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Mundo

Parolin revela convite de EUA à Santa Sé sobre Conselho de Paz

Escrito por Rafael Gurgel

23 JAN 2026 - 10H11 (Atualizada em 26 JAN 2026 - 11H29)

Vatican News

As tensões políticas entre os Estados Unidos e a Europa têm contribuído para um agravamento do já delicado clima internacional. A avaliação é do secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, ao comentar o atual momento das relações. Para ele, o caminho deveria passar pelo diálogo, sem o acirramento de disputas ou o estímulo a novas polarizações.

A declaração foi feita à margem do encontro “Um Diálogo Internacional para Conectar os Jovens ao Futuro”, realizado na noite desta quarta-feira, 21 de janeiro, no Auditório Antonianum, em Roma.

Ao ser questionado por jornalistas sobre os embates recentes entre Washington e líderes europeus, Parolin afirmou:

“As tensões são prejudiciais e criam um clima que agrava a já grave situação internacional. O importante seria eliminá-las, discutir pontos controversos, mas sem entrar em polêmicas ou criar novas tensões”.

Além do diálogo com a imprensa, o Cardeal respondeu a uma série de perguntas feitas por jovens, que abordaram temas do Oriente Médio, Venezuela, desarmamento nuclear e liberdade de imprensa, assuntos que, segundo Parolin, exigem responsabilidade política e sensibilidade por parte dos governantes.

Convite para o Conselho de Paz sobre Gaza

Reprodução/Adobe Stock:diy13 Reprodução/Adobe Stock:diy13


Um dos pontos abordados foi o convite feito à Santa Sé pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para integrar o Conselho de Paz sobre Gaza, iniciativa que vem sendo articulada com a participação de diferentes países. Parolin confirmou que o convite foi recebido pelo Papa e está em avaliação.

“Estamos analisando a situação mais a fundo. É uma questão que requer tempo para ser considerada e respondida”, afirmou.

O Cardeal também esclareceu que não há possibilidade de participação financeira.

“Não temos condições de contribuir financeiramente, mas acreditamos que o pedido não seja nesse sentido, acrescentou.

Direito internacional acima de posições pessoais

Ao comentar declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou “amar a Europa”, porém criticou os rumos adotados pelo continente, Parolin afirmou que, para ele, o essencial é o respeito às normas internacionais.

“Esse é o ponto de vista dele. O que importa é respeitar o direito internacional. Mais do que sentimentos pessoais, legítimos ou não, é preciso respeitar as regras da comunidade internacional, disse.

Israel e Palestina: chave para a paz no Oriente Médio

O secretário de Estado voltou ao conflito entre Israel e Palestina, que classificou como questão central para a estabilidade da região.

“Quando isso for resolvido, os outros conflitos também encontrarão caminho, lembrando também que a Santa Sé e a Igreja católica reconhecem o Estado da Palestina há uma década.

Parolin reafirmou ainda a defesa da solução de dois Estados.

“Ainda acreditamos que dois povos em dois Estados é uma fórmula viável. Mas o importante é encontrar um acordo e dar esperança ao povo palestino. Vamos ver o que acontece no Conselho de Paz sobre Gaza. Trata-se de ser criativo e encontrar uma fórmula que garanta o direito dos palestinos de viver em paz em sua terra, completou.

Venezuela: crise prolongada e incertezas

Reprodução/Adobe Stock: Amilciar Reprodução/Adobe Stock: Amilciar


Ao responder perguntas sobre a Venezuela, que foi recentemente atacada pelos EUA, que acabou capturando o presidente do país, Nicolás Maduro, sob a alegação de liderar uma organização internacional de tráfico de drogas e narcoterrorismo.

Parolin falou sobre o assunto, pois a Venezuela é um país onde o Cardeal atuou como núncio apostólico por quatro anos, e fez questão de sublinhar o vínculo pessoal com a nação latino-americana.

“A Venezuela é um país lindo; foi uma experiência comovente, recordou.

“Quando cheguei, havia tensão entre o episcopado e Chávez, porque o episcopado criticava a postura política do presidente; agora vivemos uma situação de enorme incerteza. É difícil prever como as coisas vão evoluir. O mais importante é estender a mão às pessoas que atravessam uma grave crise”, afirmou.


Irã, protestos e ameaça nuclear

Reprodução/Adobe Stock:Mumpitz Reprodução/Adobe Stock:Mumpitz


“Antes de mais nada, devemos focar na população; não devemos considerar números, mas rostos, disse ele em resposta a uma pergunta sobre os protestos no Irã.

Ele também comentou a expressão usada pelo Papa Francisco para definir o cenário atual como a “Terceira Guerra Mundial em Pedaços”.

“Lamento que essas frases se tornem slogans sem impacto real, sem que soluções sejam encontradas”, observou.

Sobre o tema nuclear, Parolin reiterou:

“A Santa Sé sempre trabalhou pelo desarmamento. Devemos reduzir os armamentos, porque, uma vez que existem, acabam sendo usados”, afirmou, reforçando que a Santa Sé considera imoral não apenas o uso, mas também a posse de armas nucleares.

Liberdade de imprensa e responsabilidade

O secretário de Estado também falou sobre a liberdade de imprensa, ressaltando que ela precisa caminhar junto com a responsabilidade.

“A confiança na imprensa é extremamente importante”, afirmou, lembrando que o uso dos meios de comunicação deve contribuir para a construção do diálogo.

“Um uso responsável da imprensa deve construir, não destruir, concluiu.

add “Não somos um pedaço de terra”: pároco fala sobre tensão entre Groenlândia e EUA

Fonte: Vatican News

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