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O que está acontecendo na Europa?

Depois de um mês de outubro agitado, novembro segue pelo mesmo caminho

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Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

04 NOV 2026 - 16H35 (Atualizada em 05 NOV 2026 - 16H11)

Foto: Andrs / Adobe Stock

Elevação do custo de vida, crise habitacional, perda da qualidade na educação e descontentamento político. Milhares de jovens europeus, da França à Grécia, estão indo às ruas pedindo melhores condições de vida.

A Europa está enfrentando uma forte onda de protestos e confrontos liderados pela Geração Z e por cidadãos insatisfeitos com o custo de vida, crise habitacional e cortes em serviços públicos por causa da elevação dos gastos militares.

Em outubro, as mobilizações aconteceram em ao menos sete países, não como um movimento único, mas com as mesmas queixas em comum. A mobilização que tem levado milhares de pessoas às ruas não é coordenada entre si, e cada país tem pautas específicas. Mesmo assim, as reivindicações se repetem, ajudando a entender por que a insatisfação ganhou escala em boa parte do continente.

  • França: milhares de pessoas estão saindo várias vezes às ruas, com registros de prisões em massa, saques em Paris (incluindo galerias e supermercados) e confrontos violentos em cidades como Bordeaux, Marselha e Nice.
  • Albânia: os protestos na capital Tirana levam estudantes e manifestantes às ruas com episódios de depredação de lixeiras e patrimônio público, exigindo mais investimentos em educação e a renúncia do primeiro-ministro.
  • Espanha: milhares de pessoas marcham em Madri em defesa das pensões públicas, enquanto Barcelona registrou episódios de tumultos e prisões.
  • Itália: o governo reforçou a segurança em cidades como Roma, Milão e Nápoles com presença militar para conter manifestações contra a alta dos combustíveis, custo de vida e os rumos da guerra.
  • Portugal: autoridades policiais desmantelaram acampamentos de protesto contra a grave crise habitacional no centro de Lisboa e do Porto, mas as manifestações tendem a continuar.
  • Bélgica: estudantes montaram barricadas em Bruxelas, onde a polícia utilizou jatos de água para dispersar a multidão. Houve episódios de incêndio em prédios históricos e destruição do patrimônio.

No início do mês de novembro, as manifestações atingiram também a Alemanha, podendo incluir outros países.

Conflitos geram transtornos na economia e na organização europeia

Foto: AndriiKoval / Adobe Stock Foto: AndriiKoval / Adobe Stock

Mesmo que muita gente não pense nisso, achando que o continente europeu seja o mais pacífico do mundo, no momento diversos conflitos se sucedem na Europa e outros estão em fase de congelamento. O principal deles é a Guerra Russo-Ucraniana, que se intensificou com a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, mas que teve início anterior, em 2014. Trata-se do maior conflito militar em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, com milhares de baixas de ambos os lados e profundos impactos na segurança e na economia do continente.

O custo desses conflitos está impactando não somente a economia dos países envolvidos, mas do continente como um todo, respingando também para os demais continentes.

Além da guerra aberta na Ucrânia, que conta com a opinião favorável, inclusive do Papa Leão XIV, que clama pelo seu encerramento, o continente apresenta outras tensões geopolíticas e focos de atrito ativos ou latentes que acabam influenciando na elevação do custo de vida e diversos outros problemas.

Desdobramentos das manifestações

Foto: Gérard Bottino / Adobe Stock Foto: Gérard Bottino / Adobe Stock

O calendário dos próximos meses tende a manter as manifestações em destaque porque acontecerão eleições na Espanha e na França, e não se sabe ainda se acontecerá ou não a renúncia do pressionado primeiro-ministro da Albânia.

A violência produzida nas diversas manifestações tem levado governos a endurecer algumas leis, prometendo medidas mais restritivas aos manifestantes que usarem de agressividade e provocarem depredação do patrimônio público ou privado.

Na Itália, por exemplo, já é proibido cobrir os rostos em manifestações, mas entre as novas medidas estudadas estão a penalização das famílias dos envolvidos em atos de violência, a redução da minoridade penal para os que forem detidos e o endurecimento da fiscalização e repressão, com a mobilização das forças de segurança.

Outra medida que também está sendo pensada pelos governos é o bloqueio seletivo de algumas redes sociais que incentivam e propagam a violência, inclusive ensinando táticas de movimentação.

Vários executivos europeus têm classificado parte dos atos como fruto de pressão de grupos radicais ou infiltração de interesses político-eleitorais para desestabilizar as administrações locais, conseguindo vantagens nas próximas eleições.

Uma preocupação grande se dá com o envolvimento de grupos anarquistas nos protestos estudantis e, segundo dados da inteligência, em ao menos dois ou três países isso tem acontecido.

Foto: 279photo / Adobe Stock Foto: 279photo / Adobe Stock

Os governos também estão estudando mudanças drásticas na economia para domar a crise que avança. Na França, estão sendo preparados grandes cortes no orçamento para 2027.

Em Portugal, o governo também lida com o tema no centro das discussões sobre o orçamento do Estado, com fortes debates sobre respostas políticas e remodelações. E o mesmo deve também acontecer em outros países que sofrem com crise habitacional e falta de combustíveis, o que está incidindo fortemente no custo de vida, prevendo cortes e remodelações no orçamento de 2027.

Por todos esses elementos, acredita-se que os próximos meses serão bastante agitados no “Velho Continente”.

Leia também: Papa: "O pão de cada dia não pode ficar refém da guerra"

Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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