As tensões políticas entre os Estados Unidos e a Europa têm contribuído para um agravamento do já delicado clima internacional. A avaliação é do secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, ao comentar o atual momento das relações. Para ele, o caminho deveria passar pelo diálogo, sem o acirramento de disputas ou o estímulo a novas polarizações.
A declaração foi feita à margem do encontro “Um Diálogo Internacional para Conectar os Jovens ao Futuro”, realizado na noite desta quarta-feira, 21 de janeiro, no Auditório Antonianum, em Roma.
Ao ser questionado por jornalistas sobre os embates recentes entre Washington e líderes europeus, Parolin afirmou:
“As tensões são prejudiciais e criam um clima que agrava a já grave situação internacional. O importante seria eliminá-las, discutir pontos controversos, mas sem entrar em polêmicas ou criar novas tensões”.
Além do diálogo com a imprensa, o Cardeal respondeu a uma série de perguntas feitas por jovens, que abordaram temas do Oriente Médio, Venezuela, desarmamento nuclear e liberdade de imprensa, assuntos que, segundo Parolin, exigem responsabilidade política e sensibilidade por parte dos governantes.
Um dos pontos abordados foi o convite feito à Santa Sé pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para integrar o Conselho de Paz sobre Gaza, iniciativa que vem sendo articulada com a participação de diferentes países. Parolin confirmou que o convite foi recebido pelo Papa e está em avaliação.
“Estamos analisando a situação mais a fundo. É uma questão que requer tempo para ser considerada e respondida”, afirmou.
O Cardeal também esclareceu que não há possibilidade de participação financeira.
“Não temos condições de contribuir financeiramente, mas acreditamos que o pedido não seja nesse sentido”, acrescentou.
Ao comentar declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou “amar a Europa”, porém criticou os rumos adotados pelo continente, Parolin afirmou que, para ele, o essencial é o respeito às normas internacionais.
“Esse é o ponto de vista dele. O que importa é respeitar o direito internacional. Mais do que sentimentos pessoais, legítimos ou não, é preciso respeitar as regras da comunidade internacional”, disse.
O secretário de Estado voltou ao conflito entre Israel e Palestina, que classificou como questão central para a estabilidade da região.
“Quando isso for resolvido, os outros conflitos também encontrarão caminho, lembrando também que a Santa Sé e a Igreja católica reconhecem o Estado da Palestina há uma década”.
Parolin reafirmou ainda a defesa da solução de dois Estados.
“Ainda acreditamos que dois povos em dois Estados é uma fórmula viável. Mas o importante é encontrar um acordo e dar esperança ao povo palestino. Vamos ver o que acontece no Conselho de Paz sobre Gaza. Trata-se de ser criativo e encontrar uma fórmula que garanta o direito dos palestinos de viver em paz em sua terra”, completou.
Ao responder perguntas sobre a Venezuela, que foi recentemente atacada pelos EUA, que acabou capturando o presidente do país, Nicolás Maduro, sob a alegação de liderar uma organização internacional de tráfico de drogas e narcoterrorismo.
Parolin falou sobre o assunto, pois a Venezuela é um país onde o Cardeal atuou como núncio apostólico por quatro anos, e fez questão de sublinhar o vínculo pessoal com a nação latino-americana.
“A Venezuela é um país lindo; foi uma experiência comovente”, recordou.
“Quando cheguei, havia tensão entre o episcopado e Chávez, porque o episcopado criticava a postura política do presidente; agora vivemos uma situação de enorme incerteza. É difícil prever como as coisas vão evoluir. O mais importante é estender a mão às pessoas que atravessam uma grave crise”, afirmou.
“Antes de mais nada, devemos focar na população; não devemos considerar números, mas rostos”, disse ele em resposta a uma pergunta sobre os protestos no Irã.
Ele também comentou a expressão usada pelo Papa Francisco para definir o cenário atual como a “Terceira Guerra Mundial em Pedaços”.
“Lamento que essas frases se tornem slogans sem impacto real, sem que soluções sejam encontradas”, observou.
Sobre o tema nuclear, Parolin reiterou:
“A Santa Sé sempre trabalhou pelo desarmamento. Devemos reduzir os armamentos, porque, uma vez que existem, acabam sendo usados”, afirmou, reforçando que a Santa Sé considera imoral não apenas o uso, mas também a posse de armas nucleares.
O secretário de Estado também falou sobre a liberdade de imprensa, ressaltando que ela precisa caminhar junto com a responsabilidade.
“A confiança na imprensa é extremamente importante”, afirmou, lembrando que o uso dos meios de comunicação deve contribuir para a construção do diálogo.
“Um uso responsável da imprensa deve construir, não destruir”, concluiu.
add “Não somos um pedaço de terra”: pároco fala sobre tensão entre Groenlândia e EUA
Fonte: Vatican News
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