Elevação do custo de vida, crise habitacional, perda da qualidade na educação e descontentamento político. Milhares de jovens europeus, da França à Grécia, estão indo às ruas pedindo melhores condições de vida.
A Europa está enfrentando uma forte onda de protestos e confrontos liderados pela Geração Z e por cidadãos insatisfeitos com o custo de vida, crise habitacional e cortes em serviços públicos por causa da elevação dos gastos militares.
Em outubro, as mobilizações aconteceram em ao menos sete países, não como um movimento único, mas com as mesmas queixas em comum. A mobilização que tem levado milhares de pessoas às ruas não é coordenada entre si, e cada país tem pautas específicas. Mesmo assim, as reivindicações se repetem, ajudando a entender por que a insatisfação ganhou escala em boa parte do continente.
No início do mês de novembro, as manifestações atingiram também a Alemanha, podendo incluir outros países.
Mesmo que muita gente não pense nisso, achando que o continente europeu seja o mais pacífico do mundo, no momento diversos conflitos se sucedem na Europa e outros estão em fase de congelamento. O principal deles é a Guerra Russo-Ucraniana, que se intensificou com a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, mas que teve início anterior, em 2014. Trata-se do maior conflito militar em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, com milhares de baixas de ambos os lados e profundos impactos na segurança e na economia do continente.
O custo desses conflitos está impactando não somente a economia dos países envolvidos, mas do continente como um todo, respingando também para os demais continentes.
Além da guerra aberta na Ucrânia, que conta com a opinião favorável, inclusive do Papa Leão XIV, que clama pelo seu encerramento, o continente apresenta outras tensões geopolíticas e focos de atrito ativos ou latentes que acabam influenciando na elevação do custo de vida e diversos outros problemas.
O calendário dos próximos meses tende a manter as manifestações em destaque porque acontecerão eleições na Espanha e na França, e não se sabe ainda se acontecerá ou não a renúncia do pressionado primeiro-ministro da Albânia.
A violência produzida nas diversas manifestações tem levado governos a endurecer algumas leis, prometendo medidas mais restritivas aos manifestantes que usarem de agressividade e provocarem depredação do patrimônio público ou privado.
Na Itália, por exemplo, já é proibido cobrir os rostos em manifestações, mas entre as novas medidas estudadas estão a penalização das famílias dos envolvidos em atos de violência, a redução da minoridade penal para os que forem detidos e o endurecimento da fiscalização e repressão, com a mobilização das forças de segurança.
Outra medida que também está sendo pensada pelos governos é o bloqueio seletivo de algumas redes sociais que incentivam e propagam a violência, inclusive ensinando táticas de movimentação.
Vários executivos europeus têm classificado parte dos atos como fruto de pressão de grupos radicais ou infiltração de interesses político-eleitorais para desestabilizar as administrações locais, conseguindo vantagens nas próximas eleições.
Uma preocupação grande se dá com o envolvimento de grupos anarquistas nos protestos estudantis e, segundo dados da inteligência, em ao menos dois ou três países isso tem acontecido.
Os governos também estão estudando mudanças drásticas na economia para domar a crise que avança. Na França, estão sendo preparados grandes cortes no orçamento para 2027.
Em Portugal, o governo também lida com o tema no centro das discussões sobre o orçamento do Estado, com fortes debates sobre respostas políticas e remodelações. E o mesmo deve também acontecer em outros países que sofrem com crise habitacional e falta de combustíveis, o que está incidindo fortemente no custo de vida, prevendo cortes e remodelações no orçamento de 2027.
Por todos esses elementos, acredita-se que os próximos meses serão bastante agitados no “Velho Continente”.
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