde morreu em 2003, sem nunca ter sido julgado por seus crimes.
Retrato de Idi Amin
Idi Amin foi descrito por muitos como um déspota e um ditador "insano" devido às suas políticas imprevisíveis e ao terror constante imposto à população ugandense.
Aos poucos organismos como a Anistia Internacional, órgãos das Nações Unidas, pesquisadores e historiadores foram descobrindo situações dolorosas sobre a ditadura imposta sobre a Uganda.
O regime utilizava prisões secretas e centros de detenção onde aconteciam execuções sem julgamento e os condenados não direito à defesa.
Uganda hoje
Depois da fuga de Idi Amin, aconteceram eleições em 1980, que determinaram a volta do deposto Milton Obote, o líder deposto em 1971. O regime que ele implantou no país levou, porém, a uma nova fase de violência e instabilidade.
Sua vitória na eleição foi contestada desencadeando então a chamada "guerra do mato". O líder Yoweri Museveni, com seu Exército de Resistência Nacional (NRA), travou uma guerra de guerrilha contra o governo Obote, derrubando-o em 1985, tomando o poder em 29 de janeiro de 1986.
Defensor Militar
Desde então, há quase 30 anos, Museveni atua como Presidente de Uganda. Sob sua liderança, o país experimentou relativa estabilidade política e crescimento econômico, com uma política aberta ao investimento estrangeiro, embora com um sistema político frequentemente descrito como não partidário ou dominante por partidos.
A Igreja em Uganda
Uganda tem uma área geográfica de 236 mil km², onde vive uma população de 44,5 milhões de pessoas dos quais 45% se declaram católicos. A maior cidade do país é a capital Kampala, com quase 02 milhões de habitantes.
Vista de Kampala, capital e maior cidade de Uganda
Os missionários desembarcaram no país em 1879 e a história de sua Igreja é fortemente marcada pela história dos mártires de Uganda. A fé de seu povo é vibrante, mas enfrenta diversos desafios como a perseguição em áreas de maioria muçulmana que formam 20% da população, atuando, sobretudo, no Leste do país. Por outro lado, existe a necessidade de uma maior ação social, com muitas igrejas atuando no apoio a refugiados e comunidades carentes, mas as igrejas sofrem com a precariedade da infraestrutura, e ainda assim lideram ações missionárias e humanitárias, incluindo assistência a refugiados.
Crianças em Uganda, África
A Igreja Católica no país se organizada em diversas 04 arquidioceses, 15 dioceses e um Ordinariado militar. Distribuídas pelo país existem 508 paróquias mais de 07 mil centros de atendimento. O primeiro bispo de Uganda foi nomeado em 1939, mas a hierarquia de Uganda foi oficialmente estabelecida em 1953, pelo Papa Pio XII.
Uma Igreja de mártires
A evangelização da região teve início com a ação missionária dos Missionários da África, conhecidos como Padres Brancos, em 1879. Entre 1885 e 1887 ocorreu uma grande perseguição que levou ao martírio de católicos e anglicanos.
Igreja Católica em Uganda
Durante o regime de Idi Amim também aconteceu uma forte perseguição com a morte de um incontável número de cristãos.
Em 1964 ocorreu o martírio de São Carlos Lwanga e de seus 21 companheiros, beatificados em 1920 e canonizados pelo Papa Paulo VI em 1969.
Visitas dos papas
O país teve a felicidade de ser visitado por 03 papas que ali estiveram para fortalecer a fé do povo. O Papa Paulo VI foi o primeiro a visitar Uganda em 1969. João Paulo II ali esteve em fevereiro de 1993 e por fim, o Papa Francisco visitou o país entre 27 e 29 de novembro de 2015.
Papa Francisco em sua visita a Uganda
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