Sinodalidade

Sínodo da Amazônia: quais lições ainda permanecem?

Escuta dos povos originários, defesa dos territórios e participação das mulheres estão entre os compromissos que continuam desafiando a Igreja. Confira!

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Escrito por Vitória Victal

05 NOV 2026 - 14H14 (Atualizada em 05 NOV 2026 - 14H36)

Reprodução/ CEAMA

Em outubro de 2019, a Igreja Católica se dedicou a Amazônia e para a realidade dos povos que vivem na região. Durante o Sínodo Especial para a Amazônia, realizado no Vaticano, representantes de diferentes comunidades se reuniram para refletir sobre os desafios da evangelização e a preservação da vida no território amazônico.

Com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, o encontro trouxe para o centro das discussões a necessidade de uma Igreja mais próxima das comunidades, que saiba escutar os povos originários, respeitar suas culturas e reconhecer a importância da floresta para o equilíbrio da vida no planeta.

Sete anos depois, as propostas daquele encontro continuam impulsionando iniciativas e reflexões na Igreja. Mas quais frutos já podem ser percebidos? E quais compromissos ainda precisam avançar?

Rommel/ Adobe Stock Rommel/ Adobe Stock Povos indígenas do Panamá

O que o Sínodo propôs à Igreja?

O Documento Final do Sínodo, concluído em 26 de outubro de 2019, apresentou caminhos para uma conversão pastoral, cultural, social, ecológica e sinodal da Igreja.

O texto destacou a importância de ouvir a voz dos povos amazônicos e reconhecer suas experiências, tradições e conhecimentos. Também chamou atenção para as ameaças enfrentadas pela floresta e por seus habitantes, especialmente as comunidades indígenas.

A reflexão não terminou com a assembleia. Em fevereiro de 2020, o saudoso Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica Querida Amazônia, retomando sonhos sociais, culturais, ecológicos e eclesiais para a região.

Sete anos depois, quais frutos permanecem?

Para refletir sobre o significado dessas propostas e os desafios que permanecem, o Portal A12 conversou com a Irmã Laura Vicuña Pereira Manso, religiosa brasileira, freira catequista franciscana e integrante do povo indígena Kariri.

A partir de sua trajetória, a missionária contribui para pensar sobre a relação entre a Igreja e os povos originários, especialmente no que diz respeito à valorização das identidades culturais, à evangelização e à participação indígena na vida eclesial.

Vatican Media Vatican Media Abertura dos trabalhos da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica

Para a Irmã, esse caminho também exige atenção às divisões e às posturas que ainda dificultam uma Igreja mais acolhedora e aberta ao diálogo.

"Um grande avanço é a Igreja reafirmar o compromisso na defesa da vida, dos territórios e dos direitos dos povos indígenas, assumindo suas lutas, dores e alegrias. O mundo vive um tempo de polarização e isso vemos também no interno da Igreja, com algumas posturas mais tradicionais e menos inclusivas, posturas clericais, que vai na contramão do magistério da Igreja, que busca ser uma Igreja do encontro, sinodal, samaritana", disse.

Nesse sentido, evangelizar também significa estabelecer um diálogo que não apague a identidade de cada comunidade. De acordo com a Irmã, a fé pode ser vivida e anunciada em diferentes culturas, valorizando suas expressões, símbolos, línguas e tradições.

"O anúncio verdadeiro do evangelho, reconhece os diferentes dons do Espírito, os diferentes povos, espiritualidades, culturas. Para que isso seja realidade plena, é necessário 'aprender, desaprender, reaprender', passar por um processo de conversão. Reconhecer as espiritualidades e as teologias Índia, num diálogo de respeito ecumênico e inter-religioso", explicou.

O cuidado com a Casa Comum continua em pauta

As reflexões do Sínodo também dialogam com questões que ultrapassam a realidade amazônica, especialmente a crise climática e a preservação ambiental.

Para trabalhar melhor o cuidado com a Casa Comum, em novembro de 2026, a cidade de Antália, na Turquia, recebe a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31.

O encontro reúne representantes de governos, organizações e sociedade civil para discutir ações e compromissos diante das mudanças climáticas, com temas que encontrem soluções para enfrentar os impactos climáticos.

A defesa dos territórios e dos direitos dos povos originários também faz parte dessa reflexão, pois a preservação ambiental está diretamente relacionada à vida das comunidades que habitam esses espaços.

"Temos o documento final do Sínodo e Querida Amazonia, que nos apontam grandes linhas de ação pastoral, o trabalho pela ecologia integral e o cuidado da casa comum, é um dos compromissos que precisamos assumir com mais audácia, para que haja justiça socioambiental e vida para as gerações futuras", citou Irmã Laura.

Outsiderzone/ Adobe Stock  Outsiderzone/ Adobe Stock Franciscanos em uma missão de evangelização

Sete anos depois, o Sínodo da Amazônia permanece como uma referência para pensar a missão da Igreja e sua relação com os povos originários. Para Irmã Laura, a continuidade das propostas do Sínodo também continua impulsionar as iniciativas nos territórios diante das situações de violência e violação de direitos enfrentadas pelos povos indígenas e pelas comunidades amazônicas.

"A Conferência Eclesial da Amazônia, como primeiro organismo Eclesial, poderá impulsionar as propostas do sínodo da Amazônia no território amazônico e ser uma voz profética nas situações de permanente violência e violação de direitos contra os povos indígenas e amazônico. Precisamos aprender a reconhecer plenamente a missão da mulher na Igreja, também nos espaços de decisões", concluiu.

Dessa forma, a escuta, o respeito à diversidade e o cuidado com a criação continuam sendo caminhos para uma Igreja que deseja caminhar junto com os povos e reconhecer a riqueza de suas experiências. 

LEIA TAMBÉM:  Por que o Papa convocou o Sínodo para a Amazônia?

Fonte: Vatican News, COP31, Documento Final do Sínodo da Amazônia

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